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O Admirável Mundo novo da MTV
Por Marcos Vasconcelos — Quinta, 11 de maio de 2006
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Dia desses, assistindo ao sensacional clipe novo do Red Hot Chilli Peppers, "Dani Califórnia", fiquei imaginando meus filhos perguntando a mim como era a vida sem computador, internet e a MTV, do mesmo modo que eu perguntava aos meus pais como era a vida sem geladeira. Sim, parece uma coisa antediluviana, um mundo em preto e branco, onde a linguagem era arrastada, pontuada, em outras palavras, retilínea e uniforme, como no tempo de Isaac Newton.
É que eu sou, até hoje, depois de quase 26 anos, um consumidor voraz da MTV. Eu não vi o primeiro dia, e a primeira transmissão. TV a cabo, em 1990, era um sonho distante. E não era toda TV que pegava UHF, ainda que a MTV tenha começado, na verdade, em VHF, ou seja, em canal aberto. Mas eu não esqueço dos primeiros VJ's, dos primeiros programas e dos primeiros clipes.
Alguém aí sabe que foi Astrid Fontenelle, essa mesma que hoje é apresentadora de programas para terceira idade, quem deu o grito primal das transmissões da MTV Brasil, no dia 20 de outubro de 1990? E que foi Marina Lima, interpretando "Garota de Ipanema", a música brasileira mais tocada no mundo em todos os tempos, o primeiro vídeo clipe exibido pela emissora?
É, mas antes da MTV, o que havia? O caos? Choro e ranger de dentes? Nem tanto. Havia programas musicais para todos os gostos na televisão brasileira. E a MTV americana já existia, pelo menos há nove anos. De qualquer forma, a linguagem do clipe musical não foi inventada pela MTV. Mesmo no Brasil, existe uma grande quantidade de clipes pré-históricos conhecidos de todos, como os produzidos pela Globo para o Fantástico.
Quem não lembra de Gita, com Raul Seixas, clipe da década de 70, época em que a técnica do Croma-Key era coisa moderníssima? E dos clipes etéreos do 14 Bis e Roupa Nova, do início dos anos 80? Fora isso, a Globo ainda tinha o atrativo "Globo de Ouro", que se me lembro bem, passava nas sextas à noite, encerrando sempre com Roberto Carlos, claro. Mas naquele tempo, a gente assistia coisas interessantes, como os pré-roqueiros do Herva Doce, Rádio Táxi, A Cor do Som e Edinho Santa-Cruz, esse mesmo que toca hoje no Faustão.
E há quem não se esqueça do dia em que a musa americana Dee D. Jackson, com seu collant e suas botas prateadas, aterrissou no Globo de Ouro para dublar "Automatic Lover", sucesso da sensacional trilha sonora da novela Dancin' Days. Depois disso, vieram programetes como o "Cometa Loucura" e coisas assim. A época do Rock Brasil, pasmem, foi toda transmitida mesmo pelo Fantástico, ou até pelo Chacrinha.
Quando a MTV começou seus trabalhos, ainda havia uma grande parte dos roqueiros brasileiros em atividade. Mas a grande modificação cultural promovida pela emissora foi mesmo na linguagem de seus apresentadores. A programação era voltada diretamente para os jovens e os VJ's – a transcrição televisiva dos Disk Jóqueis, ou DJ's – falavam realmente a língua da juventude.
E a primeira fase da emissora foi, de fato, um tsunami de criatividade na TV brasileira, com apresentadores inesquecíveis – Astrid, Thunderbird, Zeca Camargo, Cazé, Cuca Lazarotto, Maria Paula, Gastão e Edgard, entre outros – e clipes fantásticos. 
Quem não lembra, por exemplo, da ascenção e queda do Guns'n Roses, da explosão do Nirvana e do Red Hot, da era erótica de Madonna e da inesquecível fase "Alicia Silverstone" do Aerosmith, incluindo aí "Amazing", para muitos o melhor vídeo clipe de todos os tempos?
Mas não seria só isso o que a MTV mudaria na face da música sobre a terra... (continua)
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