Erros técnicos comprometem e limitam o filme

Apesar de alguns prêmios conquistados em associações de cinema da Europa, fica difícil enxergar interesse maior nesse
Meu verão de amor, filme visualmente bonitinho mas repleto de erros, tanto por parte do diretor
Pawel Pawlikowski quanto do fraco roteiro do qual o cineasta é co-autor.
Meu amor de verão traz em si uma série de equívocos imperdoáveis, tanto na mensagem que pretende transmitir quanto na forma como foi filmado: em relação a este último quesito, observa-se que o filme tem uma câmera tremida, com as luzes dispersando mal os reflexos nas tomadas externas sobre as águas e sob as matas. São erros que comprometem o prazer visual (e olhe que as belas paisagens bucólicas inglesas poderiam ser um atrativo extra à realização) e acabam por retirar o deleite do espectador. Mas o pior se dá no roteiro do filme: uma análise que nem precisa ser muito minuciosa revela erros graves na construção da trama e dos personagens, agravados pela forma desinteressada com que Pawlikowski o desenvolveu.
No filme, Mona (a quase estreante
Nathalie Press) é uma jovem amargurada pela perda de seus pais e pela convivência com seu único parente - Phil, um irmão ex-presidiário que se tornou pastor evangélico. Até que conhece Tamsin (
Emily Blunt), uma moça liberada, moradora das redondezas, que lhe conta sobre a perda da mãe e da irmã. Surge uma amizade entre as duas moças, que caminha para um envolvimento sexual - cuja cativante sutileza, que em nenhum momento torna-se vulgar, converte-se no grande acerto da realização.

O mau roteiro, porém, não permite que
Meu verão de amor evolua bem, e define pessimamente mal o perfil de seus personagens - principalmente o irmão de Mona. Há, claro, uma diferença abissal entre uma pessoa que acabou de sair da cadeia e que busca na religião sua redenção moral e fanáticos religiosos que tentam impor sua religião, não raramente sob uma máscara de hipocrisia e repressão sexual;
Meu amor de verão fracassa vergonhosamente na definição de quem é Phil, não permitindo que o público assimile para qual linha o personagem segue.
No decorrer da maior parte da metragem, a aversão de Mona pela opção religiosa do irmão a deixa, perante o público, com a imagem de uma moça ateísta e antipática, sem respeito algum pela religião dos outros - imagem essa que é reforçada pela postura de Tamsin, que insulta Deus com uma naturalidade vergonhosa e que o roteiro apresenta como referência e
libertação para a reprimida Mona. Contudo, reviravoltas esclarecedoras no final da trama deixam claro o fracasso de
Meu amor de verão na forma como apresentou seus personagens ao espectador.
De positivo, pode-se dizer que o diretor teve um raro acerto ao apostar em uma narrativa direta e bastante econômica, com poucos personagens e cortes rápidos. Isso acabou por dar uma certa agilidade à metragem e facilitar parcialmente o entendimento do público. Pena que o roteiro não tenha auxiliado em nada em relação a isso.