Seymour Hoffman é o melhor quando o assunto é ser o pior

Esqueça tudo o que os tablóides escreveram sobre
Tom Cruise no ano passado. Esqueça também os roteiros inexplicáveis (ou a falta de roteiros) da maioria dos filmes de ação em que o protagonista sem como ou porquê cumpre sua missão passando por todas as leis da física e da racionalidade.
Se no primeiro filme (há 10 anos atrás, direto do túnel do tempo...)
Briam de Palma contou uma história cheia de reviravoltas, com algumas cenas muito empolgantes e na continuação
John Woo não contou história nenhuma, preferindo explosões gigantescas a dialogos, é no terceiro que temos a junção harmoniosa de todos os elementos: há o espetáculo, as explosões, as coisas impossíveis que se tornam possíveis e há também o diálogo, seja ele romântico e desesperado ou vil e cheio de ódio no coraçãozinho (de
Philip Seymour Hoffman, claro).
Missão Impossível é o número três, mas é também o número um, porque modifica totalmente esta tônica dos filmes de ação inserindo o passado, a intimidade e as ligações emocionais de cada um dos envolvidos.
Se na grande maioria dos casos, o protagonista
apenas tem que salvar o planeta de algum cientista maluco, ou de alguma catástrofe qualquer, aqui

Ethan tem outras duas missões, além de salvar o mundo: resgatar a agente Lindsey (
Keri Russell), que fora treinada por ele, que agora não é mais um agente de campo e em seguida, salvar a vida de sua esposa.
Os primeiros minutos do filme, agilizam boa parte da história: logo após os créditos (belíssimos créditos, por sinal), somos levados direto ao ponto sem perder tempo com explicações desnecessárias. Reencontramos Ethan Hunt, herói do filme original, em uma situação muito, muito desconfortável e muito, muito triste e logo após, conhecemos o vilão e percebemos o quanto ele pode ser cruel.
Ethan Hunt, nosso agente preferido, encontra o novo amor de sua vida, que obviamente não imagina o que ele faz para viver. Logo é chamado para uma missão que envolve invasões ao Vaticano, corridas nos telhados de Xangai, trocas de rostos, traições, explosões, ataques de helicópteros, enfim... tudo para não deixar você desgrudar o olho da tela.
Se por um lado é triste ver
Tom Cruise sofrendo por sua donzela, é ótimo ver Seymour Hoffman como Owen Davian, um dos melhores vilões do ano, roubando as cenas com seu personagem frio e cheio de desdém.
Caso o blockbuster fosse ambientado em um local com um pouco mais de verde, e um pouco menos de tecnologia, você poderia pensar que Ethan Hunt era um dos passageiros do vôo 815 da Oceanic Airlines. As tomadas de câmera, os flashbacks, e a trilha sonora de
Michael Giacchino (responsável pela trilha de
Lost) são a prova máxima de que esta é uma realização típica de
J.J. Abrams. E que realização. Este é o primeiro filme de Abrams - que se tornou o queridinho de Holywood com as séries hypadas
Lost, Alias e
Felicity.