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As más companhias de Tarantino
Por Pedro Alencastro — Terça, 2 de maio de 2006
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Ao melhor estilo Jason, retornando das trevas quando todos juravam que ele estava morto, cá estou eu de volta, para a decepção geral do fã clube do Tom Cruise. Sim. Após um longo e tenebroso inverno trabalhando em novo horário e mergulhado num fanatismo futebolístico sem precedentes, tomei vergonha na cara e resolvi retornar ao nosso SoBReCarGa.
Desde já, comunico que minha curta carreira como bisbilhotador da vida alheia (atividade que me consumia mais tempo do que atualmente disponho) chegou ao fim. Isso significa que ficarei devendo a segunda parte da coluna sobre astros mirins, sexo, drogas & Michael Jackson. A partir de hoje, este espaço será ocupado por um olhar reflexivo sobre o curioso reino de Hollywood Land, não mais exclusivamente focado na trajetória de seus habitantes.
E para reinaugurar minha coluna, começarei falando sobre um tema que, volta e meia, me tira do sério. É preciso esclarecer de uma vez por todas que, oficialmente, Quentin Tarantino dirigiu apenas quatro filmes - cinco vírgula alguma coisa, se considerarmos a segunda parte de Kill Bill, um dos episódios de Grande Hotel (1995) e a seqüência com Benicio Del Toro e Clive Owen passeando de carro em Sin City (2005). São eles, em ordem cronológica, Cães de Aluguel (1992), Pulp Fiction (1994), Jack Brown (1997), Kil Bill (2003 e 2004) e ponto final.
Toda vez que alguém fala mal do Tarantino porque achou Um Drinque no Inferno (1996) uma formidável porcaria, tenho ganas de agarrar o sujeito pelo colarinho e berrar nos seus ouvidos a plenos pulmões: DRINQUE NO INFERNO NÃO É DO TARANTINO, CARA***!!!!.
Veja bem, não é que eu esteja bancando o advogado de defesa – até porque tenho algumas ressalvas ao final manjado de Jack Brown e os exageros de Kill Bill (vol. I) – mas é necessário colocar as coisas no seu devido lugar. O fato é que existem dois Tarantinos. De um lado está o responsável por Pulp Fiction – um dos filmes mais importantes da década de 90 – e do outro, o sujeito esquizofrênico que tenta atuar e adora filmes sobre milionários torturando jovens em algum porão da Europa.
Ainda não sei se por falta de senso crítico ou mera camaradagem, Tarantino adora meter o gigantesco queixo em projetos arriscados. Às vezes ele acerta, como no caso de Herói (2005), porém, geralmente acaba sujando sua própria reputação. E um exemplo recente disso foi O Albergue.
Confesso que não assisti o filme de Eli Roth – citando o falecido Paulo Francis, “Não vi e não gostei” – no entanto, para me atualizar, li algumas críticas e percebi que dez entre dez citavam a colaboração de Tarantino. Algumas, de forma oportunista, relacionaram esse detalhe com a dispensável violência da película, tema que persegue o diretor desde que dois piás babacas resolveram brincar de Cães de Aluguel e um deles acabou perdendo uma orelha.
Com o lançamento de O Albergue, a obsessão de Tarantino por violência gratuita voltou ao foco das atenções. Afinal, quem mais poderia promover tamanho banho de sangue e selvageria? Certamente não o obscuro Eli Roth, que embora tenha escrito e dirigido o filme, não passava de um réles fantoche guiado pela mente doentia de Tarantino.
Exageros à parte, alguns “especialistas” esqueceram que o cineasta é apenas um dos produtores ao lado de uma cambada de anônimos. Logo, sua colaboração não tem a dimensão que recebeu. Mas deixe estar. Ainda esse ano deve sair o novo projeto dirigido por Tarantino (em parceria com amigão de fé Robert Rodrigues) intitulado Grind House e, ao que tudo indica, a pancadaria vai comer solta. Aí sim, os moralistas de plantão poderão falar mal à vontade.
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