Os anos 1960 foram marcados pelo movimento pictórico, iniciado na década anterior, chamado pop art. Sendo as histórias em quadrinhos um produto resultante da somatória das artes – como já discorri anteriormente na coluna intitulada Quadrinho é Arte? – e, com a devida licença poética, um meio pictográfico de comunicação, além de típico produto de massa, nada que seja para se espantar ela estar antenada com um novo movimento artístico. O que é espantoso é a velocidade como as HQs se deixavam (se deixam ainda?!) influenciar e absorviam os movimentos culturais.
A famosa Marilyn Monroe de Andy Warhol
e uma decomposição de cor de Steranko.
James Steranko (1938) foi o artista que trouxe a pop art, mais especificamente a
op art (
optical art) para as HQs. Para ser menos prolixo, me permitam destacar apenas a influência direta da arte pop de
Andy Warhol (1928-1987) sobre o trabalho de Steranko.
Jim Steranko utilizou retículas, separação de cor, efeitos ópticos e colagem na composição de suas histórias (clique na imagem ao lado para ampliá-la). Sem abrir mão de uma narrativa linear, no que concerne ao desenvolvimento e à compreensão da HQ – o que hoje é chamado de
storytelling –, Steranko nos constrangia com uma página totalmente vermelha com umas poucas linhas e retículas que pareciam ter muitos detalhes, para em seguida nos chocar com uma página quase que totalmente em branco.
Trabalho assim só pôde ser visto em
Nick Fury, Agente da S.H.I.E.L.D., publicado pela
Marvel Comics em 1968.
Nick Fury surgiu na época em que os filmes de James Bond (estrelados por Sir Sean Connery), estavam ganhando cada vez mais fãs. Naturalmente, Steranko também se deixou envolver por essa influência. Em 1967, James Bond era o personagem principal de
Com 007 só se vive duas vezes (
You only live twice), sendo que o personagem já havia aparecido com grande sucesso e aceitação em
007 contra o satânico Dr. No (
Dr. No, 1962),
Moscou contra 007 (
From Rússia with love, 1963),
007 contra Goldfinger (
Goldfinger, 1964) e
007 contra a chantagem atômica (
Thunderball, 1965), todos grandes exemplos do que era o cinema nesse período.
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Perfeccionista, Jim Steranko estuda em detalhes suas composições. Mesmo que depois mude muita coisa.
Dos quadrinhos, Jim recebeu pelo menos duas grandes influências: a de
Jack Kirby e a de
Will Eisner. De Kirby, ele utilizava as colagens feitas com fotos, as páginas duplas sempre com ação explosiva e a vontade de desenhar “geringonças”. De Eisner, passou a apresentar os títulos como o mestre fazia na titulação das histórias do seu eterno
Spirit.
Página inicial de Nick Fury #1 e uma página de uma HQ de Spirit publicada em 1941. Observem como os títulos foram colocados
E foi trazendo essa carga de influências que Jim desenvolveu um estilo próprio, para não dizer único. Com bastante personalidade, fez das suas HQs um marco na arte seqüencial, e trouxe o psicodelismo para os quadrinhos.
Tchau! Até a próxima!
P.S.: Joe Bennett (o brasileiro Bené Nascimento) fez uma homenagem ao trabalho de Steranko em
Captain America #10, de 1996, publicado pela
Abril em
Capitão América #10 (da fase
Heróis Renascem), em 1999. Bené utilizou como base uma página de
Captain América #113, de 1968, que no ano passado viria a ser a capa de
Marvel Visionaires - Steranko, dedicada ao artista.
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