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Remember, Remember, the 5th of November
Por Marcelo Del Debbio — Quinta, 13 de abril de 2006
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Remember, remember, the fifth of November, gunpowder treason and plot.
I see no reason why the gunpowder treason should ever be forgot.
Guy Fawkes, Guy Fawkes, 'twas his intent to blow up the King and the Parliament.
Three score barrels of powder below, Poor old England to overthrow:
By God's providence he was catch'd With a dark lantern and burning match.
Holloa boys, holloa boys, make the bells ring.
Holloa boys, holloa boys, God save the King!
Hip hip hoorah!
A penny loaf to feed the Pope.
A farthing o' cheese to choke him.
A pint of beer to rinse it down.
A faggot of sticks to burn him.
Burn him in a tub of tar.
Burn him like a blazing star.
Burn his body from his head.
Then we'll say ol' Pope is dead.
Hip hip hoorah!
Hip hip hoorah!"
Olá crianças,
Com V de Vingança, os irmãos Warchowski levam para a telona uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Do Deus da literatura seqüenciada Alan Moore, V de vingança é, sem sombra de dúvida, uma das maiores obras literárias já produzidas. Sim, crianças... LITERATURA... recuso a abaixar a cabeça para o sistema ridículo que diz que HQs devem ser coisas para crianças e adolescentes. Posso citar de cabeça agora dezenas de HQs muito melhores do que todos os “livros clássicos” que obrigam a pirralhada a ler para o vestibular e com certeza vocês vão concordar comigo nisso.
O filme, dirigido por James McTeigue (que foi assistente de diretor na trilogia Matrix) e estrelado por Hugo Weaving (com certeza a melhor escolha possível para o papel de V, já que ele deve ser o único ator de Hollywood capaz de recitar duzentas páginas de script enquanto desce o sarrafo no inimigo sem parecer falso) e Natalie Portman (a Padmé do Star Wars) no papel de Evey.
Além disso, temos John Hurt como o grande ditador Adam Sutler (o que, diga-se de passagem, foi uma sacada genial, visto que John Hurt fez o papel de Winston Smith no filme “1984”, que era justamente a vítima principal dos big brothers de plantão).
É realmente interessante notar a fina linha que divide o combatente da liberdade do terrorista nesses dias...
Não pude deixar de comparar a belíssima cena do Parlamento indo pelos ares com a queda das duas torres gêmeas nos Estados Unidos, causadas por mártires do Islã, e do uso que os big brothers (que não é aquele programa de lavagem cerebral na Globo, mas sim uma referência a um livro escrito em 1948 que está mais atual do que nunca) fazem da palavra “terrorista”, aplicando-a a qualquer pessoa ou entidade que lhes convém.
Diferentemente do que escreveu a jumenta Isabela Babascov na revista Veja, “V de Vingança” não é um filme sobre um terrorista, mas sim um filme sobre a liberdade (ela deve ter colocado o título da matéria de “B de Bobeira” achando que iria ser a maior sensação nas reuniões dos vigilantes do peso). V não é um terrorista, V é alguém que despertou para a realidade e que faz o que deve ser feito. Faz o que todos deveriam estar fazendo.
A dominação das pessoas ignorantes através da religião e da opressão, mostrada no filme, é um problema real e palpável nos dias de hoje. E um problema que está aqui, no Brasil, mais perto do que você imagina. Pastores se metendo em política e políticos se metendo em religião nunca cheiraram bem... o que você está fazendo a respeito disso?
Como escreveu Moore, “As pessoas não deveriam temer seus governantes; os governantes é que deveriam temer as pessoas”. Esta é a base para um estado livre.
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