V de vulnerável. E também de vazio

Depois do sucesso do ficção-científica
Matrix, seus diretores, os irmãos
Larry Wachowski e
Andy Wachowski, foram catapultados à condição de cineastas do primeiro escalão de Hollywood. Uma análise mais profunda, porém, mesmo perante os admiradores do mencionado
Matrix (que acabaria virando um trilogia, com todos os filmes dirigidos pela dupla de irmãos) revela que há muito exagero nessa definição.
V de Vingança, primeiro filme dos Wachowski - como produtores, pois a direção coube a
James McTeigue - após os três filmes da mencionada trilogia, confirma exatamente isso, e deixa claro que os cineastas podem até ter boas idéias, mas não sabem desenvolvê-las. Pior: em
V de Vingança, observa-se uma perigosíssima defesa do terrorismo, sugerido pelos roteiristas e pelo diretor como instrumento de libertação (!).
Há uma tentativa de criar uma ambientação rica para situar a narrativa, que parte de um plot não muito feliz: a Inglaterra de daqui a algumas décadas, em um futuro sinistro no qual a América teria sido destruída e tornado-se uma das nações mais pobres do mundo.Esse resumo já sugere um certo rancor e um desejo de maldade contra o povo americano e sua nação, o que, somado à defesa do terrorismo,

transforma
V de Vingança em um filme rancoroso.
A riqueza da ambientação, que explora bem os guetos, metrôs e subterrâneos de Londres, e a sofisticação luxuriosa da fotografia de
Adrian Biddle auxiliam a atenuar a sensação de perversidade que o filme transmite, o que acaba tornando a realização de McTeigue ainda mais perigosa do ponto de vista moral.
Mas não se pode negar que há acertos no filme, e um deles foi confiar o papel de V a
Hugo Weaving, que, mesmo com o rosto mascarado e o corpo inteiramente coberto em toda a metragem da realização, oferece ao público um desempenho convincente e aterrador. E há
Natalie Portman, cada vez mais linda, como a ambígua Evey.
Inspirado em uma
graphic novel de
Alan Moore (o mesmo do divertido
A liga extraordinária),
V de Vingança acerta na construção de sua sinistra beleza visual, mas erra seriamente por sua irresponsável apologia do terrorismo. Com isso, a realização dos Irmãos Wachowski acaba por se converter em algo extremamente vulnerável. E, apesar de toda a sua beleza e elegância estética, revela-se ser um filme absolutamente vazio.