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Ator de Crime delicado expõe em São Paulo
Por Carlos Dunham — Quinta, 23 de março de 2006
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O artista plástico mexicano Felipe Ehrenberg, adido cultural para a embaixada do México no Brasil, e que ganhou projeção nacional ao atuar no filme Crime delicado, de Beto Brant - onde interpretou nada menos que um pintor mexicano, José Campana, amante da protagonista vivida por Lilian Taublib - e que é também escritor e escultor, está realizando uma exposição de suas telas em São Paulo, mais especificamente na Galeria do Centro Cultural da Caixa, situada à Av. Paulista, 2.083, no Conjunto Nacional. Sonhos mexicanos é o título da exposição.
Radicado no Brasil desde 2001, Felipe Ehrenberg revela em sua obra uma forte inquietação com a tema do erotismo e da sexualidade, patente na maior parte de suas pinturas. O artista caracteriza-se também por empregar com muita intensidade as cores, empregando estas não apenas como um aspecto de embelezamento das telas, mas como ferramenta para transmitir mais informações ao público - em muitas de suas obras, a presença das cores sugere nitidamente uma transfiguração da imagem desenhada. Artista talentoso, Ehrenberg utiliza com precisão o jogo de cores, e também as formas e traços, para desenvolver a recorrente questão da sexualidade, que permeia sua obra.
O visitante atento logo reconhecerá, nas obras expostas, muitas telas vistas em Crime delicado, que, no filme, eram obras criadas exatamente pelo personagem de Ehrenberg; aliás, o cartaz do filme - que apresenta a imagem dos corpos entrelaçados de um homem e uma mulher cujos rostos não aparecem, embora seus corpos sejam flagrantemente revelados (numa sugestão de devassa da intimidade do casal) - é nitidamente inspirado nas obras do realizador, como se pode perceber presenciando a mostra.
Composta por 50 telas, Sonhos mexicanos é dividida em duas séries distintas entre si; em uma delas, Pas de deux, o pintor aborda exatamente a questão do nu e da sexualidade, conforme informado acima. Mas há também outra série, bem diferente desta e tão interessante quanto, O jogo dos bichos - epifania no coração da mazônia, composta não por oléos sobre tela, mas sim por realizações criadas com técnicas que vão do lápis de cor às colagens, sempre sobre amati - um papel cuja origem remete aos povos pré-colombianos.
Nessa outra série, Ehrenberg acaba por prestar uma bela homenagem à fauna brasileira, com telas (ou amatis) de animais como o tucano, a suçuarana, o tamanduá e vários outros. Permeando essa série, foi criado um painel composto por vários ditos populares sobre animais - como A cavalo dado, não se olham os dentes, Cada macaco no seu galho e Elefante não cabe em estante, por exemplo - estruturados em ordem alfabética ao lado das telas, e que culminam por se converter em uma bela poesia de fundo ecológico.
Merece aplausos, também, a opção dos responsáveis pela exposição em revestir a fachada externa da galeria (com janelas de vidro que dão para a Av. Paulista) com as telas dos animais, permitindo que as obras eróticas, com seu conteúdo extremamente peculiar, ficassem ausentes da vista de quem passa pela rua.
Sonhos mexicanos ficará até o próximo dia 23 de abril no Centro Cultural da Caixa, e o horário de visitação é de segunda a sábado, de 10h às 21h, e aos domingos, de 12h às 21h. A entrada é franca.
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