O homem lá dentro

São muitas as expectativas em torno de um filme de
Spike Lee que traz no elenco nomes de grande importância.
Plano Perfeito não consegue suprir todas essas expectativas, mas é um bom filme com um clima de suspense moldado num roteiro que quer ir além do que é capaz.
O roteirista,
Russell Gewirtz, é estreante e faz um bom trabalho, apesar de enredar-se em si mesmo. Tudo começa interessante: quatro pessoas vestidas de pintores, com suas inteligências superpoderosas, conseguem invadir um banco e fazer 50 pessoas de refém com grande facilidade.
Claro que devemos não notar que, mesmo sendo um grande banco, no centro de Nova Iorque, a única proteção que tem são dois seguranças gentis vestidos com ternos pretos. Esqueçamos isso. O cofre está barrotado de dólares, mas não é bem aquilo que eles procuram. Eles querem algo que parece ser mais valioso. O dono do banco sabe disso, e vai atrás de Madeleine White (
Jodie Foster), uma espécie de pau-para-toda-obra de ricos e poderosos, cheia de contatos importantes, capaz de interferir até no trabalho da polícia.
Tudo parece muito misterioso no início, mas logo já vai perdendo a graça.

As coisas vão se tornando óbvias, alguns clichês são usados (é claro que o policial e o bandido se admiram mutuamente pela inteligência, apesar de estarem em lados opostos), e o ritmo nunca consegue emplacar. O que acontece dentro do banco são as melhores partes (e o roteiro é bem resolvido nesse caso), mas o que acontece fora não é tão interessante, apesar de tomar a maior parte do filme.
O que faz de
Plano Perfeito algo bastante apreciável, é, realmente o elenco:
Denzel Washington e seu bigodinho cafajeste,
Clive Owen marcante mesmo com o rosto coberto,
Jodie Foster lindíssima, chamando toda a atenção para si quando aparece,
Christopher Plummer que, apesar de não ser muito criativo, faz o melhor milionário dos últimos tempos, e
Chiwetel Ejiofor, o coadjuvante perfeito para Denzel exercitar seu protagonismo. Já perdido num papel pouco expressivo está
Willem Dafoe, sem muito o que fazer por ali.
As coisas se tornam óbvias, sim, mas nem todas. Vale ficar atento às estratégias dos assaltantes, perguntando-se: como eles vão sair de lá? Pistas são dadas quando, entre as cenas, vemos depoimentos dos reféns já na polícia, após ser libertados. Isso aumenta a curiosidade, mesmo que quebre um pouco o clima.
A trilha sonora aparece muito grandiloqüente em alguns momentos e isso atrapalha bastante. Já a canção que abre e fecha a produção é muito diferente e inesperada.
Chaiyya chaiyya, cantada em hindu, já foi tema de filme indiano e dá vontade de sair do cinema dançando, caso tenha-se entendido completamente o final.