Filme aborda mal o próprio tema

Na onda (estereotipada e com um pé no preconceito) de filmes de terror que associam contatos espirituais a motivo para medo, horror e fatores negativos, surge mais uma produção asiática, o tailandês
Espíritos - a morte está ao seu lado. Não deixa de ser curioso (e um pouco triste) observar como a maioria das produções com o perfil acima mencionado é originária da Ásia, continente onde a maioria, se não a totalidade das religiões, vê a presença de amigos espirituais não como motivo de horror, mas de aprendizado e serenidade.
No filme, um jovem fotógrafo descobre, ao fotografar uma turma de alunos e a fachada de uma escola, a presença de um espírito entre os demais estudantes. Com o auxílio da namorada, ele tenta decifrar o mistério daquela aparição.
A premissa de
Espíritos - a morte está ao seu lado é tão batida que sua
tag line poderia ser aplicada a diversos outros filmes. Além de óbvio, o filme oferece um desenvolvimento que simplesmente não funciona, não apenas porque incorre em diversas situações já vistas em produtos similares como, principalmente, porque revela um total desconhecimento dos três roteiristas do filme (dois deles o dirigiram) a respeito do tema abordado.

Há um momento em particular no qual o filme faz uma acusação grave - quando os personagens vão a uma firma picareta que frauda fotografias, inserindo artificialmente imagens que podem vir a ser tomadas como aparições de espíritos (imagens essas que, inclusive, compõem o cartaz de divulgação do filme). Se firmas assim existem, e não é difícil acreditar que sim, o filme deveria ao menos ser mais veemente em sua denúncia e não apresentar tal lojinha como um mero ingrediente para sua tentativa de entreter o público; se não existem,
Espíritos deixa de ser um filme apenas equivocado para se tornar até mesmo leviano.
É claro que o fato de o filme ser equivocado do ponto de vista filosófico não o impediria, a princípio, de funcionar como entretenimento. Mas, infelizmente, nem isso acaba acontecendo:
Espíritos - a morte está ao seu lado tem um ritmo arrastado, e, como se não bastasse, seu roteiro (que já não era bom) se perde completamente no terço final, incursionando sem motivos pelo estilo
sangue e tripas e tornando-se desnecessariamente pesado.
Além disso, seu desfecho revela tamanha falta de conhecimento a respeito do tema que aborda que, ironicamente, parece em sua condição de
conclusão, que os roteiristas realmente não sabiam nada sobre o tema que falavam. E, sem saber do que se está falando, fica muito, mas muito difícil mesmo, fazer qualquer coisa - principalmente um bom filme.