Great news, em primeiríssima mão!
Os bacanas do Little Man Tate acabaram de assinar com a V2, gravadora responsável por pepitas como The Rakes, White Stripes, Stereophonics...
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Coluna em capítulos nesta semana, começando pelo show em Buenos Aires, óbvio. Ainda nem cheguei direito, mas amanhã vou dar um pulinho ali no show do Santana. (Ver o homem que não deixou o Oasis tocar em Porto Alegre?).
Claro que milagres acontecem, entao, se alguém tiver um ingressinho bonito pra mim, vou pra Sampa. Ninguém? Imaginei.
Parte I – A coletiva

Tecnicamente, esta deveria ser uma resenha do tipo
jornalista-vai-em-show-à-trabalho, mas desculpe, não posso me conter. Este texto não é nada imparcial, afinal foi o show da vida de
45.000 pessoas, entre elas esta colunista que escreve.
Buenos Aires, sexta-feira, 10 de março. Às 15 horas, a imprensa argentina, além de 20 fãs selecionados em um concurso, esperavam ansiosamente pelos ingleses em uma das muitas lojas da megastore
Musimundo, no centro da cidade. 4 mil pessoas estavam do lado de fora provocando um caos ainda maior no trânsito psicótico da cidade. Em quarenta minutos as perguntas feitas receberam respostas curtas, próprias da banda.
“Existe algo que realmente te deixe alegre e te aproxime do publico?”
Noel: “Realmente não.”
“Porque os jovens argentinos devem gastar seu dinheiro no show do Oasis e não nos shows de Stones ou U2?
Noel: “Porque são jovens.”
Zak Starkey, que deveria receber muitas perguntas - afinal consegue ser filho de
Ringo Star, tocar bateria no
The Who e ainda sair em turnês com o Oasis – não esteve presente na coletiva. Onde ele deveria estar?
“Não sei. Provavelmente dormindo em um hotel, ou recebendo uma massagem, ou ainda provando uma jaqueta de couro” diz
Liam.
Sobre esportes e afins, Liam não acredita na Inglaterra na copa de 2006 e diz
“Conhecemos a Argentina através do futebol”.
(Antes das 16 horas o Oasis se despedia dos jornalistas, dos 20 fãs sorteados e dos 4 mil fãs que estavam do lado de fora. Quase na mesma hora um ônibus com mais de 50 brasileiros fanáticos pela banda desembarcava na rua transversal à megastore, sem saber que seus ídolos estavam ali. Coitados.)
Parte II – O show
Restava ir até o
Campo Argentino de Pólo, em Palermo, onde às 21 horas o show deveria iniciar. A fila interminável em volta de um centro islâmico gigante era o prenúncio de uma grande noite. Será que as voltas em torno do templo sugeriam que ali estava a Meca do rock n'roll? Será que vou ser levada à fogueira por ter escrito isso?
Eles estiveram na Argentina em 1998, no Luna Park tocando para 6.000 pessoas e depois, em 2001, fizeram um show com
Neil Young para 20.000 pessoas. Agora seriam 45.000.

Depois de observar algo em torno de 30.000 pessoas, descubro que os fãs adolescentes são praticamente gêmeos idênticos. Garotos e garotas iguais tanto na forma de se vestir (Adidas nos pés e nas jaquetinhas) quanto nos cortes de cabelo (navalha em ambos) e na altura (a maioria fica entre 1,70 e 1,72).
17 horas, o sol queimando, os portões abertos, era hora de correr para a grade. O que pareceu uma ótima idéia logo se tornou uma luta pela sobrevivência: amontoados uns sobre os outros, os argentinos cantavam cada canção – totalmente desconhecidas para nós – das bizarrísimas bandas: Super Ratones, Volador G, Estelares, Turf e
Juana La Loca (misture
Death Cab, Postal Service, Kiss e uma novela mexicana no liquidificador. Sirva em uma taça e não esqueça o antiácido.)
A grande maioria das garotas que ficou na grade ou perto dela era esmagada pela multidão
hooligan, e logo eram resgatadas pelos seguranças. Saindo dali, muitas vezes desmaiadas, era hora de se recompor e tentar voltar para algo mais próximo do palco, porém meno perigoso.

Às 21:00 a tensão já atingira o nível máximo, todos estavam ali pelo Oasis (ou “oássis” como gritavam os hermanos) mas eis que surge um gordinho dizendo que, devido à agitação do público e alguns problemas técnicos, o show começaria às 21:45.
Fucking in The Bushes tomou o ambiente às exatas
21 horas e 47 minutos levando a multidão ao delírio.
Noel, Liam, Andy, Gem e
Zak chegaram à um palco simples, feito de algumas luzes e uma bela cortina de fundo, e iniciaram o espetáculo com
Turn Up The Sun seguida por Lyla, que foi interrompida pelo aviso:
“A banda vai continuar tocando, mas pedem que se acalmem um pouco. A idéia é divertir-nos sem que nada de errado aconteça.” O estranho é que neste tempo algum engraçadinho atira um tênis no palco - não me pergunte o porquê –
Noel pega o calçado com desprezo e diz
“Nike? Isto é um lixo, cara.”

Foram mais alguns bons minutos de espera que foi compensada com a bateria cheia de presença de Starkey em
Bring It on Down seguida dos não menos clássicos
Morning Glory e
Cigarretes & Alcohol, esta última dedicada à
Maradona, por Liam.
Responsável por dois dos momentos mais emocionantes, Noel Gallagher deixou muita gente com lágrimas nos olhos quando cantou
The Importance of Being Idle e
The Masterplan com voz impecável e postura retraída.
De terno branco, óculos escuros e a inseparável meia-lua, Liam mostrou o quanto tem mudado em todos estes anos.
Songbird demonstrou a total sintonia entre banda e platéia. A canção, desde sempre, desprezada por muitos “fãs”, foi executada e acompanhada com maestria por palmas e luzes acesas.
A Bell Will Ring foi apresentada com perfeição e em seguida hinos como
Acquiesce e
Live Forever tiveram um belo coro de mais de quarenta mil vozes.
Mucky Fingers, belíssima e incompreendida até mesmo por alguns fãs, não poderia faltar de forma nenhuma. A gaita de boca de
Gem Archer não funcionou muito bem, desafinou um pouco, mas não comprometeu em nada.
Wonderwall e
Champagne Supernova coroavam a noite enquanto Liam oferecia a canção para quem asssitia o show na segurança de seus flats. E não eram poucos.
Rock’n Roll Star uniu palco e platéia mais uma vez. Os que antes conversavam durante Mucky Fingers agora gritavam que eram estrelas do rock’n roll.
Todos deixam o palco, menos
Andy Bell e sua camiseta amarela, fácil de reconhecer a qualquer distância. Ele está lá, aplaudindo o público e o público está lá, aplaudindo o mestre. (Mestre, em primeiro lugar, por ter feito parte do
Ride, depois do
Hurricane #1 e por último e não menos importante, Oasis.
M-e-s-t-r-e)

O bis veio com
Guess God Thinks I’m Abel e
Meaning Of Soul, ambas compostas por Liam e, claro,
Don’t Look Back in Anger, que nos transportou direto para 21 de julho de 2000, em Wembley.
Para quebrar tudo a cover
My Generation, veio como prova do poder real de Zak Starkey. O filho do homem merece estar ali.
Com um set list deste calibre foram poucos os que reclamaram a falta de
Supersonic.
Claro que nem tudo é perfeito, a grande maioria que esteve no evento apenas ouviu o show, ou o acompanhou por telões. O palco baixo, e as arquibancadas à 100 metros de distância atrapalharam e muito, mas nada comparado ao erro de largar a área VIP no meio do campo, obstruindo a visão de grande parte da platéia. Para compensar o problema um telão foi posto ali. Maior cara de pau.
Parte III - O Hotel
Sheraton, e outras coisas.
Já já.
Antes, um pedaço do que foi o show, clicando
aqui. (Vídeo exclusivo de Cigarretes & Alcohol, gravado no palco)
A turnê de promoção do disco
Don’t Believe The Truth está se encerrando, mais alguns shows no Brasil e
pt saudações...
É um show que grita na sua cara para que não acredite na verdade, nem nos aparatos tecnológicos e na parafernália instrumental. O que importa é acreditar na música. E nisto os fãs de Oasis acreditam como ninguém.
Ainda nesta semana: podcast, as pepitas argentinas, o show do Melotron em Buenos Aires, os Beatles argentinos e o Cavern Club, e outras coisas que descobri lá na terra dos hermanos azuis.
Então, vai no show do Oasis e depois, quando voltar para o mundo normal, dá um pulinho aqui, ok?