|
As baterias estão (muito) vivas
Por Márcia Lima — Quinta, 9 de março de 2006
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Oi oi
Começo pedindo desculpas pela coluna curtíssima, mas tenho um álibi: em algumas horas embarco em minha magical mistery tour para encontrar os irmãozinhos mais arrogantes da galáxia em Buenos Aires. Sim, esta colunista não acreditou que eles viriam para o Brasil e comprou os ingressos para terras hermanas. Mas, como vou falar exaustivamente disto na semana que vem, para qualquer pessoa que chegar perto de mim, poupo os leitores mudando completamente de assunto. Estamos em março, hein? Um sem número de lançamentos bons e alguns que já se configuram como os prováveis melhores do ano.
Ouvi alguma coisa nova nesta semana. Nada de impressionante, mas algo assustador. Confere aí duas boas dicas.
LIARS
DRUMS NOT DEAD
Medo.
Você conhece alguém que pague para ter sustos? Claro que sim. O Exorcista, O Exorcismo de Emily Rose, A Bruxa de Blair... quantos filmes de terror você já assitiu só pelo prazer de sair do cinema assustadíssimo, sem conseguir dormir, pensando qua aquilo ali na janela é tudo menos o vento? Pois é, com Liars é parecido, se você já ouviu os discos anteriores sabe que é uma experiência religiosa, para dizer o mínimo.
Resolvi escutar o disco de manhã, na ida para o trabalho, e pirei. Imagine um ônibus, todas aquelas pessoas sem rosto, todo o barulho da cidade acordando, trabalhos apressados disputando lugares com estudantes sonolentos... e Liars como trilha. Se você nunca ouviu nada da banda saiba que apertar o play pode ter graves consequências:
-O disco deve ser ouvido em um volume entre alto e muito alto e se você mora com outras pessoas as chances de que alguém entre no seu quarto estarrecido perguntando “que diabos é isto”? é de 100 por cento.
-Se você é claustrofóbico é melhor ouvir em um local aberto, cercado de muito verde. Pesquisadores acreditam que fãs da banda podem entrar em um transe do qual nunca mais querem sair.
Drums Not Dead, terceiro disco dos nova-iorquinos, é conceitual e aborda a luta universal entre a confiança e a covardia, representada por dois personagens que percorrem as 11 faixas: o instintivo e assertivo Drum e o pessimista e apreensivo Mt Heart Attack.
"Be Quiet Mt. Heart Attack!" é o faixa de abertura mais apavorante de 2006 com guitarras e vocais hipnóticos, e bateria marcial. Quando você pensa em parar pra pensar em alguma coisa "Let's Not Wrestle Mt. Heart Attack" chega linear e intensa. As duas faixas foram gravadas sem interrupção, o que aumenta o impacto.
“A visit for Drum” começa com um tique taque meio bomba-relógio e toques sombrios de um sino de igreja.
Depois da catarse as músicas se alternam. “Drum Gets A Glimpse” traz a voz de Angus Andrew totalmente perdida em meio a calmaria.
“If I Fit When Was I Kid” e “The Wrong Coat For You Mt. Heart Attack” brincam com sons paranóicos e a bateria não é tão evidente.
“Hold You, Drum” lembra rituais xamânicos, e a partir daí a tensão vai diminuindo, diminuindo, até não haver mais nenhuma música.
REPOMEN
DIETRICH EP
Dica dos guris da Little Man Tate, The Repomen é um pedaço dos bons tempos. Pra quem curte indie old school, este single vai cair como uma luva. A primeira faixa, ‘Dietrich’, fica bem numa pista de danças (desculpe, trocadilho infâme).
O resto do EP é um verdadeiro “quem é quem” no mundo indie. ‘A Different Situation’, lembra Wedding Present.
‘Sixteen’ é pequena, menos de um minuto, e soa como Magnetic Fields.
‘Oxygen’ é uma balada eficiente, tem piano delicado e guitarra acustica, balada.
Sem falar na capa do EP, com a foto lindona de Marlene Dietrich.
Nada de podcast nesta semana. Vou ficar devendo. Mas aguardem muitas bandas novas na semana que vem. (Muitas mesmo!)
|