Rápido, leve e bastante divertido

Depois de ficar cerca de uma década (e durante quatro filmes) como o agente secreto James Bond, o irlandês
Pierce Brosnan decidiu dar uma boa guinada em sua carreira, e, neste
O matador, incursionou pela comédia, interpretando um personagem que é a própria antítese de seu trabalho mais famoso: o matador de aluguel Julian Noble que, apesar da profissão - e graças ao bom timing cômico que o diretor
Richard Shepard inseriu no filme - não é um vilão, nem mesmo um homem mau. É apenas alguém que vê o ato de matar como uma profissão que lhe caiu nas mãos (?!).
Bem coadjuvado pelo excelente
Greg Kinnear e pela maravilhosa
Hope Davis, Pierce Brosnan encontra no filme terreno seguro para brincar com seu personagem, fazendo do assassino internacional que interpreta uma figura que vê o mundo como um grande parque de diversões, talvez um imenso videogame daqueles em que marca mais pontos quem matar mais personagens. Kinnear e Davis, por sinal, intepretam os Wright, um casal a quem Julian conhece e por quem se afeiçoa, embora a profissão do novo amigo cause embaraços à solitária dupla.
O diretor Shepard acertou em cheio ao perceber que a proposta cômica de
O matador é um prato cheio para um ator de talento brincar, e permite que seu filme repouse no excepcional trabalho interpretativo de Brosnan, de quem a película quase pode ser definida como um filme solo.

Para ilustrar o trabalho de seu protagonista, Shepard inseriu uma fotografia animada, colorida, a cargo de
David Tattersall, e musicou a realização com divertidíssimos ritmos mexicanos compostos e/ou selecionados por
Rolfe Kent.
Como resultado, fez de seu filme um momento absolutamente descontraído da comédia de erros, e permitiu que Pierce Brosnan fosse, pela primeira vez, indicado a um prêmio importante: o Globo de Ouro de melhor ator (comédia ou musical) de 2005. Considerando-se a importância de Brosnan no resultado final, é praticamente uma indicação para melhor filme do ano.