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22º Prêmio Angelo Agostini
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 1 de março de 2006
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22º Prêmio Angelo Agostini – o Dia do Quadrinho Nacional
Sem medo de ser piegas, minha coluna desta vez é um depoimento: sábado, dia 18, foi realizada a entrega dos troféus do Prêmio Angelo Agostini no Senac – Lapa, em São Paulo. Assim como em outras oportunidades eu estive presente, mas desta vez, num momento muito diferente de minha vida. Lembro-me da primeira vez que vim de Londrina para São Paulo especialmente para acompanhar a entrega dos Prêmios e, em 1997, quando recebi o Angelo Agostini pela Metal Pesado – a revista recebeu o prêmio de melhor lançamento e a editora, o Jayme Cortez, pela valorização do quadrinho nacional –, mas, desta vez, a emoção foi muito diferente.
Nesta edição o Bigorna ganhou o Troféu Jayme Cortez. Recebi o troféu das mãos de Alexandre Nagado, que mencionou a primeira vez que comentei com ele que estava trabalhando no desenvolvimento do Bigorna e Sonia Luyten, que recebeu o troféu como Mestra do Quadrinho Nacional, emocionou-se com meu discurso (trôpego, incompleto e injusto) e fez questão de frisar em alto e bom tom que o troféu marcava um novo começo para mim. O adjetivo “batalhador” foi o que mais foi usado para me definir. Nem sei se mereço, acho que apenas faço a minha parte, combalidamente. E, como sempre, digo o trabalho de um quadrinhista neste país é mesmo o de um “batalhador”, um entrincheirado, mas eu não esperava ser visto desta forma.
Em 2004 uma fratura complicada na perna esquerda me deixou de cama por pouco mais de quatro meses (o acidente ocorreu em maio e só fui andar com duas muletas em novembro e ainda hoje estou em recuperação...) e como não conseguia parar de produzir, minha esposa colocou um computador ao lado da cama para eu (tentar) trabalhar. Teimoso, escrevia algo durante meia hora e parava por causa do incômodo e da dor. Dormia, acordava, trabalhava mais um pouco... Dormia, acordava, trabalhava mais um pouco... Troquei a noite pelo dia e até hoje isso me atrapalha.
Foi nessa fase difícil que o Bigorna surgiu. Primeiro havia pensado no projeto como uma revista, mas devido ao pouco capital, o transformei em site. Não só pelo valor a ser investido, mas também pela abrangência que poderia vir a ter. Aprendi a lidar com um “programinha” para montar uma boneca virtual do que eu queria e fui montando as páginas enquanto o Humberto (Yashima) se encarregava de produzir matérias, artigos e pesquisar biografias. Depois de muito tempo, quando já retornara a andar com muleta, encontrei o Marcelo Baptista que se ofereceu para pôr o Bigorna no ar. E pôs.
Em 2005 o estúdio da Brainstore foi roubado e, por ter gasto as reservas que tinha em 2004, as coisas se complicaram ainda mais. Eu tinha acabado de voltar da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro e de lançar a Replicante #2 com o pouco de capital que ainda restava e graças a uma parceria (que não viria a se realizar justamente pelo roubo da estrutura de estúdio).
O maior problema foi o conteúdo perdido, não só de revistas, mas do site que estávamos montando. O Bigorna foi ao ar em 31 de maio de 2005, mas passamos todo o mês de junho gerando conteúdo e pondo no ar sem divulgação e em julho fizemos a primeira divulgação.
Quando o Bigorna foi ao ar, a aceitação por parte dos profissionais do meio foi imediata. O perfil do nosso público é formado por jornalistas, editores, desenhistas, cartunistas, gente do meio que quer saber sobre o que está acontecendo e o Bigorna cumpre esse papel. Outro fator importante foi ter realizado três edições da Feira do Quadrinho Nacional no Avalon, no 2º Festival de Artes e Quadrinhos e na Jedicon, isso também mexeu com o mercado nacional de quadrinhos no ano de 2005.
No discurso não foi possível falar quase nada disso, primeiro porque o tempo que eu tomei foi longo demais, pois fiz questão de mencionar todos os que colaboraram com o Bigorna no decorrer deste período e, segundo, porque vi a Sonia Luyten emocionada e preferi encerrar.
Comemorando o recebimento do Troféu Jayme Cortez com mais trabalho lançamos o Bigorna Quadrinhos #0, uma edição experimental produzida pelo Sindycate Ink, estúdio composto por mim, pelo Leonardo Pascoal e pelo Will. O Marcelo (Baptista) colocou no ar um novo visual do Bigorna e o Humberto criou uma comunidade no Orkut, que pretendemos usar como fórum e espaço para debates sobre quadrinhos.
Fui cumprimentado por profissionais como Franco de Rosa, Gazy Andraus, Edgar Franco, Carlos Brandino, Alexandre Damas, Sam Hart, Rodrigo Reis, Moacir Torres, José Carlos Chicuta, Edgar Guimarães, Cagnin, Waldomiro Vergueiro e Silvio Alexandre. Os que falaram comigo são amigos verdadeiros. Sem esquecer o Humberto Yashima, o Wilson André Filho e o Marcelo Baptista, que sempre estão comigo.
Cometi a grande injustiça de não dedicar o Troféu Jayme Cortez para a minha esposa que sempre me apóia e está do meu lado, o que agora faço aqui: o troféu é seu, Yara!
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