A morte das gravadoras (3ª parte)

Por Marcos Vasconcelos — Quarta, 15 de fevereiro de 2006

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!

A última – mas não menos importante - fase do trabalho das gravadoras junto ao artista é a divulgação, o marketing. Na guerra, aqui é o ponto fraco da internet. As fases anteriores da indústria musical já têm condição de serem substituídas por estruturas menores e menos engessantes. O marketing, contudo, é mais complexo. É nessa hora que a gravadora acena com suas benesses ao artista, principalmente os mais novos.

A gravadora abre as portas, fecha grandes contratos, leva o artista aos meios mais populares de comunicação – afinal, ainda é infantilidade acreditar que a internet já pode fazer frente ao rádio, televisão e mídias impressas no trabalho de atingir as grandes massas. Não pode.

A água da onda, todavia, acaba achando seu caminho. Grandes artistas pelo mundo já começam a verificar ser possível escapar das correntes das grandes corporações. A criação de modos próprios – e alternativos - de produção e distribuição é um fenômeno que aos poucos ganha forma, principalmente em mercados menos ricos, como o Brasil. A proliferação de selos independentes e cooperativas é um exemplo. A fuga de certos artistas das grandes cadeias de distribuição para locais alternativos como bancas de jornal e a própria internet, já é outra experiência que vem sendo tentada.

O nome do artista consagrado acaba por fazer o trabalho de abrir as portas. Já em relação aos artistas novos, uma tendência a ser explorada são as pequenas agências de marketing. Ano passado, uma delas, a carioca Audiosfera, lançou com extremo sucesso a cantora Marjorie Estiano, que gravou seu primeiro CD pela gravadora Universal.

As gravadoras, lutando para não se esfacelarem, também investem em atividades paralelas à simples produção de CDs. Uma dessas atividades é a – cada vez mais freqüente – produção de DVDs atrelados aos álbuns lançados. O mercado está aumentando, é certo, mas a atividade não consegue, por si só, segurar os prejuízos da queda nas vendas de discos. Além disso, o DVD é mídia tão copiável quando a música. Comparativamente, ainda é pouca a distribuição de vídeo na rede. Mas ela vem aumentando aos poucos.

Por fim, o que restará desse outrora farto e generoso mercado? Fazendo um pequeno - e arriscado - exercício de futurologia, podemos imaginar algumas coisas. Uma delas é a diminuição real do tamanho das majors, não antes de tentativas de fusão, como já vem acontecendo, no intuito de ganhar pela força bruta. O aumento na segmentação dos ouvintes, os quais terão acesso irrestrito a uma gama de artistas e composições jamais imaginada, tanto do passado quanto do futuro, acabará por inviabilizar grandes investimentos em mass media.

Como eu já havia dito, a grande massa acabará sendo atendida pela pirataria. Com as lojas de CDs reduzidas a quiosques, os CDs em si, ou qualquer outra mídia que venha a substituí-lo, como o blu-ray, por exemplo, acabarão por se tornar artigos de colecionador, jóias para românticos. Ou simplesmente extinguir-se-ão. Os lançamentos de novos álbuns serão feitos diretamente da internet. Duas possibilidades podem ocorrer: as produtoras e gravadoras poderão gastar milhões e milhões tentando criar sistemas de proteção às cópias. Ou por fim, amargamente derrotadas pela criatividade dos distribuidores do acervo global, investir esse dinheiro simplesmente na produção do artista e nos espetáculos ao vivo.

Seria o fim do mercado fonográfico como o conhecemos. O comércio seria realizado em níveis muito menores de receita, atendendo apenas aos que desejarem uma qualidade quase infimamente melhor, ou uma certificação de originalidade de obra, valores que, aos poucos, acabarão por sucumbir sob uma das poucas leis realmente sérias da internet, uma lei que, desde que eu comecei, há dez anos, a trabalhar na rede, eu ainda não vi ser quebrada.

A lei é: ninguém paga por uma coisa que pode ser obtida de graça. Com efeito, isso acontecerá com a música no planeta, mais cedo ou mais tarde.




COMPRAS
Livro > Bem-Vindo à Bolsa de Valores (Marcelo C. Piazza)
Livro > Bem-Vindo à Bolsa de Valores (Marcelo C. Piazza)
Livro > Música, Ídolos e Poder: do Vinil ao Download (André Midani)
Informática > Iskin p/ Notebook - 15 - Jonato - Cavalo Invisível - Iskin (Iskin)
Informática > Iskin p/ Notebook - 13 - Tikka - Doce Floresta - Iskin (Iskin)
Informática > Iskin p/ Notebook - 15 - André Filur - Gueixa - Iskin (Iskin)
Informática > Iskin p/ Notebook - 15 - Jaca - Olho Gordo - Iskin (Iskin)
Informática > Iskin p/ Notebook - 15 - Ajustável - Zeila - Arte Rupestre - Iskin (Iskin)

 

VEJA TAMBÉM...
07/02 > A morte das gravadoras (2ª parte)
31/01 > A morte das gravadoras (1ª parte)
25/10 > Marjorie Estiano sofre acidente de carro
06/10 > Presentes pops
04/08 > MP3 - A Polêmica
27/02 > A morte do CD
12/01 > Saco cheio...

 

 

XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. doismidela subretuza. Tecnologia