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“- Eu sou o Surfista Prateado!”
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 10 de dezembro de 2003
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“- Eu sou o Surfista Prateado!”, grita Richard Gere, encarnando Jesse Lujack, que também é fã de Jerry Lee Lewis. Nos primeiros minutos de A Força do Amor (Breathless, EUA, 1983) – uma refilmagem de Acossado (À Bout de Souffle, França, 1960), famoso filme do diretor francês Jean-Luc Godard – o diretor americano Jim McBride faz uma bela homenagem aos quadrinhos. Embora para os mais ortodoxos seja apenas mais um exemplo de que só marginais (e rebeldes, e vagabundos, etc) lêem HQ e ouvem rock’n’roll, para mim é uma bela homenagem, e pronto!
Enquanto nos EUA se inicia a empreitada para se levar adiante uma nova série do Surfista Prateado, dessa vez com artistas pouco conhecidos (Dan Chariton e Stacy Weiss, nos roteiros, e MILX, na arte), na semana passada eu recebi um exemplar da caprichada versão nacional de Surfista Prateado – Edição Histórica, da Mythos Editora. É claro que como fã incondicional de Norrin Radd, do planeta Zenn-La, eu já tenho em minha coleção o Essential Silver Surfer, publicado pela Marvel Comics em 1998, com todas as dezoito edições da primeira série. Mas nada como a alegria de ver um resgate desse nível sendo feito no Brasil.
Nos primeiros números da Heróis da TV, da editora Abril, o Surfista aparecia numa edição ou outra, e fora da ordem original de publicação. Na Edição Histórica, estão sendo publicadas as seis primeiras histórias do Surfista Prateado, escritas por Stan Lee e desenhadas magistralmente por John Buscema (1927-2002). Essas aventuras foram vistas pela última vez, na ordem, em Heróis da TV #4 (outubro de 1979), HTV #10 (abril de 1980), HTV #14 (agosto de 1980), HTV #7 (janeiro de 1980), HTV #24 (junho de 1981) e HTV #29 (novembro de 1981).
O Surfista Prateado foi criado por Jack “O Rei” Kirby. Isso ficou claro no texto de introdução extraído de Son of Origins, traduzido pelo editor Fernando Bertacchini. Quando Kirby apresentou as páginas para Stan da história do Quarteto Fantástico onde surgiria Galactus, nelas também aparecia pela primeira vez o imponente Surfista Prateado. Stan Lee foi quem deu personalidade ao personagem, mas Norrin Radd saiu primeiro da cabeça de Kirby, que entendeu que um ser tão poderoso quanto Galactus necessitaria de um batedor, um arauto.
O Surfista Prateado era um ser amargurado, pois tendo condições de viajar pela imensidão do espaço sideral ficou prisioneiro no pequeno planeta Terra. A cada viagem que fazia pelos confins do nosso mundo, decepcionava-se cada vez mais com os seres humanos, sempre mesquinhos, orgulhosos e violentos. As histórias do Surfista desse período ocorrem em plena Guerra do Vietnã, fato que marcou sobremaneira a cultura americana, e certamente Stan Lee estava suscetível a esse acontecimento ao escrever os roteiros.
O Surfista Prateado era um símbolo de liberdade. O que mais um artista pode querer passar quando usa a imagem de um surfista que pode viajar pelo espaço?
Tchau! Até a próxima quarta-feira!
PS - Eu gostaria de ter assistido novamente ao filme A Força do Amor antes de escrever esta CMYK, mas, infelizmente, não foi possível. Estou ouvindo pela enésima vez o CD Surfing With the Alien, de Joe Satriani. Pelo que sei, essa foi a única vez que a Marvel autorizou uma capa de CD com um de seus personagens.
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