|
CABUM: O Orgasmo
Por Tiago Cordeiro — Sexta, 10 de fevereiro de 2006
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Em qualquer nível de ação ou experiência é fato que todo indivíduo busca o orgasmo pleno. Se para uns esse prazer é comer, para outros é estudar. Fulano curte nadar como se fosse trepar, cicrano gosta de ler mais do que sexo e Beltrano... Nem queira saber!
A grande tentativa de Munique, dirigido por Steven Spielberg, não é retratar o orgamos que cada um de seus protagonistas sentem. Suas percepções se encontram tão próximo quanto linhas paralelas: andam lado a lado, mas sem se tocarem.
Lá atrás, durante a grande ejaculação (precoce?) tecnologicamente auto-destrutiva chamada Hiroshima (e Nagazáki) a humanidade não teve um orgasmo. Em 1932, um certo Albert Einstein ciente de suas limitações intelectuais solicitou a ajuda a um certo Sigmund Freud para entender a iminente guerra. Mal saberia o criador da Teoria da Relatividade que esta vocação se multiplicaria. Quantos jatos atômicos o mundo pode gerar em uma concepção do próprio apocalipse? Entre seus dois instintos, o erótico (preservar e unir) e o agressivo (matar e destruir), o pai da psicanálise percebia como, a despeito de quaisquer valores éticos ou morais, esses instintos eram igualmente fundamentais para nossa existência. Naquela época profetizou: "de nada vale tentar eliminar as inclinações agressivas do homem". F#%$m-se planos de paz...
Quando vemos em dois momentos Avner, personagem de Eric Bana, fazendo amor com sua mulher, vemos o terrorista humanizado de Spielberg em busca do seu orgasmo pleno. Na busca pela terra prometida, deposição de regimes, punição a hereges ou simplesmente vingança (retribuição a quem nos impede de ter nosso gozo), os terroristas não buscam o orgasmo de uma vitória esportiva, enaltecimento intelectual ou o abraço de uma bela mulher. Seu gozo vem do crescentemente viciante antiorgasmo gerado da morte de seus inimigos. O gemido de prazer transforma-se no arfar da batalha e os órgãos sexuais se tornam bombas e balas.
"No início é difícil, mas depois torna-se fácil. Um dia matarei um homem, irei dormir e não sentirei nada", afirma Avner. Seu ato carnal precisa de doses cada vez maiores para o mesmo prazer, mas sua semente é sempre regular: "os homens que matamos foram substituídos por piores". E, afinal de contas, orgasmos explosivos também levam a filhos.
É nessa jornada de morte que todos os terroristas, independente de suas causas, caminham. A religião é feita para propagar a fé e o amor. O orgasmo, como conhecemos, vem do amor, mesmo que depois surja independente deste sentimento (à carne, ao esporte, ao estudo e etc). Renato Russo cantou: "tem gente que não sabe amar". Em Munique o terror vem de amigos, pais de família e trabalhadores, não é vocação, mas decisão de livre arbítrio. Crianças, peguem suas granada e subam do play. Parem o mundo, pois todos queremos descer.
|