Kaiser Chiefs, The Bravery, Bloc Party, Louis XIV, Dead 60s, The Secret Machines 2005 assistiu a mais uma enxurrada de novas bandas sendo lançadas no mercado, sustentadas por singles empolgantes divulgados aos quatro cantos do planeta via mp3 e sendo executados nas rádios alternativas e discotecas rock... mas, qual a profundidade de cada uma dessas bandas? Será que metade delas se sustentarão até a próxima temporada..?
Desde o início do novo século que esse fenômeno vem se repetindo: com as novas formas de difusão musical via internet – graças ao inventor dos arquivos MPEG Layer 3 de áudio, o popular mp3 – as gravadoras vêm investindo no potencial de bandas obscuras de todos os cantos do planeta. Claro que a hegemonia ainda é de britânicos e norte-americanos, mas nos últimos anos pudemos ter acesso aos petardos do rock sueco com
The Hives, o novo pseudo-grunge australiano com
The Vines, os escoceses do
Franz Ferdinand... mas o mesmo fenômeno que une todas essas bandas parece ser também sua sina: a de não sobreviver no hype por mais de algum par de anos. Afinal, hype é hype, e o que conta é estar antenado nas novidades, e descobrir a nova sensação e salvação do rock.

O maior exemplo de 2004/2005 foi a banda
The Killers. Seu disco,
Hot Fuss, atingiu o máximo que uma banda dita alternativa pode atingir: participações na trilha sonora do seriado
The O.C. e o hit
Somebody Told Me tocando ecleticamente pelas discotecas do nosso país, desde as mais ortodoxas casas noturnas de rock até as mais convencionais discotecas de mauricinhos e patricinhas. A banda não deu as caras aqui no Brasil até o momento... e será que vai sobreviver a um segundo álbum? Seu álbum de estréia não parece se sustentar além do terceiro ou segundo single, ficando mesmo na promessa.
Do outro lado, temo o exemplo da banda canadense
Arcade Fire. O disco
Funeral, de 2004, se disseminou pela internet com tal velocidade que, o que era uma das muitas bandas de Montreal, em apenas um ano se viu em turnê mundial, com direito a um show emocionante no TIM Festival. O début dos canadenses (muitos no palco, diga-se de passagem), puxado pelo carro-chefe
Rebellion (Lies) vai muito além do single, e traz canções belas, consistentes, de uma sonoridade inusitada.

Sou cabeça aberta e procuro novidades sempre, mas os piores exemplos de 2005 que posso citar são mesmo
The Bravery e
Kaiser Chiefs. Ambas as bandas trazem hits promissores, os primeiros com
Honest Mistake e os segundos com
I Predict a Riot e
Everyday I Love You Less and Less, mas a impressão que fica de se ouvir os álbuns de estréia é mesmo a decepção: álbuns insossos e com a profundidade de um pires.
Parece ser a nova estratégia das grandes gravadoras: dissemine os hits pela internet e lance centenas de bandas no mercado; ao invés de um grande sucesso, junte dez pequenos lucros e no final das contas dá na mesma. Se eu tivesse comprado os cds, teria me sentido lesado.

Algumas bandas dessa nova enxurrada do novo rock vêm atingindo sua estabilidade; o
Franz Ferdinand já vai para seu segundo álbum, o
Interpol foi uma grata surpresa que ainda promete e o “fenômeno-máximo-hype”
The Strokes já emplaca seu terceiro lançamento, com sonoridade e visual renovados.
Mas fica aqui a questão: o que aconteceu com o rock? Será que esse processo terá retorno, ou seremos escravos das novidades de última hora, para que, pelo menos, saibamos o que está tocando na pista de dança? Ou será que eu estou ficando velho..?