“I believe I can fly...”

Estréia amanhã a comédia que não dará uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para
Jim Carrey, mas fará você rir muito.
Ok, ok, não é exatamente um bom modo de começar um texto sobre
As Loucuras de Dick e Jane, o mais novo longa estrelado pelo careteiro Carrey, mas vamos combinar: as últimas produções humorísticas do ator também não foram exatamente “agradáveis”, tanto que o baixo teor de suas comédias nos últimos dez anos (
O Pentelho,
O Mentiroso,
Todo Poderoso,
Eu, Eu Mesmo e Irene - este último se salva por pouco) fez o comediante guinar para projetos mais sérios (
O Show de Truman ou
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) e, consequentemente, uma busca frustrada por uma estatueta (ou melhor, uma indicação que nunca veio, imerecidamente).
Bem, espero que não seja cedo demais para dizer isso, mas lá vai: a uruca foi embora e Jim Carrey voltou a engajar seu talento em uma área com retorno certo, uma comédia das boas.
Refilmagem de
Adivinhe Quem Vem Para Roubar (de 1977, com
George Segall e
Jane Fonda como protagonistas),

o filme conta a história de Dick (Carrey) e Jane Harper (
Téa Leoni, de
Espanglês), um casal de classe média que, de um dia para o outro, perdem seus respectivos empregos e iniciam uma jornada só de ida para a pindaíba. Em vias de perder o próprio teto e sem conseguir dinheiro – pelos modos tradicionais – para pagar a hipoteca, o casal recorre ao seu “espírito-de-porco” e começa a assaltar para sair da lama.
Falando assim parece até que trata-se de um drama social (provavelmente dirigido por Spike Lee), mas é só olhar para Dick e Jane tentando aplicar seus golpes para começar a gargalhar, e muito. Embora Carrey seja responsável por algumas das seqüências mais impagáveis

(como a do assalto com voz metálica, por exemplo) e Téa consiga se desvencilhar do egocentrismo de Jim com uma performance hilária e toda própria), fica claro, desde a cena do elevador em diante, que o diretor
Dean Parisot (do divertidíssimo
Heróis Fora de Órbita) esforçou-se para tocar um filme baseado, principalmente, em situações. São elas, mais do que as atuações divertidas já citadas, ou os toques televisivos de Parisot (nota-se bem essa nuance na fuga do casal após o primeiro assalto: frenética e muito engraçada), que garantem o combustível necessário para o sucesso do longa em tempo integral. Contar mais pode estragar.
Outras personagens do filme também garantem diversão: o filho dos

(Harper,
Billy (um piá fluente em espanhol) e sua babá
Blanca que chama Dick carinhosamente de “Mr. Retard” e ele nunca entende o porquê) rendem boas risadas. Além disso, a presença de
Alec Baldwin (o único Baldwin realmente ator) como o ex-patrão de Dick (que “amarga” a crise de sua empresa caçando patos selvagens na Geórgia enquanto seus ex-funcionários roubam água dos vizinhos para tomar banho) também é bem vinda.

Enfim,
As Loucuras de Dick e Jane garantem a sua proposta de divertir, sem custo adicional, o mais taciturno dos sujeitos. Não assisti ao filme original (embora tenha certeza de que muito do roteiro foi alterado para os padrões atuais), mas essa estréia de amanhã eu recomendo. ¤