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Harry Potter mudou, J.K. Rowling não
Por Pedro Alencastro — Quinta, 12 de janeiro de 2006
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Sei que esta coluna deveria falar sobre estrelas de Hollywood, mas também sei que J.K. Rowling é tão famosa e muito mais endinheirada que a maioria dos astros aqui citados. Logo, é pano para manga, sobretudo agora que anunciou um novo livro infantil.
Em recente entrevista, a autora admitiu dificuldades para lidar com sua fama instantânea, razão pela qual assinará a obra sob pseudônimo, para evitar comparações. Outras das medidas adotadas são as de manter rascunhos trancafiados a sete chaves e picotar papéis antes de colocá-los no lixo.
Na minha ranzinza opinião, era melhor economizar tanta precaução e aproveitar seu talento para criar tramas diferentes. Embora não seja recomendável mexer em time que está ganhando, a fórmula que a escritora usa (e abusa) já esgotou. Li os dois primeiros livros da série e parei a leitura no segundo, por achar idêntico ao anterior, impressão que foi reforçada após assistir os dois últimos filmes.
É como se a saga do bruxinho fosse uma piada contada periodicamente. Na quarta vez, o piadista aperfeiçoou sua técnica narrativa, mas o final está manjado. Exceto algumas novidades, as aventuras são essencialmente repetitivas. Prova disso é que o texto abaixo poderia servir de resumo para qualquer uma de suas histórias.
Na Escola de Magia de Hogwarts, Harry Potter e seus amigos envolvem-se num mistério. Ao tentar desvendar o quebra-cabeça, acabam enfrentando situações perigosas.
Aí surge aquele velho jogo de adivinhação. Quem estará por trás disso? Em clima de suspense, a resposta só é anunciada no último ato – e sempre relacionada com Lorde Voldemort. Para virar um episódio do Scooby-Doo, não falta muito (bastava o capanga dizer “não fossem esses malditos garotos meu plano teria funcionado!”).
No arrasa quarteirão Harry Potter e o Cálice de Fogo não foi diferente. Logo na estréia, todos alertaram para o óbvio: “Harry está crescendo”. Evidente. A autora não podia simplesmente ignorar o amadurecimento do herói e, diga-se de passagem, fez de forma competente, assim como Mike Newell.
Entretanto, a grande confirmação do filme – e, infelizmente, seu maior ponto fraco – é essa insistência em soluções “ala Scooby-Doo”. No mais, as atuações e a direção melhoraram consideravelmente, e J. K. Rowling continua tendo seus méritos. Pena que a piada esteja ficando sem graça.
Ah, semana que vem, o firmamento de Hollywood volta a ser o centro das atenções, quando estarei comentando os vencedores do Globo de Ouro. Fui!
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