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2005 acabou! Viva 2005!
Por Marcos Vasconcelos — Sexta, 30 de dezembro de 2005
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O ano de 2005 não quis começar. Lembram do tsunami, em dezembro de 2004, não é? E não parece querer terminar também – afinal, a crise continua viva e saltitando, e tudo continua ano que vem. Mas que 2005 existiu, não há como negá-lo. Então, vamos passear pelo que fez história este ano. Ou não. Vamos à retrospectiva, esse negócio enfadonho que a gente passa – paradoxalmente – o ano inteiro escrevendo.
Nas estranjas, 2005 começou sob o impacto da turnê Vertigo, do U2, uma das mais bem sucedidas da banda, sobre o álbum How to dismantle an atomic bomb, de 2004. Em 2006, os irlandeses chegam ao Brasil com o show. Mas não foi só de U2 que foi feito o ano. Em matéria de shows, já que falamos no assunto, o país esteve muito bem servido em 2005. Apesar de ter começado com o fiasco Lenny Kravitz, neste ano o Brasil viu o excelente show de Moby, a eficiente Avril Lavigne e o estranho noneto Slipknot.
No TIM Festival, a MC anglo-singalesa M.I.A. e o imorrível Iggy Pop, à frente do seu mitológico grupo, os Stooges, deram o que falar. E ainda tivemos os até então desconhecidos canadenses do Arcade Fire. Mas o grande momento foi, sem dúvida, a messiânica apresentação do Pearl Jam. Quem viu, viu. Quem não viu – eu, por exemplo – se lascou muito.
Já no rádio, apesar do Green Day ainda permanecer colhendo os frutos de sua ópera-rock American Idiot (Wake me up when september ends foi, sem dúvida, uma das músicas do ano), foi o Coldplay de Chris Martin quem provocou os primeiros frissons do ano. X & Y, provaria ser, contudo, um disco fraco. Mas o petardo Speed of Sound tomou conta das rádios no primeiro semestre.
Outra banda que agitou o primeiro semestre das rádios foi o Foo Fighters, com Best of you do CD duplo In Your Honor. Mas o grande nome musical do ano foi, sem dúvida alguma, a banda System of a Down. Mesmerize, álbum lançado no primeiro semestre e que trazia a impressionante B.Y.O.B, uma das mais poderosas críticas à guerra do Iraque de todos os tempos, abalou os ouvidos. No segundo semestre, os californianos descendentes de armênios ainda lançaram o álbum Hypnotize, mantiveram a pegada e terminaram o ano no topo do mundo rock. Madonna e Audioslave também foram bem executados no ano.
Já o Jamiroquai lançou seu primeiro álbum verdadeiramente ruim, Dynamite. Fora isso, o extinto Nirvana lançou Sliver, uma coletânea do melhor da caixa já no mercado, o dinossauro Neil Young voltou à ativa com o suave Prairie Wind e o excêntrico White Stripes lançou o incendiário Get behind me, Satan.
Já aqui em Pindorama, o mercado ficou mais agitado. Muitos lançamentos, muita música nova nas rádios, mas ao final, sobraram dois grandes destaques apenas. Primeiro, um álbum espetacular: InCité ao Vivo, de Lenine, o disco-símbolo do ano do Brasil na França, um álbum de antologia. Todas elas juntas num só ser, uma música enorme, tocou nas rádios por um bom tempo. Depois, a aguardada ascensão de Vanessa da Mata. Sim, Vanessa, ainda que excessivamente pasteurizada pelo produtor Nélson Motta, foi quem mais tocou e apareceu em 2005. Não teve pra ninguém.
Em termos de novos álbuns, a grande revelação foi a cantora Roberta Sá. Apadrinhada por Pedro Luiz, Roberta surpreendeu mais pela boa voz e interpretação que pelo repertório. Já Vander Lee, Pitty e CPM-22 lançaram novos álbuns com mais do mesmo. E caíram um pouco. Outro que não fez nada de diferente – e sempre a mesma coisinha ruim – foi o Jota Quest. Como o mercado adora uma porcaria grudenta, a desmantelada Além do Horizonte, de Roberto e Erasmo (quanto tempo depois de Titãs e Skank... O Jota Quest é mesmo a banda da rebarba) foi bem tocada nas rádios, tanto jovens quanto adultas. As damas do axé Daniela Mercury, Ivete Sangalo e agora Preta Gil também lançaram seus novos trabalhos, com destaque para Balé Mulato, da decana Daniela, que tocou pouco, justamente por ser o melhor álbum.
Um destaque ainda na seção "mais do mesmo" foi o Charlie Brown Jr. O novo álbum, mesmo com a saída dos antigos músicos – sobrou apenas o vocalista Chorão – não deixou a peteca cair. Lutar pelo que é meu é uma música como há muito o grupo santista não fazia. Outro grupo que lançou um CD razoável foi o Pato Fu, Toda cura para todo mal. Isabella Taviani, fenômeno em 2003, voltou a tocar na rádio com seu álbum ao vivo e Djavan gravou um álbum de remixagens, usando o abominável trocadilho DJavan. Enquanto isso, o Skank tirou um ano sabático e deu uma desaparecida.
Agora, o grande mico do ano, ainda que as músicas tenham tocado razoavelmente na rádio, foi o segundo disco de Maria Rita Mariano. Ansiosamente aguardado, foi atropelado por uma estratégia equivocada de marketing – o malfadado caso dos iPods – e acabou contaminado. Depois disso, tudo foi crítica. Até os quilinhos a mais da cantora, mal disfarçados em um estranho vestido vermelho no show de lançamento, deram margem. Mas o disco tem músicas razoáveis, ainda que a melhor faixa, Casa pré-fabricada, do Los Hermanos, tenha competido na rádio com ela mesma, gravada alguns meses antes por Roberta Sá em seu álbum de estréia, Braseiro.
Entre os lançamentos, destaque para os bons shows produzidos pela MTV brasileira: Barão Vermelho, com fantasmagórica participação de Cazuza; o acústico do Rappa, que tocou muito durante o ano; o bom acústico do Ultraje a Rigor, com Roger em plena forma de criação e humor; o show dos Titãs, no qual voltaram com tudo na questão das críticas, com a música Vossa Excelência; por fim, o excelente trabalho do Capital Inicial com as músicas do lendário Aborto Elétrico.
Já Lulu Santos voltou ao topo com o disco Letra e Música, cujo destaque é a regravação de um antigo sucesso do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Popstar. O Los Hermanos gravou seu quarto LP, chamado apenas de Quatro, um disco hermético e até certo ponto desagradável. Os Paralamas lançaram Hoje, que tem a ótima Deus lhe pague, de Chico Buarque. E Zélia Duncan também lançou um incensado trabalho: Pré-pós-tudo-bossa-band.
Um insuspeito estouro de vendas foi o disco de lançamento da estrelinha de Malhação Marjorie Estiano, repleto de músicas da novelinha adolescente. O público gostou e a bonita atriz-cantora acabou lançando um DVD no fim do ano.
Quase ao apagar das luzes, os enérgicos Ana Carolina e Seu Jorge lançaram um bom álbum ao vivo e fecharam o ano com chave de ouro.
E que venha 2006.
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