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Nós vimos: Apenas um beijo
Por José Antônio Mansur — Quinta, 29 de dezembro de 2005
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Apenas um ótimo filme
Apenas Um Beijo conta a história de um romance entre Roisin, uma irlandesa católica, e Qasim, um filho de paquistaneses muçulmanos em Glasgow. Uma história que pode ser contada de diferentes formas e que é contada, surpeendentemente, de forma romântica e não política ou religiosa.
Por que surpreendente? Porque o filme é dirigido por Ken Loach. Para quem não sabe, o inglês Loach é um dos últimos grandes cineastas políticos do cinema e responsável por filmes marcantes como Agenda Secreta e Terra e Liberdade.
Em Apenas um Beijo, Loach mostra os problemas que imigrantes paquistaneses como os pais de Qasim enfrentam na Europa, as diferenças entre os costumes dos amantes e o preconceito que os dois enfrentam tanto de católicos como de muçulmanos. Mesmo mostrando tudo isso, Loach ainda destaca em primeiro plano o romance e seus personagens principais: Qasim e Roisin.
Qasim é vivido pelo fraco Atta Yaqub, e Roisin é interpretada pela ótima irlandesa Eva Birthistle (ganhadora de vários prêmios de melhor atriz na Grã-Bretanha por esse filme). Os dois atores são auxiliados pelo bom roteiro de Paul Laverty (que já havia roteirizado vários filmes de Loach como Meu Nome é Joe).
Dessa forma, o espectador não deve esperar um filme-padrão com fórmula hollywoodiana com risadas no início, lágrimas no meio e correria no fim. Apenas um Beijo é um filme humano em que os personagens agem e reagem como pessoas comuns e têm sentimentos reais, em que não existem mocinhos e vilões mas pessoas que fazem o que julgam ser correto baseando-se em seus sentimentos e/ ou tradições.
Apenas um Beijo é um belo filme sobre gente como a gente e também sobre gente um pouco diferente – mas que também é gente (algo que infelizmente muitos esquecem hoje em dia). ¤
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