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Nós lemos especial: Gibis pra pedir ao amigo secreto
Por Felipe Meyer — Quarta, 21 de dezembro de 2005
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Quem participa ávida e pontualmente das celebrações familiares de fim de ano - como eu -sabe bem o poder que tem um amigo secreto de fechar a noite de natal com chave de ouro, ou arruiná-la de uma vez por todas. Em se tratando de festas da empresa, então, tudo fica ainda pior. Se já é duro forçar um sorriso e posar para a foto ao lado daquela tia solteira que compra roupas em lojas obscuras e diz “se não gostar, pode trocar”; que dizer então da infinidade de presentes “malas” comprados todos os anos por colegas de trabalho que sabem apenas o seu nome e olhe lá.
Em nossa eterna missão (a partir de agora) de salvar nossos leitores de situações embaraçosas e más lembranças daquele que supostamente deveria ser o melhor dia do ano, o SoBReCarGa preparou uma pequena lista com os melhores lançamentos em quadrinhos de 2005, para você sugerir à sua família ou companheiros de labuta, seja através de memorando, post-it, e-mail ou outdoor.
Sin City 
Numa estratégia bastante oportuna e inteligente, a Devir aproveitou a exposição criada pelo filme Sin City - antes e depois de seu lançamento - para publicar vários volumes da série de Frank Miller no Brasil, agora com um acabamento de luxo e formato de pôr inveja em todas suas edições anteriores.
Pra quem assistiu o filme e quer saber mais sobre a cidade do pecado, a melhor opção é A Dama Fatal, que tudo indica será o ponto de partida da trama do próximo longa metragem e traz de volta o truculento Marv, na tentativa de ajudar seu amigo Dwight - um fotógrafo decadente, bem diferente do assassino frio de A Grande Matança, outra história que integra o filme. Se não quiser estragar a surpresa e preferir relembrar alguns dos melhores momentos da versão em carne e osso, pode optar por O Assassino Amarelo, de longe o melhor arco já criado dentro do cenário.
Recentemente, a Devir lançou ainda o álbum A Noite da Vingança, que pode ser visto como a continuação de A Grande Matança, pois traz como personagens principais Dwight e Miho, numa inusitada divergência entre duas famílias bem diferentes.
Bang Bang 
O norte-americano Shane L. Amaya é um grande apaixonado não só por quadrinhos mas também pelo Brasil. Após ter auxiliado bastante na alavancada da carreira internacional dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, o escritor decidiu ir mais além e reuniu uma dezena de artistas brasileiros na antologia Bang Bang, que dá uma recauchutada num gênero que timidamente vem ressurgindo: as histórias de faroeste.
A maior surpresa é Fábio Cobiaco, numa das mais longas e - proporcionalmente, ao que parece - belas histórias da compilação, num estilo único que enche os olhos e impressiona pela riqueza de detalhes. O desenhista apresenta personagens extremamente realistas e um dinamismo narrativo muito superior ao que eu conhecia até então de seu trabalho. Ele é auxiliado, é claro, por Ricardo Giassetti, o único roteirista brasileiro do grupo.
Pam Noles, Bruno D'Angelo, Jeremy Nilsen, Jefferson Costa, Rafael Coutinho (filho do desenhista Laerte), Rafael Grampá, Clayton Jr., Kako, Peov e os gêmeos Bá e Moon completam o time de talentosíssimos bardos que fizeram de Bang Bang uma obra magnífica, digna de estar nas prateleiras de fãs antigos e novatos das histórias de caubóis e bandidos.
Sandman 
A Conrad esse ano agraciou os fãs brasileiros de quadrinhos com o que há de melhor (na minha humilde opinião) no trabalho do escritor-ídolo Neil Gaiman, ao publicar três volumes da saga do Mestre do Sonhar: Prelúdios e Noturnos, A Casa de Bonecas e Terra dos Sonhos.
Os três livros - de uma coleção de dez volumes - possuem formato e acabamento de altíssima qualidade, que fizeram a editora alegar, sem falsa modesta, que se trata da mais bela edição das histórias de Sandman já publicada no mundo todo. De fato, há de se cobiçar uma publicação que, além de histórias fantásticas, traz capa dura, papel especial e centenas de anotações que esclarecem as mais diversas homenagens prestadas por Gaiman ao universo da cultura pop e as próprias ligações dos personagens com seus companheiros do universo DC.
O terceiro volume traz ainda o roteiro original de Calíope, conto sobre um escritor desesperado que tenta manter o sucesso ao prender uma musa da antiguidade, que coincidentemente foi amante de Morpheus e mãe de seu único filho. Vale não só como curiosidade mas também como amostra do processo criativo de um grande escritor, podendo inclusive auxiliar no desenvolvimento da habilidade de novos autores.
O Espinafre de Yukiko 
Fredéric Boilet vive há mais de uma década no Japão, onde iniciou um movimento artístico batizado de nouvelle manga, caracterizado por histórias em quadrinhos no clássico estilo nipônico, porém recheadas de influências européias. O primeiro grande exemplo do trabalho de Boilet - assim como do próprio nouvelle manga - a chegar ao Brasil foi O Espinafre de Yukiko, uma releitura ousada de um fato real que ocorreu com o próprio autor, que teve um relacionamento com uma garota japonesa chamada Yukiko Hashimoto. Numa narrativa minimalista e contendo cenas de sexo bastante realistas, a história concentra-se num triângulo amoroso e na adoração de Boilet por sua musa, sempre filtrada pelo ponto de vista do próprio artista.
Powers 
Quem matou a Garota-Retrô? é o primeiro arco da série Powers, do aclamado roteirista Brian Michael Bendis e que ganhou vida no estilo marcante do desenhista Michael Avon Oeming. Nesse primeiro volume os detetives Chris Walker e Deena Pilgrim têm nas mãos um caso difícil e polêmico, cheio de reviravoltas e envolvendo algumas das pessoas mais influentes do cenário "super-heroístico" dos Estados Unidos. É uma pena somente o fato da Devir não ter anunciado nenhum novo volume da série, que lá fora foi compilada em sete encadernados antes de migrar para a Image, onde já teve outras quinze edições inéditas lançadas. A título de curiosidade, clique aqui para assistir um curta-metragem de Quem matou a Garota-Retrô? feito por fãs.
Arrowsmith 
Arrowsmith - A Guerra da Magia, publicado no Brasil pela Devir, conta a história de Fletcher Arrowsmith, um rapaz de quinze anos que, como muitos outros rapazes de quinze anos de sua época, mente a respeito de sua idade para poder ingressar no exército e lutar pela liberdade durante a primeira guerra mundial.
A grande diferença está no mundo onde se passa essa guerra que, diferente do nosso, está recheado de dragões, magos e todo tipo de criaturas místicas saídas dos livros de fantasia e da imaginação do escritor Kurt Busiek. Os desenhos de Carlos Pacheco dão conta de dar vida a este cenário tão rico e tão bem pensado - graças também ao auxílio do escritor Lawrence Watt-Evans, vencedor do prêmio Hugo de ficção científica, e que colaborou com Busiek escrevendo mais de mil e cem anos de história do mundo de Arrowsmith. Tal estudo é justificado pela promessa de Busiek de retornar ao cenário em diversas mini-séries a serem lançadas futuramente, trazendo não só histórias sobre o amadurecimento de Fletcher como os terríveis resultados das batalhas travadas por ele e outros personagens todos os dias.
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