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Os Melhores do Mundo
Por Raphael Di Cunto — Quarta, 14 de dezembro de 2005
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Domingo tive a oportunidade dar uma passadinha rápida (só quatro horinhas...) no Maratona HQ, evento da Devir onde se podia comprar revistas antigas e novas por um preço mais camarada e conseguir algumas preciosidades. Depois de torturar meu bolso comprando bem mais do que devia, voltei para casa feliz com mais de 30 histórias pra ler durante as férias, embora eu duvide que elas durarão tanto.
Quando consegui tempo para lê-las durante a madrugada, fiquei em duvida sobre por qual delas começar. Ouvi falar muito bem sobre Authority, estava ansioso por ler as Hellblazer que eu tinha adquirido para saber se o Constantine é mesmo melhor no papel, com vontade de conhecer a história do Capitão Marvel, querendo saber como foi a morte daquele que devia ter permanecido morto, o segundo Robin (Jason Tood), entre outras histórias que me empolgavam na hora.
Entretanto, pra dar uma descontraída, afinal eram duas da madrugada, comecei por uma mais leve, que comprei apenas por curiosidade. Sim, sim, finalmente cheguei ao tema da coluna: comecei por World´s Finest, ou Os Melhores do Mundo na tradução.
A HQ ficou marcada como a primeira reunião dos maiores símbolos da DC depois da Crise nas Infinitas Terras (ocorrida em 1985, e republicada aqui pela Panini em dezembro de 2003). Estrelada por Batman e Superman, a história conta o começo da amizade de ambos quando o Coringa e Luthor começam a lutar por influência em Metrópolis e Gotham City, respectivamente, e colocam um orfanato e o futuro de diversas crianças em seus planos megalomaníacos.
Escrita em 1990 por Dave Gibbons, a minissérie é dividida em três capítulos (Mundos Distintos, Mundo em Choque e Mundos em Guerra), que começam devagar, mas ganham certo ritmo ao virar das páginas. Contudo, ainda é uma daquelas histórias como Marvels (de Kurt Busiek e do fenomenal Alex Ross), que, apesar de ser um excelente, te dá sono e não consegue prender a atenção do leitor.
Essa estranha sensação não é culpa dos competentes desenhos de Steve Rude e Karl Kesel, que junto as cores de Steve Oliff, transmitem muito bem os sentimentos dos personagens e dão movimento a história, além das cenas que contrapõem a história de Clark e Bruce serem ótimas, com uma brilhante mudança de cores para caracterizar melhor cada cidade e seus respectivos habitantes.
Se em alguns momentos os desenhos parecem estranhos e a forma desproporcional, a expressão de Byron Wylie durante o segundo capítulo compensa e mostra que o trio realmente manda muito bem e tenta recriar em seus desenhos um certo ar do período pré-Crise, quando ambos os personagens eram grandes amigos.
O principal destaque da revista fica mesmo pela relação de amizade que os dois heróis criam ao longo da história, tratada de forma mais séria e demonstrando que ambos são excelentes separados, mas formidáveis juntos. A revista mostra não só o relacionamento de Batman e Superman, como de Clark Kent e Bruce Wayne (existe uma ótima cena onde Clark disfarça seu ciúmes por Lois estar saindo com Bruce para uma entrevista).
Enfim, é uma obra de grande qualidade e que vale a pena ser lida. A publicação mais recente foi feita pela Mythos Editora em 2003. São três edições, cada uma delas custando R$5,90 e tendo exatamente 50 páginas.
E é aqui que o leitor mais atento vai dizer: “peraí, essa coluna não era sobre desenhos animados? Então porque esse maluco tá falando sobre quadrinhos?”
Calma que eu ainda chego lá. Com o sucesso de Batman The Animated Series, o produtor Bruce Timm resolveu que o Homem de Aço merecia uma série a altura de seu personagem, e usou uma técnica inversa ao que foi feito na série do Homem-Morcego. Se o Cavaleiro das Trevas e sua cidade eram sombrios, o Super e Metrópolis foram claros e coloridos, usando uma técnica parecida com o que já havia sido feito em Melhores do Mundo.
Mas não foi só nesse ponto que ambas as séries tiveram relação. Em 1996, uma homenagem foi feita à minissérie de Gibbons, e durante a segunda temporada de Superman Animated Series (ou Superman: O Desenho em Série) aconteceu o encontro entre os dois.
World´s Finest foi dividido em três episódios (os de numero 16, 17 e 18), tendo um argumento parecido com o da revista, mas sendo desenvolvido de forma bem diferente. No desenho, o Coringa está com problemas financeiros e procura o Lex para oferecer seus serviços, pretendendo matar o Superman com uma estátua de kriptonita. Batman descobre os planos do vilão e vai para Metrópolis impedi-lo.
Dá mesma forma que a minissérie, os episódios desenvolvem bem a relação entre Clark e Bruce / Batman e Superman, apesar de tornarem mais explícitas coisas que estavam nas entrelinhas da história (como o ciúme que Clark sente por Lois).
Os episódios, assim como a série toda, são muito bons e merecem uma olhada (se é que você não os viu quando passava nas manhãs do Warner Channel, ou nas madrugadas do Cartoon Network). Superman TAS está sendo lançado em DVD, mas no Brasil ainda estamos na primeira temporada, que chegou as lojas em 2005 mesmo. O box triplo não tem os episódios dos Melhores do Mundo, mas é uma boa aquisição de qualquer forma.
A Warner também lançou um DVD especial contendo apenas esses três episódios (também conhecido como Superman e Batman: The Movie, embora na tradução tenha ficado como MdM mesmo). Se você tem pressa e não que esperar pelos DVDs da segunda temporada, ele está custando aproximadamente R$30,00, mas existe um grande porém: o áudio está apenas em inglês e espanhol e as legendas desaparecem várias vezes, tornando irritante e difícil para aqueles que não dominam o inglês acompanhar a história.
Só por curiosidade, o nome World´s Finest não surgiu na minissérie de Gibbons. Na verdade, o título desse arco foi uma homenagem a antiga revista de mesmo nome, criada em 1941 e que alcançou a marca de 323 números. No principio, essa revista trazia 96 páginas com diversos personagens da DC, sempre incluindo Batman e Superman. Com o fim da Era de Ouro na década de 50, o tamanho da revista diminuiu, dando espaço apenas para uma história. Foi em 1954 que o primeiro crossover entre os dois personagens aconteceu, na World´s Finest 71. A revista foi cancelada em 1986, pois no Pós-Crise os heróis não eram tão amigáveis a ponto de dividirem uma mesma história.
Outras revistas que tiveram esse titulo, ou derivados, foram:
Legends of the World's Finest, relançado pela Mythos como Batman e Superman: Livrai-nos do mal. A minissérie em 3 partes é um spinning off do popular Legends of the Dark Knight (série de especiais com as melhores histórias do Batman) e foi lançada em 1994.
Superboy/ Robin: World's Finest Three, minissérie de 1996 em duas partes. Não encontrei informações sobre ter sido publicada por aqui.
Batman/Superman Adventures: World's Finest, um one-shot (história curta contada em apenas uma revista) lançado em 1997 que adaptava os três episódios de Superman TAS para os quadrinhos. Também não encontrei informações de que tenha sido lançada no Brasil.
Superman and Batman: World's Funnest, uma grande brincadeira onde o desconhecido Evan Dorkin destrói todo o universo da DC, com suas várias realidades Pré-Crise inclusive. Com direito a criticas a diversos aspectos da editora (como o fato da Mulher-Maravilha ter um avião invisível, e outras perguntas inexplicáveis...), a história reuniu os bizarros Sr. Mxyzptlk (repita esse nome cinco vezes rápido... ta bom, se você conseguir isso uma única vez já ganha um doce) e Bat-Mite (que por aqui já foi chamado de Duende-Morcego e Bat-Mirim, mas anda tão sumido das histórias do Batman que dificilmente é lembrado). Os Piores do Mundo foi desenhado por diversos grandes nomes dos quadrinhos, e merecia uma coluna dedicada só a ele (quem sabe no futuro). A Opera Gráfica publicou uma edição de luxo em 2004, com um preço meio salgado, mas que vale a pena, seja pelos desenhos, seja pelas risadas que você dará ao ler a história.
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