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Nós Lemos: A Noite da Vingança
Por Felipe Meyer — Terça, 13 de dezembro de 2005
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A Noite da Vingança, ao lado de O Assassino Amarelo e O Difícil Adeus (o conto que deu origem à série), é uma das melhores histórias já contadas sobre o lado mais sujo de Sin City.
Segundo conta a lenda, a graphic novel - que foi publicada pela primeira vez numa edição completa, diferente dos quatro títulos anteriores, que foram lançados no formato de mini-série - é uma espécie de manifesto do autor Frank Miller, uma carta de revolta contra seu empregador no passado, a Marvel, que na metade dos anos 90 decidiu ressuscitar a assassina Elektra. A silenciosa e mortal Miho, segundo dizem, é aquilo que Elektra nunca se tornará nas mãos de escritores estereotipados a serviço de uma editora de políticas tão duvidosas.
Indo um pouco além dos boatos, A Noite da Vingança é um agrado aos fãs da série, que ansiavam por uma história onde Miho fosse um dos personagens centrais. É também uma espécie de despedida do personagem Dwight (que por esses lados ainda poderá ser visto em A Dama de Vermelho, caso a Devir republique o título).
A dupla se une para uma importante missão, que só será revelada por completo ao fim da narrativa. Com muito sarcasmo e arrogância, Dwight aos poucos junta as peças do quebra-cabeça e desvenda a identidade do assassino de uma pessoa muito querida para eles.
Tendo uma considerável distância entre o lançamento do último título da série - O Assassino Amarelo - e do filme de Robert Rodriguez, A Noite... traz uma tradução primorosa, menos apressada, e um ótimo acabamento que o coloca entre os álbuns mais bonitos já lançados pela Devir. Sente-se a falta, apesar disso, dos habituais “extras”, como as pin-ups de artistas consagrados.
O título em português infelizmente deixa perder um pouco do original, Family Values (Valores Familiares), que traçava um óbvio paralelo entre as motivações que fizeram Dwight e Miho cruzarem o caminho da Máfia e deixava transparecer um pouco das emoções de Dwight, sugerindo que algo mais forte que honra ou amizade o ligava às Damas da Noite, as prostitutas da cidade velha. É admirável, no entanto, a iniciativa da Devir em manter os livros da série com os títulos com que foram publicados originalmente no Brasil por outras editoras, evitando que os leitores façam alguma confusão como por exemplo adquirir novamente um álbum que já possuem.
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