A melhor das três versões

É curioso observar como, sempre que
King Kong é levado ao cinema, a estória dá certo. Em sua terceira versão para a tela grande (não estamos considerando as continuações, assumidas ou disfarçadas, que a obra teve), o personagem ainda não teve uma aparição que fosse ruim. E, pela primeira vez levado às telas por um grande diretor -
Peter Jackson - a estória do gorila gigantesco que se apaixona por uma linda moça ganha a sua melhor versão.
A primeira e original versão, de 1933, dirigida por Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack,durante muito tempo foi a melhor aparição do gorila nas telas (aí, creio que podemos até considerar as continuações), e deu a seus dois diretores fama e méritos quase semelhantes aos dos grandes cineastas de sua época.
Fay Wray, a Ann Darrow do filme original, nunca pertenceu ao primeiro time das grandes atrizes de Hollywood, mas até hoje tem seu nome lembrado por causa do filme.
A segunda versão, feita por John Guillermin em 1976, foi exageradamente criticada mas, apesar de não se igualar ao filme original, soube utilizar o impacto tecnológico que o cinema dos anos 70 já trazia para conquistar as novas gerações e levar King Kong da selva à New York com uma credibilidade ainda maior do
que a vista 43 anos antes.
Agora, Peter Jackson uniu a grandeza do cinema clássico, quando filmar era uma aventura, praticamente todos os filmes eram ótimos e os bons filmes de monstros tinham um pé no Cinema B, à segurança técnica que o Cinema tinha em 1976, e que hoje, 29 anos depois, é obviamente ainda maior.
Jackson e suas co-roteiristas habituais (Fran Walsh e Philippa Boyens) transformaram a trama em um filme de quase três horas de duração, situando a ação de
King Kong nos tempos da Grande Depressão (há um diálogo delicioso, em que Carl Denham, o cineasta vivido por Jack Black, lamenta não poder contar com Fay em seu filme porque ela está na RKO, filmando com Cooper - e não é nada difícil deduzir que Fay e que Cooper são esses).
O filme divide-se em três partes - a primeira, na qual
Denham conhece
Ann Darrow e a seleciona para ser a estrela de seu próximo filme, levando-a de navio a uma ilha desconhecida com toda a sua equipe; a segunda, onde, perdidos nessa ilha, todos conhecem não apenas
Kong, mas também um bando de dinossauros (melhores e mais convincentes que os de
Jurassic Park); e a terceira, onde Kong é levado a New York e na qual transcorre a clássica cena ao topo do Empire State. Peter Jackson demonstra habilidade para transitar nas três divisões de seu filme, e nos oferece um espetáculo brilhante, divertido como um filme B e elegante como um grande clássico - o que, afinal de contas, esse novo
King Kong já é, tanto quanto seus antecessores. ¤