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Pearl Jam and the Epiphany of Perfection
Por Mariana Zanini — Segunda, 12 de dezembro de 2005
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Quem acompanhou as notícias sobre o mundo da música durante esse ano pôde assistir a uma longa novela protagonizada por muita enrolação do Excelentíssimo prefeito paulistano José Serra e confusões sobre se haveria ou não o show do Pearl Jam no Brasil.
Pois eis que finalmente a decisão foi tomada e, na última semana de novembro, a turnê dos rapazes de Seattle começou em terras brasileiras. E adivinhem quem teve a sorte de assistir a um dos shows na terra da garoa?
Não vou falar sobre os outros quatro shows que não presenciei, obviamente. Mas também não pretendo desfiar um relato impessoal: disso, os sites de música já estão cheinhos, pra quem se interessar. A história aqui vai ser narrada por uma fã de mais de 8 anos. Portanto, preparem-se.
Sábado frio em São Paulo, dia 03 de dezembro de 2005. Chegando à frente do estádio do Pacaembu e vendo o tamanho da fila, minha reação foi uma só: “Putaqueopariu! Quanta gente!”. Muita, muita, mesmo. Mas não de tipos muito variados: grunges fora de época, que sacaram do fundo dos seus armários as tradicionais camisas de flanela xadrez e gente com ar meio alternativo, meio bêbado. Pra entrar no clima, todos saboreando cerveja, vinho e a exótica pinga com mel de metro (que me disseram ter um gosto ótimo de plástico com parafina. Maravilha!). Ah, e lógico, a tal erva que passarinho não fuma, mas eles sim – e muito.
O bom foi que, depois de mais de quatro horas de espera, a muvuca que eu esperava para entrar não aconteceu: uma organização só, precisa ver! Devidamente acomodados (ou não) na “pista” do grande Paca, eu e Mr. Z aguardávamos pacientemente (ou não) pelo o início ao menos do show de abertura, comandado pela banda Mudhoney, também de Seattle. E ele veio mais cedo do que pensávamos: a apresentação marcada para as 18:30 começou com 15 minutos de antecedência. E ela foi tão rápida e rasteira que nem deu tempo de aprender alguma letra mais repetitiva: foram 45 minutos cravados de uma mistura de Pearl Jam com Stone Temple Pilots.
Roadie vai, roadie vem, e todo mundo (ou pelo menos eu) pedindo pro ponteiro do relógio ir voando pras 19:30. Nem precisou: às 19:15, a vasta cabeleira de Eddie Vedder apareceu lá em cima do palco, para a surpresa das mais de 40 mil pessoas que não agüentavam mais ouvir só os anúncios dos vendedores de água. E dessa platéia surgiram gritos, pulos, empurrões e sei lá mais o quê ao som de “Breakerfall”, uma pauleira que não é lá uma das minhas preferidas, mas foi ótima pra começar porque fez todo mundo pular feito feijão mexicano.
A segunda e a terceira, em compensação, foram perfeitas pra fazer o show decolar de vez: “Corduroy” e “Given to Fly”. Precisa falar mais? Eu tinha dito que, se eles tocassem essa última, (que é minha preferida, no momento), eu poderia ficar surda depois que ainda assim ficaria feliz. Ok, foi meio idiota, mas eles tocaram, eu fiquei muuuuito feliz e ainda ouço quase bem.
Não me perguntem a seqüência exata das músicas, porque o meu estado de choque demorou um pouco para passar. Na verdade, eu só saí mesmo do transe durante a execução pra lá de emocionante de “I am mine”: foi aí que eu me toquei que não estava assistindo a uma apresentação pela TV, mas que eles estavam ali, na minha frente em carne, osso, guitarras e nicotina! Ah, não me perturbem por causa dos meus delírios de fã, vá?
Pra quem estava esperando um show recheado de hits, a noite de sábado foi um prato cheio (ao contrário do que disseram os críticos de música, uns bobos que não entendem nada).
Teve “Even Flow”, “Jeremy”, “Black” (com direito a público acendendo isqueirinhos e tudo mais), “Better Man”, “Daughter”, “Do the Evolution” e, lógico, a clássica “Alive”, que só de lembrar arrepia. Quem conhece pelo menos um tiquinho de Pearl Jam sabe que os críticos não estavam lá com muita razão...
Mas também teve espaço para as maravilhosas lado B “Present Tense”, “State Of Love And Trust”, “Not For You” e “Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town” (tente falar esse nome rápido!). Quando o guitarrista semi-deus Stone Gossard começou a tocar essa última, se embolou todo na melodia e o público achou lindo.
Sêo Eddie também deu um furo quando a gaita escapou de seu pescoço durante a execução de “You’ve got to hide your love away”. Daí, o pessoal achou a maior graça denovo. Para um mundaréu de gente que esperou por mais de quinze anos pra acompanhar ao vivo todos os “aaahs” e “ooohs” cantados pelo vocalista, até que não foi exagero...
Covers? Sim, também teve. E três, pra quem está reclamando que o Pearl Jam não lembra dos ídolos. A primeira quase me fez passar vergonha, tamanha a empolgação da garota aqui: a super-hiper-mega “I believe in miracles”, do Ramones. Em um momento mais introspectivo (que também teve “Crazy Mary”), Eddie Vedder apareceu sozinho no palco e entoou a sua linda versão para a já citada “You’ve got to hide your love away”, dos Beatles.
Mas o mais-mais ficou pro final (final mesmo, já que foi a última canção de um show de 2 horas e meia de duração): “Rockin’ in the free world”, do tio Neil Young. Satisfeitos?
Quanto à interação da banda com o público, foi coisa linda de se ver. Os pontos altos (se é que é possível eleger isso num show tão bom) foram “Alive”, que fez o estádio ir abaixo – e Eddie Vedder também, já que ele deu um “mosh” e ficou passeando no meio da galera – e “Daughter”, com um coro de ôôôôs no final que só quem estava lá pra entender como foi lindo. A banda devolveu na mesma medida, com uma apresentação vibrante do começo ao fim. Além, é claro, das frases em português arriscadas pelo vocalista, simpatissíssimo. Lendo alguns bilhetes redigidos em nossa língua, saíram algumas pérolas do tipo: “Agora nos perguntamos por que não viemos antes pro Brasil. Que p&rra será que estávamos pensando?” Agora imaginem isso num sotaque yankee beeeem embolado...
Aposto que, se depender da cara de tonto do Eddie babando pela animação do público, eles são bem capazes de cumprir a promessa feita no desfecho do show: “See you next year”. E para quem ficou na vontade de ter ido (ou está um pouco confuso por não conhecer as músicas citadas) e ainda quer ter uma idéia melhor de como foi o show, é só reparar no título, gentilmente cedido por uma amiga que sabiamente definiu a noite como “the epiphany of perfection”. É, foi isso.
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