15 anos passados a limpo em pouco mais de duas horas

Como já passei da fase grunge há algum tempo, fui mais pra ver qual é que era e, talvez, até pra criticar um pouquinho. Bem feito pra mim, que mordo a língua neste exato momento. O show foi ótimo. Tudo o que se espera de uma grande banda, e de fãs enlouquecidos.
Vamos ao que interessa. O
Pearl Jam subiu ao palco às 21:15, levando o público ao delírio. O Gigantinho, você não sabe, mas eu conto, não é o melhor lugar do mundo para fazer shows. E sabe que, mesmo assim, a produção conseguiu, milagrosamente, deixar o som perfeito?
“And I wished for so long... cannot stay.” Foi o
abracadabra da noite. Bastou que os primeiros acordes de
Long Road fossem tocados para que um outro mundo se abrisse.
Eu queria saber como é ser um fã, daqueles fanáticos meeeesmo, num momento como esse. Porque eu, do alto da minha ignorância grungezística, fiquei tri emocionada, quase chorando, e olha que foram apenas os primeiros acordes.
O show seguiu com
Last Exit,
Animal,
Do the Evolution e
Jeremy, que fez o Gigantinho tremer, com um coro de 14 mil vozes. Depois dessa, só mesmo uma declaração de amor ao país. “Sentimos muita sorte por vocês terem esperado tantos anos por nós... bem-vindos ao nosso primeiro show neste grande país... estamos muito felizes”

Se você acha que vida de
rock star é moleza, então toma esta:
Eddie Vedder se puxou como poucos, no português-inglês. Fez questão de falar com o público na língua da casa, e para isso chegou com várias frases escritas em uma folha, que ficava ao pé do microfone. Coisa querida, não?
O jogo seguiu com
Grievance,
Cropduster,
Even Flow e
BetterMan, esta última, emocionante. Além do coro perfeito, isqueiros e celulares garantiram a mini-pirotecnia da noite.
State of Love and Trust,
Daughter,
Habit,
Given To Fly,
Immortality,
Save You,
Rearviewmirror,
I Got Shit,
Crazy Mary...
Pausa para um comentário: enquanto rolava
Crazy Mary, avistei um cara atrás da bateria, magro, cabelo preto, óculos escuros... Eu estava nas cadeiras, que é o extremo oposto do palco, mas de onde a visão é a mais privilegiada, apesar de ser menos
rock and roll. Entendeu, né? Como sou um pouco ceguinha, avistei aquele cara e na hora pensei: ”bah o cara parece um
Ramone.” Achei graça e fiquei me perguntando porque, cargas d’água, o Pearl Jam teria um
roadie tão cover do cara.

Logo depois, Eddie conversando com o público, conta "a primeira vez que eu vim ao Brasil foi com o Joey Ramone, e, assim como eu, ele também gostava muito de vocês..." (fala isso tudo em português). Depois fala sobre a morte do ramone e do quanto ficou triste. E o que ele faz então? Convida ninguém mais ninguém menos que o senhor
Mark Ramone para tocar com eles em
I Believe In Miracles.
Chega. Tá bom pra você? Mas saiba que tem muito mais.
Tem
Alive. 28 mil braços ao ritmo da canção. Não teve uma alma que não cantou junto. É verdade, juro. A música foi cantada até pelos seguranças da área Vip, que ao fim do show, bebiam e cantavam emocionadíssimos.
O
bis veio com
Small Town,
Corduroy,
Blood, e, com a
sixtie,
Baba O'Riley do The Who.

Mais uma pausa para a conversinha, e, como já estava tudo em casa mesmo, porque não comemorar o aniversário de
Matt Cameron? Uma comunidade do Orkut já estava planejando cantar parabéns, mas foi da banda a idéia de trazer o bolo, ou seja, interação total. E o que dizer do
Parabéns pra Você? Lembra dos 14 mil? Pois é, todos eles cantando pro guitarista, que agradeceu em francês. Depois de uma guerra de bolo, o fim veio com
Yellow Ledbetter. Todas as luzes do ginásio estavam acesas, a banda estava visivelmente emocionada.
Mas claro que não foi só isso:

Quem viu a filha de Eddie se divertindo horrores, junto com sua mãe?
Quem comeu o bolo que eles atiraram na platéia?
Quem ganhou palhetas?
Quem atirou camisetas? (Eddie saiu com um guarda-roupa novo, tamanho foi o número de camisetas e casacos que voaram até o palco).
Alguém deu uma camiseta do Grêmio para um integrante da banda, que educado vestiu. Mal sabia ele que estava no campo inimigo, ginásio do rivalíssimo Internacional. O aplauso deu lugar às vaias, mas logo o clima de camaradagem estava de volta.

Aliás, belo clima, nada de brigas, nada de
stress, tudo na santa paz do
rock'n'roll. Claro que restam ainda as histórias dos desmaios, das fotos, do encontro com os ídolos no aeroporto, da outra conexão
Seatle-Porto Alegre, que foi o show do
Mudhoney, mas este capítulo está sendo escrito em uma galáxia não muito distante daqui: o
Orkut.
Ah, no final Vedder agradece dizendo: “obrigado por me darem uma noite para lembrar”. A gente que agradece, Eddie. ¤
*As fotos que estão aqui são de um site-acervo montado exclusivamente para recolher materiais do show. Centenas de fãs colaboraram com vídeos, fotos, etc. Claro que a idéia partiu de um super-fã da banda, Diogo Moretti. Você pode conferir em: www.avilaehmorte.net/arquivo_002.php.