 |
Nós vimos: Querida Wendy
Por Carlos Dunham — Quarta, 30 de novembro de 2005
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Uma lamentável declaração de amor... às armas!!
O dinamarquês Thomas Vinterberg perdeu uma excelente oportunidade de fazer um bom filme neste Querida Wendy que, apesar de seu belo título, não passa de uma lamentável e perigosa declaração de amor à posse e uso de armas. O filme deixa nítido que Vinterberg tem boa mão para dirigir e, durante a primeira meia hora da projeção, temos um filme interessante e que até mesmo poderia ser grandioso. Porém, tão logo é revelado ao público quem é a Wendy do título, percebemos que a realização nada mais é que uma apologia da violência, realizada de forma leviana e extremamente perigosa.
O excelente Jamie Bell (do magnífico Billy Elliot, agora adulto) interpreta o rapaz enjeitado pela sociedade que forma uma pequena quadrilha de pessoas armadas, sob o pretexto de manter a ordem na pequena cidade onde vive. Bell mais uma vez demonstra o quanto é talentoso, e dá o máximo para inserir a seu personagem uma aura de inconformismo e sofrimento que tentasse justificar a formação da quadrilha. Contudo, o talento do ator - e até mesmo do próprio diretor, cujas habilidades no manuseio da câmera e no ritmo do filme não podem ser negadas - esbarram no roteiro peçonhento, que literalmente transforma armas em musas e objetos do desejo. Em determinado momento do filme, o personagem chegam a declarar que uma arma no bolso aumenta a auto-estima e lhes injeta segurança! É o tipo de declaração que fala por si só, e que não requer nada mais a ser acrescentado sobre a "filosofia" de Querida Wendy.
Não se sabe se em uma tentativa de burlar a glamourização à violência do roteiro (que não é de sua autoria), Thomas Vinterberg acabou convertendo seu filme - principalmente nas cenas finais - em um verdadeiro western: realmente, quem assistir aos últimos vinte minutos de Querida Wendy poderá pensar estar diante de uma obra desse gênero mágico, que mestres como John Ford, Raoul Walsh e William A. Wellman imortalizaram há décadas atrás. Contudo, os westerns clássicos - e também os contemporâneos - sempre primaram por defender o bem, a justiça e a ordem. Querida Wendy utiliza o talento de bons atores para glamourizar de forma covarde o uso de armas, e suas imagens bonitas e bem trabalhadas acabam por reforçar a absurda teoria do roteiro de que portar armas seria agradável e, mais que isso, benéfico à auto-estima. Lamentável.
|
 |