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Super-heróis brasileiros
Por Tiago Cordeiro — Quinta, 17 de novembro de 2005
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A intenção da coluna desta semana não é fazer referência a super-heróis brasileiros. Mesmo porque, conheço muito poucos. Na verdade, os super-heróis do título é uma referências a uma trupe que anda por aí, meio escondidinha pois o mainstream dos quadrinhos não permite o contrário. É gente que não pula prédios e nem usa uniforme (bom, não que a gente saiba), mas que consegue se desdobrar em uma tarefa heróica: publicar quadrinhos no Brasil.
Como já defendi aqui antes não basta publicar. Além de qualquer ufanismo, a revista Kaos, publicada em três edições no primeiro semestre do ano, trouxe quadrinhos com grande qualidade. A impressão em preto e branco e o papel mais ordinário ficam de lado quando você lê a revista publicada pela Editora Mantícora. No mesmo caminho, chega a revista Ronin Soul, que chegou às bancas e lojas especializadas há dois meses. Aqui, o trabalho de colorização e desenhos de Rod Pereira impressionam e fazem valer a pena os R$6,90 cobrados. A revista do Ronin Soul Studio e publicada pela editora Nomad confirma a possibilidade, mesmo que árdua, do Brasil começar a lutar pelo seu espaço nesta mídia.
Apesar disso, reparem que cada uma dessas revistas foi publicada separadamente. A Kaos terminou na terceira edição. Vamos rezar para que a Ronin Soul dure bastante tempo ainda. Mesmo porquê, é uma iniciativa mais ambiciosa e que precisa de mais tempo na banca
Por isso, estimados leitores, descartem qualquer história ruim. Seja ela brasileira ou não, mas ao ver exemplos como estes, de quadrinho nacional de qualidade dêem uma chance. Fico pensando se cada vez que alguém fosse comprar uma revista d Rob Liefeld ou a enésima edição do conflito final do Homem-aranha com o Duende Verde, desse uma chance à novos autores, independentemente de serem ou não brasileiros, talvez novos gibis brazucas fossem mais sustentáveis e mais fáceis de serem publicados e encontrados.
Vale lembrar que, ao contrário do cinema e do teatro, o quadrinho nacional ainda não conta com uma legislação específica e direta que privilegie e encoraje o surgimento de novos autores. Enquanto vemos cada vez mais brasileiros despontando no exterior, parece que o Minc não evita o velho estereótipo de conseguirmos mais sucesso fora do país do que dentro.
E para não dizer que tudo é desanimador, Jean Canesqui, roteirista do personagem O Homem que Tudo vê, publicado na Kaos! afirmou que espera negociar algum novo projeto para o ano que vem. Vale a pena esperar, mas vale a pena comprar também.
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