 |
Nós vimos: Heróis Imaginários
Por Carlos Dunham — Quarta, 16 de novembro de 2005
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Uma pequena jóia cinematográfica
Volta e meia, surge um pequeno filme do qual a princípio não se espera nada e, quando vamos assisti-lo, percebemos que estamos diante de uma pequena jóia cinematográfica. Essa é a sensação que nos transmite Heróis Imaginários, escrito e dirigido por Dan Harris, e que traz Sigourney Weaver de volta aos grandes papéis protagonistas que a atriz da série Alien ocupava nos anos 80.
No filme, Weaver é Sandy Travis, uma mulher amargurada após uma tragédia familiar que - assim como o marido (Jeff Daniels) e os filhos (Emile Hirsch e Michelle Williams) - não consegue superar os traumas ocasionados por esta; prestes a incursionar pelo universo das drogas e vivendo às turras com os demais membros de sua família, Sandy Travis encontra-se no exato turning point entre a lucidez e a loucura.
Tinha tudo para parecer um filme depressivo, mas não é. Demonstrando maturidade e competência como cineasta, Harris (que aqui estréia como diretor) utiliza uma fotografia soturna e uma direção de arte criteriosamente pesadona para dissecar todo o ambiente opressor no qual os Travis mergulharam após a perda do filho primogênito. Como o pai amargurado, Jeff Daniels mais uma vez confirma ser o excelente ator que sempre foi (embora extremamente sub-estimado), enquanto Emile Hirsch, por sua vez, revela que, se não é um ator do nível de, por exemplo, Kieran Culkin (que o engolira nitidamente em Meninos de Deus, onde trabalharam juntos), tem capacidade suficiente para empregar sua fisionomia (que expressa, de forma inata, insatisfação e aborrecimento) na composição do, agora, único filho homem dos Travis.
Sendo basicamente um filme de texto & elenco (em dados momentos, Heróis Imaginários transmite até mesmo a impressão de ser adaptado de uma peça teatral), a qualidade de seus atores e a forma como expressam a palavra escrita é algo que ocupa um papel decisivo em seu resultado. Ciente disso, o diretor concentra os grandes momentos de sua trama em Sigourney Weaver, e consegue extrair o melhor de Hirsch, sendo interessante observar que as falas da grande atriz dependem muito mais de seu maravilhoso trabalho de interpretação, enquanto os momentos do rapaz seguram-se brilhantemente pela situação e pela circunstância apresentada. Assim, demonstrando maturidade na construção de seu filme e trazendo um roteiro maravilhosamente burilado, Heróis imaginários revela-se uma das mais gratas surpresas da temporada. Um excelente filme. ¤
|
 |