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The next big thing
Por Maria Luiza Porto — Segunda, 7 de novembro de 2005
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A sociedade se move em torno de ciclos comportamentais. Um dia todos estão indo em uma direção, seguindo uma filosofia de vida ou crença religiosa, estilo de linguagem e indumentária e, de repente, surge algo novo que quebra a corrente, inverte a maré e faz tudo funcionar diferente. No trabalho, o ócio criativo. Na religião, a cabala. Na saúde, a "Iôga". Na música, o elektro-punk-pop-baião. Na culinária, lichia com capim limão. No amor, o relacionamento aberto. No sexo, enciclopédias burocráticas. A pergunta é: como surge esse tipo de behaviorismo repentino?
Até um tempo atrás, vigorava a ditadura das virgens. Britney Spears liderou o movimento pueril mundial, apoiada por Christina Aguilera e Jessica Simpson. Por aqui, Sandy levantava sua bandeira imaculada das "sexy simbols intocadas" com a ajuda de Wanessa Camargo. Reação ou repressão? Não se sabe dizer. Pode-se até pensar em uma estratégia de publicidade de algum marketeiro visionário. Mas a moda pegou e só se falava disso na época. Todas as adolescentes de cabelos platinados vestiam rosa-pink e se devotavam a conservar suas vergonhas intactas. Mas, como notícia velha embala carne no açougue, nada durou muito tempo.
Pouco depois, já podíamos clicar na MTV e assistir Britney rebolando numa sauna a vapor semi-nua entre dançarinos musculosos. Christina chafurdando na lama com seu disco Dirrty, apelando para modelitos duvidosamente "sexys" que beiravam um freak show. Até piercing na genitália a moçoila fez. Wanessa Camargo contagiou os tupiniquins fazendo suas estripulias boêmias divulgadas diariamente pelos fofoqueiros de plantão. A única que não trocou a auréola por um colar de "sadô-masô" foi a bonequinha Sandy - o que me faz pensar que era a a única autêntica nessa história toda.
Hoje, quem reina em absoluto é Paris Hilton, a milionária liberada que só pensa em festas e marcas de roupa, e que possui uma lista de namorados maior do que a de sonegadores de imposto de renda. Famosa simplesmente por ter grana, a darling inaugurou o gênero bitch-cool, que promove saias minúsculas e falta de assunto. Mas algo me diz que sua dinastia está chegando ao fim. Aguardamos cenas dos próximos capítulos.
No universo masculino, o ciclo metrossexual evoluiu e agora a moda é ser gay mesmo ou, no mínimo, bi-curious. Não vemos mais um homem em evidência na mídia que não tenha mudado o corte e a cor de cabelo, pelo menos, umas duas vezes no último mês. Agora eles entendem de moda e tem um personal alfaiate, personal trainer, terapeuta e manicure. E ainda dão conselhos quando você briga com sua mãe.
Não me espantaria se chegasse o tempo em que as mulheres voltarian a usar anágua e os homens chapéu e colete. Em que a moda seria dançar "música lenta" de rosto colado em boite e que a última dica para manter a forma fosse subir em árvores e se jogar. Os grandes chefs esqueceriam o azeite e cozinhariam tudo em banha de porco. Os homens voltariam a cuspir no chão e coçar o saco. E a Paris Hilton se converteria a freira e viria morar num convento de Carmelitas aqui na Gávea.
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