Quadrinho independente vs. Fanzine

Por Eloyr Pacheco — Quinta, 27 de outubro de 2005

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Estes dias ministrei uma palestra na Escola Técnica Estadual José Rocha Mendes, na Móoca, convidado pelo pessoal do HQEMFOCO e nos deparamos com uma discussão que parece idiota, besta mesmo, mas que tem fundamento. Diante de uma platéia de umas sessenta pessoas, formada por pré-adolescentes de 12 a adultos de 45 anos, eu fiz distinção entre os termos “Fanzine” e “Publicação Independente”. Depois, visitando a sede da escola, a discussão continuou e Daniel Esteves, coordenador da palestra/debate, comentou concordar comigo em relação a esse assunto.

O termo fanzine - que todo mundo sabe que se originou da fusão das palavras fã (fanatic) e magazine – ganhou força de tal maneira e tornou-se um “genérico”, um verdadeiro sinônimo para designar uma revista de produção independente que nem sempre trata de assuntos de fã.

Fanzine, pelo menos para mim, é quando um fã escolhe um assunto escreve sobre ele e auto-edita. Exemplo disso é o (acho que extinto) Gigante Verde que o fanzineiro escolheu como tema principal o personagem Hulk e, como tema secundário, o Universo Marvel. Isso sim, para mim, é um fanzine: um fã escrevendo sobre o Hulk e mandando cópias de sua “revistinha” para outros fãs do mesmo gênero. A famosa (e hoje “caidaça”) Wizard começou como fanzine sendo o seu assunto principal quadrinhos.

Publicação independente é quando o(s) editor(es) reúne uma série de personagens (no caso de quadrinhos) e os publica. Os personagens podem ser seus e também de seus amigos e conhecidos (um tipo de nepotismo saudável, a chamada “panela”). Por que fanzine? Por que o cara é fã do seu próprio personagem?

Hoje temos ótimas publicações independentes que são importantes para a indústria do quadrinho nacional e ainda são chamadas de fanzines, talvez até numa forma velada de preconceito. Alguns poucos exemplos:

Areia Hostil (Rio Grande, RS), de Lorde Lobo e Law Tissot, que teve seu décimo terceiro número lançado recentemente. Nesta edição de 40 páginas e em Preto & Branco os editores, além de seus próprios trabalhos, abriram espaço para quadrinhistas como Gerson Witte; All Silva; Edgar Franco; Vagner Francisco; Toni Francis e Samuel Bono.

Link da Areia Hostil http://www.areiahostil.com.br/


A Brado Retumbante (Olinda-PE), produzida pela cooperativa de mesmo nome, trabalha a venda da edição #3. Em suas 68 páginas publica personagens na linha de super-heróis de quadrinhistas como Cidclay Laurentino, Francinildo Sena, Rodrigo Garrit e Lula Borges.

Link da Brado http://www.bradobr.cjb.net/




A famosa Quadreca (São Paulo-SP), chega ao número 14, e pela primeira vez vai para as bancas, publicada pela Editora-Laboratório Com-Arte e, também com 68 páginas em P&B, apresenta trabalhos de gente como Rogério Hanata, Sam Hart, Leonardo Pascoal, Marcio Baraldi, Daniel Esteves e Val Andrade.

Link da Quadreca http://www.quadreca.8k.com/



A Campana (Recife-PE), de Sandro Marcelo, não publica somente sua criação, o Blagster, mas também abre espaço para outros personagens. Na edição #2 (a #3 está em produção e deve começar a ser vendida na segunda quinzena de novembro) tem o Judas Sangrento, de Leonardo Santana e Lula Borges e também uma tirinha do Bucha, de Samuel Bono.

Link da Campana http://revista-campana.blogspot.com/



Acho que devemos pensar um pouco sobre o uso do termo fanzine e adotar definitivamente o termo publicação independente para valorizar esse tipo de publicação que já se constitui como uma linha e aceitá-las como parte do mercado de quadrinhos. Não que eu não goste do termo fanzine, mas acho que como indústria devemos nos conscientizar que essas publicações estão movimentando gente pela Internet através de sites, blogs e fotologs e, com isso, sendo comercializadas. Não creio que devamos rotular simplesmente para que tenhamos segurança de em que território estamos pisando, mas, para determinar um espaço que vem crescendo e ganhando cada vez mais títulos. E neste artigo eu só mencionei alguns exemplos. Há muitos outros.

Até breve! Valeu!




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