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Entrevista com a dubladora da Chiquinha!
Por Humberto Yashima — Segunda, 10 de outubro de 2005
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A profissão de dublador nunca teve o merecido crédito. Seja em séries de TV ou filmes, esses profissionais da voz normalmente são desconhecidos para o público em geral. Há pessoas que, por terem assistido alguma produção em que a dublagem deixava a desejar (feita por dubladores despreparados ou com pouca experiência), torcem o nariz para qualquer filme ou série que seja em “versão brasileira...”. Dublar é uma arte, e deveria ser reconhecida como tal.
Cecília Lemes é uma das mais experientes dubladoras em atividade; já dublou personagens de animês, como a Lucy de Guerreiras Mágicas e a Ritsuko de Evangelion, além de atrizes como Fran Drescher (Fran em The Nanny), Debra Messing (Grace em Will & Grace) e María Antonieta de las Nieves (Chiquinha em Chaves).
Outra atriz que Cecília já dublou foi Sela Ward (Lily em Once and Again), para a qual recentemente voltou a “emprestar a voz” no filme Loucura Urbana (Suburban Madness) – Sela é a atriz que aparece no monitor, na foto tirada pelo diretor de dublagem Élcio Sodré no dia 28 de setembro. A seguir, a entrevista feita por e-mail com Cecília Lemes.
Como você começou a sua carreira de dubladora?
Foi em 1969. Tinha 9 anos na época. Eu trabalhava na televisão, programa Zás-Tráz, na Globo, e fui convidada para fazer um filme para o cinema chamado A Marca da Ferradura. O filme precisava ser dublado; eu soube que uma mulher dublaria a minha personagem e eu não conseguia aceitar isso. Foi aí que consegui fazer um teste e eu mesma acabei dublando a minha personagem. Foi no estúdio Odil Fono Brasil. Comecei então a minha carreira como dubladora. Comecei bem, pois, na época, não havia crianças na dublagem. Continuei dublando muitas coisas na Odil: filmes, desenhos, séries, comerciais, e tudo que tinha de ser dublado. Também trabalhei na AIC (hoje BKS), que era o outro estúdio existente em São Paulo.
Os atores de dublagem trabalham para um estúdio fixo ou são escalados conforme as necessidades dos clientes?
Os dubladores não têm vínculos com os estúdios de dublagem. Quando os filmes, séries e comerciais têm de ser dublados, os distribuidores ou as agências, conforme o caso, contratam os estúdios para a gravação do material. É aí que os dubladores são chamados para dublar.
Para qual atriz ou personagem você mais gostou de "emprestar a sua voz"?
Nestes 38 anos de profissão dublei muita coisa e parece sempre que o último trabalho é o que me dá maior satisfação, afinal eu amo dublar. Mas a personagem Chiquinha, que dublei há mais de 20 anos, me marcou muito, porque criou uma comunicação maior com o público.
Fale um pouco da sua convivência com o saudoso Marcelo Gastaldi, o dublador de Chaves e Chapolin.
Marcelo foi um grande amigo. Trabalhamos juntos muito tempo, antes mesmo de dublarmos o Chaves. Viajamos com peças de teatro, fizemos o Gente Inocente na TV Tupi e dublamos muita coisa juntos. Éramos tão amigos que até na praia fizemos casas vizinhas (a boa vizinhança já estava aí). Os quatro filhos do Marcelo e da Olga e as minhas duas filhas brincaram muito. Pelo show de interpretação e talento no Chaves, você pode imaginar o profissional que foi o Marcelo.
Quais são os seus mais recentes trabalhos?
Estou dublando a série do desenho Ran Samurai Girl. Faço a Ran, uma mulher meio maluca que só pensa em saquê. É bem divertido. Estou dublando também Os Anjinhos no Jardim de Infância. Nessa série, dublo uma professora que exige várias formas de interpretação. É um trabalho muito bonito, que requer uma técnica muito aprimorada. Esse desenho eu recomendo para todas as crianças, porque é bem educativo.
Você esperava ver reunidos tantos fãs das séries Chaves e Chapolin no 1º Festival da Boa Vizinhança, evento que aconteceu no dia 03 de setembro? Como é ter o seu trabalho reconhecido por tantos fãs?
Ver tanta gente que gosta do meu trabalho é muito gostoso. Com exceção do Canal Disney, que cumpre a Lei brasileira colocando os nossos nomes nos créditos, nenhuma TV mostra quem são os artistas de dublagem. Mesmo assim, os fãs nos reconhecem e nos prestigiam, proporcionando-nos essa aproximação que demonstra o seu carinho e reconhecimento pelo nosso trabalho. Só senti muito que neste último encontro não foi possível estar com todos, pois o lugar ficou pequeno, mas estou feliz em saber que estão programando outro evento com espaço maior, em que farei questão de estar lá com todos vocês. ¤
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