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Entre homens e meninos
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 5 de outubro de 2005
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Em 1978, Super-homem, de Richard Donner trouxe às telonas um ator com feições fortes e amadurecidas para interpretar o último filho de Kripton. Christopher Reeves confirmava uma tendência do cinema mundial que recentemente parece vir cada vez mais abaixo.
Se há vinte anos, super-heróis eram esteticamente mais fortes e amadurecidos, o primeiro Super-homem que o século XXI conheceu, Tom Welling, vinha na contramão deste processo: um herói com cara de menino, com jeito frágil. O lema deixava de ser “sou o mocinho, se impressionem comigo!” para “sou o mocinho e você tem que me amar”. De Tobey Maguire, como Homem-aranha ao hobitt metrosexual Frodo (Elijah Wood), os heróis parecem estar cadê vez menos homens e mais ainda meninos ou mais femininos. Talvez por estarmos em tempo de busca de uma juventude inalcançável ou de um culto ao corpo e à estética quase obsessivo.
Não que esse tipo de preocupação signifique homens com cara de mau. O próprio Reeves era tão bom moço quanto Maguire, a diferença estava na forma como os dois interpretariam seus personagens no cinema. Super-homem e Homem-aranha são hoje os grandes ícones do cinema comercial quando se fala em adaptações de histórias em quadrinhos. Se Super-homem mostrou que era possível fazer um filme de super-heróis, Homem-aranha confirmou o retorno do gênero (ressuscitado por Blade e X-men). A diferença é que o divino Super-homem pode fazer tudo – até mesmo o tempo voltar – limitado apenas por suas próprias escolhas morais. Enquanto o próprio Peter Parker conta apenas com seus limitados poderes e outros tantos problemas para resolver. Dessa forma, a fragilidade e invencibilidade de cada herói definiam suas estéticas.
A exceção em Tom Welling concentra-se por abordar um Super-homem novo e ainda indeciso. Em contrapartida Brandon Routh parece confirmar essa tendência. Com traços muito mais finos do que Reeves, porém mais fortes do que Welling, sem dúvida.
Em toda essa discussão a respeito dos heróis, as heroínas ainda não se posicionaram firmemente. Halle Berry aparece pouco em X-men e Jeniffer Garner não foi feliz com o insosso (meu Deus, como fizeram aquilo?) Elektra. Resta saber se as heroínas serão feministas carentes como Sonja ou Billie Jean.
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