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Marcelo “Quebra-Queixo” Campos – Parte 1 de 2
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 26 de novembro de 2003
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A personagem Quebra-Queixo não tem nada em comum com Marcelo Campos. Marcelo não é violento (nem carrancudo), muito pelo contrário, é um dos artistas mais sociáveis que conheço. Num jargão popular, dele pode ser dito que o cara é uma “mãe”.
Conheci Marcelo Campos numa das minhas vindas de Londrina para São Paulo, num evento de quadrinhos na Escola Pan-Americana de Artes. O criador de QQ (só para íntimos) estava tão cercado por pessoas que eu decidi socorrê-lo, dando uma de coordenador. Depois de arranjar-lhe um lugar mais confortável que um corredor, separei os que queriam autógrafos dos que queriam entrevista. Só então eu me apresentei ao Marcelo. Solícito, como sempre, atendeu a todos. Depois me agradeceu com um sorriso e um elogio. Se não me falha a memória, isso ocorreu há dez anos.
O trabalho autoral de Marcelo Campos eu conheci na Pau Brasil, revista publicada pela Editora Vidente, em 1992. Nos anos 1980, entre os muitos títulos que ilustrou, Marcelo desenhou He-Man e Bravestar, dos quais tenho exemplares guardados. Marcelo foi o primeiro brasileiro a entrar na grande indústria americana de quadrinhos. Em 1988, ele desenhou DeathWorld, Retief e Dollman, para a Malibu Publishing. Depois veio a colaborar com DC Comics, Marvel e Dark Horse.
Marcelo sempre mencionou que o que ele queria mesmo era desenhar no seu estilo, muito influenciado, ao meu ver, pela linha clara européia, que tem Daniel Torres como exemplo. Não queria apenas tornar-se um seguidor de estilos que se tornavam uma tendência de uma hora para outra. Aliás, êta indústria complicada, hein?! Deixe-me explicar: é que, nos anos 1980 e 1990, se um estilo agradasse ao público, os editores logo providenciavam “clones” para segui-lo.
No press release distribuído para o lançamento de Quebra-Queixo Technorama, vale destacar um trecho onde Marcelo faz o seguinte comentário: “Sempre me agradou a idéia de ver o Quebra-Queixo sendo reinterpretado, não só em termos de traço, mas também pelos roteiros com estilos, influências e concepções diferentes das minhas.” Esse é o artista Marcelo Campos.
Marcelo me disse essa semana que entrou em um blog, “e que o pessoal tava meio que metendo o pau... Diziam que esse negócio de passar o trabalho pra outros fazerem é coisa de professor de faculdade que deixa a sala e vai tomar um cafezinho enquanto os alunos ficam sozinhos... Achei engraçado”. Eu o conheço bem, ele não faz isso. E achou engraçado mesmo!
O criador de QQ me afirmou que “a idéia do álbum é continuar publicando um personagem meu e ao mesmo tempo dar oportunidade (já que me deram a honra e a confiança pra isso) aos alunos, dentro de uma estrutura profissional de publicação. É uma maneira fantástica de apresentar novos artistas, novas possibilidades. Já previa as críticas, elas não me chateiam”. Me revelou também que já está trabalhando em um segundo álbum. “Vamos apresentar outros personagens, contaremos com a participação de outros alunos e de artistas convidados também. No primeiro álbum temos o Rael Lyra, lá de Recife. No segundo... ainda não escolhi quem será... Tenho três materiais pra colocar lá, um de um pessoal de Portugal, muito bom, outro de um pessoal de Porto Alegre, e outro de um pessoal de Minas (Gerais). É muito legal, quando convido os artistas para participarem do álbum e tenho uma recepção boa. Isso me deixa muito feliz. Neste segundo álbum, os roteiristas também serão outros... não sei ainda se o [Octavio] Cariello vai participar deste, já que no primeiro ele fez três dos cinco roteiros, mas tenho o Sérgio Codespoti - do Universo HQ - e tenho alunos do curso de roteiro também. Devo fazer dois dos roteiros dessa segunda edição. Mas é claro que tudo vai depender da venda desse primeiro álbum... então espero que venda legal mesmo.”
Continua na próxima edição!
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