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Nós vimos: Coisa Mais Linda
Por Carlos Dunham — Quinta, 1 de setembro de 2005
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Olha que coisa mais feia, mais toda sem graça... 
É verdade que a Bossa Nova é um gênero musical que tem, ainda, muitos admiradores. E também é verdade que, ao analisarmos Coisa Mais Linda, o que está em jogo é o filme em si e a sua qualidade enquanto Cinema, jamais os gostos musicais de quem o avalia. Mas, se Coisa mais linda se pretende ser a própria tradução da história da Bossa Nova, e uma vez que esse objetivo o filme consegue atingir (se funciona na tela a estória é outra - a nosso juízo, não funciona), acaba sendo impossível dissociarmos o estilo musical que o filme aborda com o resultado cinematográfico desse documentário de Paulo Thiago - que ecoa desafinado, ainda que aos admiradores da Bossa Nova isso talvez provoque imensa dor...
A Bossa Nova tornou-se um ritmo famoso ao surgir, nos anos 60, por aquela que talvez seja a sua maior qualidade: a de não requerer uma métrica apurada, permitindo que o som surja livre, sem amarras ou regras de construção semântica (?) que, por sua própria existência, já soariam estranhas ao se compor uma letra musical. Algumas músicas sobreviveram ao tempo. Outras, a maioria delas, não. Preocupado em ser completo, Coisa mais linda acaba por resgatar músicas fracas, que o tempo havia apagado, o que curiosamente conta pontos no aspecto documental mas enfatiza de forma ainda mais intensa os erros do estilo musical abordado e do filme em si. O próprio fato de a maioria de seus cantores e compositores hoje estarem praticamente esquecidos é outro aspecto de ênfase da efemeridade do gênero.
Nas mãos de um diretor competente, Coisa Mais Linda ainda poderia funcionar enquanto Cinema, pois um documentário sobre música é um prato cheio para cineastas botarem a câmera para dançar e, assim, conquistarem o espectador que aprecie ver não um livro de história filmado, mas sim um bom filme. Contudo, Paulo Thiago é um diretor de recursos muito simplórios, que já teve material melhor em mãos e nem assim conseguiu alcançar um resultado positivo - vide o caso de Jorge, um brasileiro e Policarpo Quaresma, herói do Brasil. Ironicamente em se tratando de um filme sobre música, faltou aqui nada menos que ritmo. Pode-se até gostar de Bossa Nova - isso é uma questão de gosto. Contudo, mesmo sendo verdade que apreciar ou não um filme também seja uma questão de gosto, para alcançar a total satisfação do espectador (principalmente os que não apreciam o gênero musical abordado) bem que Thiago poderia ter trabalhado melhor esse aspecto. ¤
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