"Zumbi é o novo ninja!"

Por Felipe Meyer — Quarta, 17 de agosto de 2005

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Eu ouvi a frase acima de um conhecido, durante uma sessão de filmes na casa de um amigo em comum. Piadas à parte, é inegável a força com que retornou a temática dos mortos-vivos ao cinema e aos quadrinhos dos últimos anos. Filmes como Resident Evil e Extermínio apenas abriram as portas para uma legião de boas histórias (algumas nem tão boas assim, admito) de zumbis comedores de cérebros e outros monstros mais nobres. Nos quadrinhos, nomes como Steve Niles e Robert Kirkman parecem competir para decidir quem será o próximo George A. Romero da arte seqüencial. E é por uma infinidade de motivos como esses que a coluna Gringolândia dessa semana dará um foco todo especial nas histórias em quadrinhos de terror, principalmente naquelas que mostram o pior do “outro lado”.

The Walking Dead #20

Eu acho que nunca vou me cansar de tecer elogios a Robert Kirkman, especialmente quando se trata de The Walking Dead. Se as coisas continuarem no ritmo em que estão, sou capaz até de ir conversar com ele e pedir uma comissão de publicidade, pois já perdi a conta de quantos amigos e conhecidos transformei em fãs dessa ótima série. A espera pelo vigésimo número foi grande, quase insuportável, mas em muitos aspectos valeu a pena. Primeiro porque Kirkman mantém aquela narrativa ágil e ainda assim cheia de detalhes, fazendo você colar os olhos na revista. Segundo porque os desenhos de Charlie Adlar estão mais grotescos a cada dia que passa (e, lembrando que é uma HQ de zumbis, isso é uma crítica bastante positiva).

Pra finalizar, tudo começa a se acertar para os personagens: eles ganham novas roupas, muitos livros para passar o tempo e parece que até vão ter eletricidade em pouco tempo. Nem tudo são flores, claro, caso contrário o gibi não seria o sucesso que é. Um deles vai morrer, isso é certo (pelo menos, na minha opinião, vão se livrar de um dos membros mais inúteis do grupo). A dúvida fica para a maneira como isso ocorrerá. Na pior (e mais provável) das hipóteses, o processo porá mais uma vez em teste os ideais e a sanidade do líder Rick.


Zombie King #0

Outro grande artista de quem sou fã confesso é Frank Cho. Boa parte disso, admito, tem a ver com as mulheres maravilhosas que ele desenha (em especial as com atributos a la Aria Giovani). Mas a maior parte é devido ao inegável talento de Cho em exagerar as características marcantes de seus personagens sem torná-los cômicos demais mas sim fazê-los mais reais e transparentes. Ao abrir a edição zero de Zombie King você pode compreender a história toda sem sequer se preocupar em ler os diálogos. Infelizmente, essa é exatamente a melhor forma de ler o gibi. É fácil supor que não são as habilidades de Cho como roteirista que põem comida na mesa.

Pra resumir a história, uma indústria farmacêutica desenvolve um medicamento milagroso que acaba tendo efeitos colaterais indesejados, e bastante óbvios. Seus executivos conseguem abafar o caso e elaborar um plano de indenização das famílias que não os leve à falência. Mas, claro, algo dá errado e logo haverá centenas de mortos-vivos caminhando por aí. Os defuntos respondem somente aos dois instintos mais básicos: comer e fornicar. Ponto positivo pela inclusão do “fornicar”, que garante uma cena hilária no início da história. Ponto positivo pelos desenhos maravilhosos. Ponto negativo pelo pano de fundo super-batido.

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Dead World #1

Um dos mais recentes lançamentos utilizando o tema “zumbinesco”, Dead World é na verdade a retomada de uma antiga série que teve início na década de 80. Nela, os sobreviventes de um mundo devastado têm de lidar não só com os já conhecidos comedores de cérebro ambulantes e estúpidos mas também com demônios e todo tipo de monstro. Não conheço a série anterior portanto não posso traçar um paralelo com o novo título ou mesmo opinar sobre as origens da trama. Porém parece ainda carecer de uma certa maturidade, uma narrativa mais familiar aos leitores do novo milênio. A arte de Vince Locke é bastante eficiente, com um estilo ágil e limpo que me cativou. O roteiro de Gary Reed, no entanto, deixa bastante a desejar. Ele consegue conduzir a história de forma rápida e digesta, muito próximo do que faz Robert Kirkman em The Walking Dead, porém sem criar aquela ansiedade pela edição seguinte que fez Kirkman ocupar uma posição alta em minha lista de escritores favoritos. Talvez fosse o caso de esquecer o zumbis falante pilotando uma Harley Davidson que com certeza deve ter feito sucesso vinte anos atrás e investir no pano de fundo aparentemente religioso que, acredito, agradará mais aos leitores de hoje.

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Army of Darkness: Shop Till You Drop Dead

Você conhece a história: cara conhece garota, garota é possuída por um espírito maligno e cara é mandado ao passado para combater hordas de zumbis. Ou pelo menos deve conhecer, se fizer parte dos milhões de pessoas normais que em algum ponto da vida assistiram (mesmo que forçadas) às desventuras de Ash na trilogia Evil Dead (Uma Noite Alucinante).

De volta ao presente e ao seu emprego na loja de departamentos S-Mart, Ash pode finalmente relaxar sabendo que os maiores perigos que enfrentará são a fúria de seu detestável chefe e os ciúmes de sua amada Sheila. Ou não?

Sangue, moto-serra, mão decepada... Não é difícil prever o que está por vir, e exatamente por isso a diversão é garantida. A arte de Nick Bradshaw casa muito bem com o sarcasmo de Ash e seus novos companheiros, sem falar no roteiro quase demente de James Kuhoric. Como é de praxe, a Dynamite Entertainment lançou a série com várias capas alternativas, assinadas por artistas como Ale Garza, Paolo Rivera e Sanford Greene (que assumiu o lápis na terceira edição).

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Western Tales of Terror

Se zumbis são a onda do momento, eu não canso de afirmar que os faroestes serão a próxima. Talvez por pura coincidência ou por pura inteligência, Western Tales of Terror faz uma bela união dos dois temas, com mocinhos e bandidos empunhando suas colts contra todo tipo de assombração. Ao abrir as páginas de cada número somos recepcionados por Pete, um sujeito cadavérico e com cara de poucos amigos, que alega ter visto “coisas que fariam um cavalo se borrar” e feito “coisas que fariam uma prostituta corar”. No melhor estilo dos antigos quadrinhos de terror, ele narra diversos “causos” surgidos das mentes de quadrinistas como Steve Niles, Tony Moore, Benito Cereno e outros.

A edição final da série, a de número 5, traz entre outras coisas uma história de Tom Mandrake (Call of Duty: The Precinct) intitulada The Devil’s Gate, sobre bruxaria no período após a guerra civil estaduniense; e Gold Miner’s Slaughter, um conto de zumbis por Steve Niles e Scott Mills. Como toda antologia de terror que se preze, Western Tales of Terror tem seus altos e baixos, não mantendo um padrão de qualidade dos mais constantes. Ainda assim tem o mérito de ter reunido um time incrível de profissionais e histórias para diversos gostos. Tenho poucas coisas ruins a falar dela.


Moonstone Monsters: Zombies

Fugindo bastante do gênero que domina as editoras de quadrinhos, a Moonstone Books optou por dar as costas às capas e cuecas fora das calças e se especializou em quadrinhos mais clássicos, com novas de Sherlock Holmes e do investigador do paranormal Kolchak. Apostou também fortemente nos faroestes, com títulos como Wyatt Earp, Geronimo: Last Apache Warrior e Cisco Kid; mas dá suas contribuições também ao gênero que é tema dessa coluna: o terror. Uma das mais atraentes delas é a antologia Moonstone Monsters, que a cada edição traz histórias curtas sobre um monstro específico.

Depois de lobisomens, múmias e demônios, não podia faltar uma edição toda dedicada àqueles que se erguem dos túmulos para comerem nossos cérebros. Apesar de contar com nomes menos conhecidos, Moonstone Monsters: Zombies não fica tão atrás de Western Tales of Terror e traz três histórias que, se não são ótimas, são no mínimo interessantes. Entre elas, o destaque vai para Crime & Authority, sobre um sujeito que descobre que foi um zumbi a vida toda e agora, livre do feitiço, não consegue mais se encaixar na sociedade.


The Atheist #1 e #2

As novas parcerias entre as grandes editoras e estúdios menores têm gerado algumas boas surpresas entre os diversos títulos que vêm sendo despejados no mercado. A Image é um belo exemplo disso, trazendo séries interessantes como Imaginaries e The Atheist.

Antoine Sharper é um Fox Mulder invertido. Ele não busca a verdade, pois talvez seja o único a conhecê-la. Ele é chamado de “Ateísta” pelas costas devido ao seu imensurável ceticismo e irritante obsessão pelo raciocínio lógico. Pés-grandes, chupacabras, fantasmas... para ele não passam de boatos, alucinação coletiva e delírios causados por indigestão. Mas quando os mortos decidem fugir do tédio que é o “outro lado” e reencarnar em crianças e adolescentes, Sharper vê todas as suas explicações falharem diante das provas.

Destaque para o Dr. Barrow, um cientista infestado por um tipo de câncer que copia e substitui as células de seu corpo, uma criaturinha nojenta muito bem retratada no traço de John McCrea.

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VEJA TAMBÉM...
29/09 > Ash volta aos quadrinhos
28/09 > O Crossover para acabar com todos os outros
26/09 > Kirkman, Vingadores e a festa que você perdeu
06/07 > Os Zumbis de Frank Cho

 

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