Fixação Científica

Por Elias Lascoski — Sexta, 5 de agosto de 2005

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!

Era uma vez um filme chamado Guerra dos Mundos. Só que eu não assisti, mas gostaria de comentar assim mesmo (uma coisa bem complicada). Me sinto bem mais à vontade para fazer isso depois de assentada a poeira e amainada a euforia em torno de Tom Cruise e Steven Spielberg, e sua visão escatológica (no sentido menos conhecido) da possibilidade do fim do mundo como o conhecemos. Como de costume, começo derivando para assuntos similares, dos quais acabarei falando mais do que deveria.

A Ficção Científica nasceu filosófica, numa postura de questionamento perante o universo, uma superação ao conformismo das lendas arturianas e dos contos medievais de Robin Hood, mas com o mesmo fascínio pelo inverossímil, canalizado em temáticas mais adequadas à loucura da “modernidade” pré e pós Revolução Francesa, que respirava a essência do mote “dias melhores virão”.

O precursor da ficção científica surgiu nesse contexto, com a história de dois deslumbrados habitantes de Sírius e Saturno, incomensuravelmente imensos (como eu amo essa expressão!), visitando nosso planeta. O conto Micrômegas foi escrito por François Marie Arouet, nada mais nada menos que o filósofo iluminista, satírico e pessimista Voltaire, conhecidíssimo por seus libelos e textos panfletários que desmoralizavam os poderosos e hipócritas de sua época (vide o romance Cândido, cuja irritante inocência foi imortalizada por seus “descendentes” nos quadrinhos, cinema e TV).

Se a princípio o germe do gênero sci fi incorporava objetivos políticos de contestação, o crescimento irrefreável das mais diversas revoluções fez a história se repetir como farsa várias vezes. E aqui estou eu mais uma vez traçando uma linha cronológica positivista, mas sem pretender que ela represente um crescimento evolutivo. Antes, uma pincelada na definição de Ficção Científica. Conhecida pelos seus frutos mais visíveis, como a franquia do nerd George Lucas Star Wars e o cultuado seriado Star Trek, a FC acentuou gradualmente as fronteiras com a literatura fantástica, buscando sua independência. Enquanto a Fantasia trata de um suposto devir, ou de eventos impossíveis mediante teses especulativas, a Ficção Científica divaga sobre o porvir, sobre o que poderá ou poderia ter sido, com respaldo na ciência e seus postulados e princípios. Ela desafia os limites da razão, não se contentando em fazer cócegas na porção emocional do nosso cérebro.

Quando as fronteiras ainda eram tênues, Julio Verne já explorava as faculdades racionais de uma nova forma de contar histórias. E lá foi ele bisbilhotar o centro da terra, viajar ao redor do mundo, explorar o fundo do mar e empreender uma jornada à lua, tudo com bases científicas sólidas e “provas” cabais, ainda que fictícias.

A nova guinada só ocorreu na virada do século XIX para o século XX, em meio à efervescencia da Revolução Industrial, que, como já era de se esperar, deu novo fôlego e embasamento técnico às divagações dos ficcionistas. É desta época o maior de todos, H.G. Wells – orientado cientificamente, mas voltado à crítica social, com um cunho socialista implícito. Com seu estilo simultaneamente engenhoso e simbólico, A Máquina do Tempo é a mais bela amostra de sua concentrada produção (cinco grandes clássicos em 5 anos). É neste livro que Wells nos apresenta a um futuro que relegou metade dos habitantes do planeta à condição de párias, residentes dos subterrâneos geográficos e morais – uma raça conhecida como morlocks, não por coincidência o mesmo nome dos mutantes marginais da Marvel, que vivem nos esgotos e subways. A obra conta com um elogioso prólogo de Jorge Luis Borges, renomado escritor de ficção, que considera Wells um “herdeiro das concisões de Johnatan Swift” (As Viagens de Gulliver).

Aquela conhecida imagem de Albert Einstein mostrando a língua*, em 1945, não tem quase nada a ver com FC, mas é uma cena emblemática, que resume as novas preocupações da ciência, e na mesma esteira, da cultura (alta, média ou baixa). A humanidade estarrecida passou a se preocupar com o apocalipse real: o ser humano destruindo a si próprio. Com o advento e as conseqüências esperadas e inesperadas da Revolução Tecnológica, tudo se tornou mais fácil para os nossos queridos escritores. Será? Com uma realidade que começava a confirmar as previsões da ficção, assuntos passaram a ser matéria-prima escassa, pelo menos se voltados apenas para a aplicação prática das descobertas dos cientistas. Já não havia nada capaz de atrair os olhares do mundo tanto quanto a realidade da bomba atômica. Começam a pipocar então, antes, durante e depois do fervor da Segunda Grande Guerra, obras “delatoras” apontando novamente algumas mazelas sociais, trazendo à tona valores éticos nas relações interpessoais. Por esses motivos, Aldous Huxley e George Orwell tornaram-se clichês entre intelectuais, pois abordavam temas mais “sérios”. Mas o invólucro de um conteúdo tão nobre fazia justiça à boa e velha Ficção Científica.

Admirável Mundo Novo é até hoje o título mais reverenciado pelos que querem dar mais sofisticação às suas conversas quotidianas, e também é dono do nome mais copiado e homenageado por músicos brasileiros e estangeiros (Admirável Gado Novo, Admirável Chip Novo, e por aí vai...). Outro nome certo e garantido quando se fala em ciências da conduta é 1984 – em cujas páginas está a origem do verdadeiro Big Brother, onisciente e onipotente, vigilante da sociedade por meio das teletelas, sínteses do poder irrestrito e autoritário. Paradoxalmente, a contundente crítica a governos totalitários e à opressão de sistemas asfixiantes serviu de influência para o melhor comercial de TV da história, dirigido por Ridley Scott, para o lançamento do Macintosh, decretando o fim da ditadura da IBM (o VT está disponível no site www.brainstorm9.com.br).

Anos depois do período pós-guerra, num mar de tranqüilidade e chatice, a sci fi deixou de ser sensacionalista e alarmista, mas continuou sendo catastrofista, voltando os olhos para o potencial criativo dos temas trabalhados. Na década de 50, frente ao marasmo social e artístico da América, Ray Bradbury publica Farenheit 451, obra que se transformou posteriormente em filme, em 1966, pelas mãos do cineasta francês François Truffaut, e apenas por isso tão respeitada naquele mesmo meio intelectual presente em todas as épocas (por esse mesmo motivo o autor não gostou muito do resultado, distorcido por se mostrar mais preocupado com o caráter filosófico do que propriamente científico de sua criação). Bradbury imaginou em “um futuro não muito distante” (a máxima que persegue o gênero desde sempre) um governo ditatorial que proíbe qualquer livro ou leitura, prevendo que o povo possa ficar perigosamente instruído e se rebelar contra o status quo. Apesar da preocupação política, o mérito de Bradbury foi ter recuperado a propriedade lúdica das histórias de Verne, esquecida por muitos.

Revelando ao mundo seu ecletismo absoluto, Bradbury também presenteou os fãs com o conto de dinossauros Um Som de Trovão. A estória se passa em uma época em que viagens no tempo são comuns. Uma agência obtém o aval do governo para promover caças a dinossauros na pré-história. Porém, eles sacrificam apenas animais cuja morte já é inevitável, pois alterar o passado pode causar graves consequências no futuro. Em um desses safaris pré-históricos, um dos participantes, no afã da caçada, acaba saindo da trilha delimitada. Ao voltar, percebe uma borboleta esmagada sob sua bota, e uma situação totalmente nova que assola a nova realidade de seu tempo. O primeiro “conto ecológico” da história é uma alusão direta e traduzida do conhecido Efeito Borboleta, princípio da Teoria do Caos. Algumas edições importadas contêm ilustrações de Moebius.

E assim se originou, cresceu e amadureceu a Ficção Científica, seguindo uma direção que iria culminar, alguns anos mais tarde, na derradeira batalha contra os seres extraterrenos. Mas isso já é uma outra história... ¤


*Einstein é mais conhecido pela sua língua de fora estampada em camisetas, canecos e bonés do que pela Teoria da Relatividade. Na época em que a foto foi tirada, ele estava envolvido nos estudos sobre a fissão nuclear, e tinha plena consciência do uso militar das pesquisas, pois era financiado pelo Ministério da Defesa. Com o estouro da Segunda Guerra e a destruição em massa no Japão, Einstein passou a considerar o estudo da energia nuclear o pior erro de sua vida. Passou então a conclamar a população para que enviassem cartas pacifistas ao presidente Roosevelt, pedindo o fim dos ataques. Foi nesse contexto que ele foi abordado por um repórter e um fotógrafo, com a seguinte pergunta: "O presidente nos oferece a paz em troca do uso da bomba. E o senhor, o que oferece ao povo em troca da paz?". Einstein respondeu: "Ofereço minha língua, para que colem os selos". Parece ficção (científica!), mas é verdade.




VEJA TAMBÉM...
13/12 > Quantas temporadas até a invasão?
20/09 > Os filmes de maior sucesso no Brasil
12/08 > Fixação Científica - Parte 2
14/07 > Invasão Hostil – Parte 2
04/07 > Escaramuça Interplanetária
01/07 > Nós vimos III: Guerra dos Mundos
29/06 > Nós vimos: Guerra dos Mundos
29/06 > Nós vimos II: Guerra dos Mundos
29/06 > Guerra dos Mundos
29/06 > Nós vimos I: Guerra dos Mundos
27/06 > Guerra dos Mundos: nada a declarar!
21/06 > Tom Cruise é vítima de brincadeira de mau gosto
20/06 > Guerra dos Mundos tem trailer exclusivo para a web
14/06 > Ray Bradbury em quadrinhos
13/06 > Guerra dos Mundos: fotos da pré-estréia mundial, no Japão
10/06 > Guerra dos Mundos: ouça trechos da trilha sonora
30/05 > Assista ao trailer completo de Guerra dos Mundos!
23/05 > Novas imagens e novidades no site de Guerra dos Mundos
19/05 > Guerra dos Mundos ganha 3° teaser trailer
02/05 > Guerra dos Mundos tem novo pôster e outras novidades
08/04 > Guerra dos Mundos ganha novo trailer japonês
28/03 > Nova imagem de Guerra dos Mundos
18/03 > Guerra dos Mundos: assista ao segundo teaser!
22/02 > Assista ao teaser japonês de Guerra dos Mundos
12/02 > Veja também os comerciais de Guerra dos Mundos e Robôs
25/01 > Teaser de 30 segundos de Guerra dos Mundos liberado dia 6 de fevereiro
04/01 > As primeiras imagens oficiais de Guerra dos Mundos
16/12 > Novo Teaser Poster de War of The Worlds
10/12 > Assista ao teaser-trailer de Guerra dos Mundos
08/12 > War of the Worlds: trailer na sexta
02/12 > War of the Worlds: Site oficial e novas imagens
02/09 > Tom Cruise fala de M:I-3 e Guerra dos Mundos
13/08 > Spielberg e Tom Cruise vão à guerra
04/06 > Miramax pode se separar da Disney
17/05 > Harvey Weinstein, chefão da Miramax, está escrevendo autobiografia
15/03 > Bowie leva os cães de diamante para passear
03/03 > A Volta ao Mundo em 80 Dias: novo site
26/02 > Sin City, o filme!
16/12 > 1984, o comercial

 

COMPRAS
Livro > Sermão do Bom Ladrão (Antonio Vieira)
CD > Hypnoseries 001: Mixed by Fabricio Peçanha (Vários)
Game > Jogo PS2 Yakuza + Boné Exclusivo
Livro > Nós, Eu e Você: Dinâmicas e Vivências para Casais (Sonia Biffi, Rosabel De Chiaro)
DVD > Ursos: Uma Aventura Selvagem
Informática > Conversor de Áudio e Vídeo - DUB-AV300
DVD > Animal Planet ao Extremo: Os Mais Trapaceiros - Vol. 3
Livro > Formação de Catequistas (Cnbb)

 

 


Superman - O Retorno
DVD duplo
Smallville
5ª Temporada - 6 DVDs

Carros l Os Sem-Floresta
DVD

Os Melhores Quadrinhos

Mythology: The DC Comics Art Of Alex Ross

Cirque Du Soleil:
Saltimbanco l La Nouba
DVD

Desperate Housewives
2ª temporada - 7 DVDs
Monk
1ª temporada - 4 DVDs

House l Grey's Anatomy
1ª temporada

Os Cavaleiros do Zodíaco:
Hades - Vol. 3 e 4

DVD duplo

Battlestar Galactica
1ª Temporada - 5 DVDs

Gravadores de DVDs
A partir de R$ 599,00
XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. Uniela Unium. Tecnologia