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Quarteto não-tão Fantástico
Por Marcelo Del Debbio — Sexta, 8 de julho de 2005
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Olá crianças,
Estréia nesta sexta feira o novo filme da Marvel, o Quarteto Fantástico, dirigido por Tim Story (de Táxi). De todas as adaptações que saíram e sairão este ano, o quarteto é, infelizmente, a mais fraquinha e mal acabada.
Vamos ser sinceros: quando os primeiros trailers, teasers e fotos saíram na internet ano passado, já sabíamos que o filme seria meia-boca... Mas ao ver o resultado final na telona, tive certeza de que nossos piores medos se confirmariam: o filme novo do quarteto é tão ruim quanto o de 1994 do Roger Corman - um filme de terceira, só que dessa vez com efeitos especiais de primeira. O resultado não poderia ser diferente: é uma adaptação de segunda, que fica brigando pelo posto de mais porcaria com Elektra, Mulher-Gato e A Liga Extraordinária.
O grande problema do filme é a total falta de roteiro, com mais buracos que um queijo suíço, aliado à péssima escolha do elenco. Só para ter uma idéia, o Reed Richards (vivido por Ioan Gruffudd, de Rei Arthur) está tão ruim com aquele penteado igual ao do Jerry Seinfeld e sua inexpressividade que, quando ele e Ben Grimm (o Coisa, vivido por Michael "The Shield" Chiklis, naquela roupa de borracha de monstro do Spectroman) vão procurar o escritório do Victor Von Doom (Julian McMahon, de Nip/Tuck) nos primeiros dois minutos do filme, eu podia jurar que aqueles dois eram os “lacaios-burros-do-vilão” (todo vilão que se preze precisa de dois lacaios burros) ao invés dos protagonistas!
A Jessica Alba (a deliciosa Nancy, de Sin City) não convence como Sue Richards e o único que se salva é o Johnny Storm (vivido por Chris Evans, o Jake de Não é Mais um Besteirol Americano), embora ele esteja tão infantil e caricato que só faltaram piadas de peido no roteiro... (ei coisa, puxe meu dedo...). Para completar, A escultora-negra-cega-hippie-wicca Alicia Masters (que não é nem negra, nem wicca e nem hippie nos quadrinhos) também ficou um tanto descaracterizada nas mãos de Kerry Washington.
Talvez quem for ao cinema sem esperar grandes coisas possa se divertir. A história original foi razoavelmente alterada, apenas com leves semelhanças ao HQ original. Ao invés dos quatro cientistas originais expostos aos Raios Cósmicos, temos cinco tripulantes (sim, crianças, o Dr. Destino também pega carona na nave, embora ele tenha de sair do grupo depois que voltam a Terra porque o nome Fabulous 5 já estava tomado e o grupo teria de ficar com 4 integrantes mesmo). Ao invés de uma armadura poderosa, Von Doom fica com “a pele de metal mais duro que o diamante”, “capaz de soltar raios de suas mãos” e “o poder do canastrão”. Uma pena mesmo, porque o ditador da Latvéria é um dos meus personagens favoritos da Marvel e foi muito triste vê-lo tosco dessa maneira.
A impressão que passa é que uma criança de oito anos escreveu o roteiro e seu irmão mais velho de doze anos dirigiu. Tem umas situações forçadas e constrangedoras que não têm o menor sentido (atentem para a cena onde a Mulher Invisível precisa “tirar a roupa para passar pela multidão”).
As cenas de ação são legaizinhas, mas nada tão espetacular assim (elas estavam piores antes... os rumores disseram que o diretor teve de mexer às pressas no roteiro depois que Os Incríveis saíram, porque o desenho animado dava de dez a zero no filme) e a impressão que passa é que simplesmente não há história ou que ela foi feita para outros guris de oito anos de idade.
Na sessão “onde está Stan?”, encontramos nosso velhinho serelepe disfarçado do carteiro Willy Lumpkin, conhecido personagem das histórias do quarteto.
A única compensação é que os efeitos especiais estão maravilhosos (principalmente se compararmos à versão de Corman), mas não sei se isso salva o filme. Dá para assistir numa boa quando sair em TV a cabo. Como eu já conheço meus leitores, sei que não vai adiantar nada avisar vocês para não irem assistir porque vocês irão de qualquer jeito. Resta o consolo que vocês ouvirão minhas palavras sábias de “eu te disse, eu te disse, eu te disse” quando saírem do cinema depois de gastar R$15,00 para ver o filme.
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