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Nós vimos II: Guerra dos Mundos
Por Paulo Cardoso — Quarta, 29 de junho de 2005
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Guerra apenas de uma das partes
Guerra dos Mundos, um clássico da literatura do século XIX escrito por H.G. Wells em 1898, teve uma versão cinematográfica em 1953 por Byron Haskin, que virou cult dos filmes B e chega agora ao século XXI completamente renovado nas mãos de Steven Spielberg (Contatos Imediatos do 3º Grau, Inteligência Artificial, ET - O Extraterrestre - esses apenas os filmes de alienígenas!).
A história é sobre um trabalhador das docas, Ray Ferrier (Tom Cruise) que tem a missão de passar o final de semana com os filhos, Rachel Ferrier (Dakota Fanning) e Robbie Ferrier (Justin Chatwin), enquanto a ex-mulher vai para Boston com o atual namorado. Depois de uma estranha tempestade (que lembra Independence Day) o bairro fica sem nenhuma energia, todos os aparelhos elétricos, desde batedeiras até carros, param de funcionar e um buraco é aberto num cruzamento perto da casa de Ray, em conseqüência da incidência dos raios. O que Ray não imaginava era que esse simples evento mudaria a sua vida para sempre. Uma gigantesca máquina de guerra se ergue e antes que qualquer um possa fazer alguma coisa, ela literalmente pulveriza tudo o que vê pela sua frente.
Ray Ferrier não é exatamente o exemplo de pai que temos, ainda mais sendo interpretado por Cruise, que em 95% dos filmes atua como bom moço (os outros 5% ficam por conta de Colateral e Entrevista com um Vampiro). Ele é relapso, irresponsável, de certa forma egoísta e completamente alienado dos interesses dos filhos, mas como o fim está próximo, então, Ray vai ter que aprender a ser pai bem rapidinho.
A pequena Dakota Fanning (Amigo Oculto) tem uma participação muito boa e “em certos momentos ela se mostra mais madura que o próprio pai, gerando uma dinâmica muito interessante.” – diz Spielberg. A situação é ainda mais delicada porque sua personagem é claustrofóbica e buracos para se esconder é que não faltam no filme. A relação de Ray com seu filho mais velho é ainda mais interessante e às vezes chega a irritar porque Robbie parece ser uma “versão jovem” dele mesmo!
O momento de maior tensão talvez não seja protagonizado pelas máquinas, mas sim devido a uma participação especial de Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos). Num determinado momento Ray e sua filha são acolhidos por um fazendeiro, Ogilvy (Robbins), e se escondem no porão de sua casa. Ogilvy, como milhões de outros, perdeu sua família inteira devido ao ataque dos alienígenas, mas diferente de todos (e talvez o único!) ele pensa em contra-atacar e tentar enfrentar as máquinas! Ray, de início, pensa que o fazendeiro é apenas mais um cara que ficou maluco por causa daquilo tudo, mas quando sua loucura põe em risco a pequena Rachel, ele é obrigado a tomar uma decisão dramática.
O ponto mais positivo do filme talvez seja o fato de testemunharmos o “fim do mundo” aos olhos de uma pessoa comum. Tudo acontece muito rápido e as máquinas aparecem logo com uns 10 minutos de filme, isso porque somos poupados (Graças a Deus!!) daquela visão de governo, com todo Pentágono reunido, com planos mirabolantes de ataques e contra-ataques. O personagem entende que o mundo está acabando mas por causa de rumores e de informações vindas de outras pessoas e não por aquela visão global dos governantes.
Como nem tudo são flores, o filme termina do jeito que começou também, ou seja, em menos de 10 minutos! O final fica a desejar e o espectador sai com aquele pensamento: “Mas era isso mesmo?! Acabou assim??” Como se não bastasse, ainda somos obrigados a ouvir frases de patriotismo exagerado, como: “Se nós que somos a maior potência do mundo estamos assim, imagine outros países!” Bem, botando tudo na balança, pesando e mandando ver a conta, o filme é bom por causa do som. É o tipo de filme que perde um pouco da graça quando visto em casa. Quer dizer, não é melhor que a versão de 1953, apenas muito mais barulhenta. ¤
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