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Eternamente enquanto dure
Por Édnei Pedroso — Terça, 21 de junho de 2005
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Aproveitando a estréia do novo filme do Homem-Morcego (que finalmente nos trouxe o Batman dos quadrinhos para as telas), não poderia deixar de citar nesta coluna um de seus antecessores mais lesados.
No ano de 95, a Warner nos “presenteou” com a primeira (que deveria ser a última) incursão do diretor Joel Schumacher no bat-tema. Batman Eternamente, que teve a pachorra de ter um forever no título original, chegou com tudo... para mostrar aos céticos que crucificavam o pobre diretor Tim Burton pelo trabalho anterior o que acontece quando um gordo orçamento e um herói lendário caem MESMO em mãos erradas.
Vamos à história:
Batman combate sozinho o crime nas ruas de Gotham City, até que hospeda, em sua mansão, o jovem circense Dick Grayson, que perde sua família após um ato terrorista perpetrado por um dos mais novos desafetos do Homem-Morcego: Harvey Dent, um promotor que tem sua personalidade dividida após ter metade de seu rosto desfigurado (segundo ele, por culpa de Batman, claro), tornando-se o temido Duas-Caras. Grayson, que é um perito em estripulias aéreas, torna-se então Robin, o parceiro do Homem-Morcego que ninguém (que eu conheça) suporta.
Como desgraça pouca é bobagem no mundo de Batman, o perigoso vilão alia forças com Edward Nigma, o ensandecido Charada, um ex-empregado rancoroso das Indústrias Wayne com talento especial para inventar máquinas estranhas (e perigosas) e fazer expressões faciais impossíveis.
Até aí tudo bem, pois não foi a primeira vez que o Cavalheiro das Trevas encontrou um páreo duplo de vilões (Pingüim e Mulher-Gato também já uniram esforços). O problema é que, com certeza, foi a primeira em que Batman lutava contra palhaços. Os vilões Duas-Caras e Charada, bem como o filme todo, pareciam estar em um grande picadeiro, comandado pelo não menos apoteótico Schumacher. O ator Tommy Lee Jones, por exemplo, que sempre fora competente e sério no que fazia, exagerava nos trejeitos de Dent, expondo a personagem ao ridículo.
Além das caricaturas, o longa recebeu um tratamento totalmente desproporcional, onde Gotham parecia uma franquia da Disneylândia e as gangues que deveriam dar dor de cabeça aos heróis serviam somente para traçar passos de dança ou executar macaquices no ritmo de tambores frenéticos (como na cena em que Grayson distribui sopapos em um grupo de marginais de caras pintadas). Com certeza, um fetiche do diretor, que não se contentou em transformar a aventura do pobre herói em um desfile da Sapucaí. Não só a direção de arte ou Joel estavam "naqueles" dias, como os figurinistas (anotem aí: Ingrid Ferrin e Bob Ringwood) também deram um apetrecho fundamental para a bat-indumentária: os já famosos bat-mamilos.
Fala sério...
Além da mudança de diretor (Tim Burton se contentou com a produção), o ator Val Kilmer (do recente Alexandre) tomava o papel do tétrico Michael Keaton (Vozes do Além) como o multimilionário Bruce Wayne, alter ego do vigilante de Gotham City. Kilmer, que sempre fora loiro em qualquer outro papel até ali, não chegou a comprometer a personagem, mas até aquele momento (e até hoje) era um nome inimaginável para o papel. Seu parceiro de cena Chris O’Donnell (Limite Vertical) também demonstrou uma atuação descartável, visivelmente sufocada, em especial, por um Jim Carrey (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) visivelmente megalomaníaco no papel de Charada. O mestre nas caretas (que há dez anos estava no topo da cadeia alimentar holywoodiana) havia tornado-se o ator mais bem pago das telas a menos de dois anos, o que fez com que o astro simplesmente tomasse o filme todo somente para si.
Entre mortos e feridos, salvou-se a bela Nicole Kidman (A Intérprete) no papel da psicóloga Chase Meridian e unicamente porque Nicole estava bonita demais para ser ofuscada pelo roteiro capenga de Lee Batchler, Janet Scott Batchler e Akiva Goldsman (este último, pasmen, um dos roteiristas mais requisitados da atualidade).
Como uma floresta não é feita somente de ervas daninhas, o som, bem como os efeitos sonoros e a própria trilha sonora deste espécime devem ser levados em consideração. Os dois primeiros concorreram ao Oscar daquele ano, e o último foi responsável pela disseminação de uma das maiores baladas dos anos 90: Kiss From A Rose, do cantor Seal. Claro que U2 com a embalada Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me também pagava o CD. Uma pena que um filme não seja feito somente de sons (até pouco tempo atrás, isso nem existia nos longas).
Como dizia o poeta, eterno enquanto dure...
Mas de todos os revezes que Batman enfrentou, o pior deles, sem dúvida, foi Joel Schumacher. O diretor “reformulou” o herói no cinema de tal forma que Batman Eternamente, juntamente com Batman e Robin, levam dos críticos, por unanimidade, a alcunha de piores espécimes do cavalheiro das trevas na tela grande. ¤
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