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Um encontro com Jodorowski
Por Marcelo Tavela — Segunda, 20 de junho de 2005
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Se você entrar em uma livraria do Brasil e perguntar por quadrinhos, provavelmente te mandam para a seção “infanto-juvenil”. Na livraria do Centre Pompidou, os quadrinhos ficam na seção “Artes Gráficas”.
Na lista quinzenal dos livros mais vendidos da Virgin francesa, o quinto lugar é ocupado por Les Conquérants de Troy, Tomo I, de Christophe Arleston, uma história em quadrinhos (em tempo: o primeiro lugar aqui também é de O Codigo Da Vinci, de Dan Brown; Paulo Coelho e seu O Zahir estão em quarto).
Por essas duas informações, fica claro porque a França é um país sério: as bandes desinées são algo muito importante por aqui.
Como também comprova a fila na tarde de autógrafos com Alexandro Jodorowski, um dos principais nomes da BD, na Virgin do Champs-Elisées. Esquema especial de segurança, entrada separada na loja e pessoas na fila 2 horas antes, em plena quarta-feira.
O chileno radicado na França, que trabalhou com Moebius no Inkal e outras obras, lançava o quarto tomo de Bouncer, HQ de western desenhada por François Boucq. Só era permitida a entrada na fila de quem adquirisse o álbum, o que estava fora do orçamento da coluna e impediu a troca de idéias. Mas foi prazeroso observar aquele senhor de cabelos brancos, simpático com todos os leitores que abriam malas cheias de álbuns antigos para serem assinados. Seus Methabarons e Tecnopéres são muito populares por aqui.
Pensei em esperar o fim do evento para conversar com Jodorowski, mas me atrasaria para o outro compromisso do dia (veja próximo tópico).
As dédicaces são comuns em Paris. Quatro dias antes, Katsuhiro Otomo estava na mesma loja - Akira acaba de ser relançado, na íntegra, por aqui. Também foi a primeira vez que padeci do tudo-ao-mesmo-tempo-agora de Paris: na mesma hora que Jodorowski estava na Virgin, Marjane Satrapi assinava no Popidou.
Weezer faz acreditar
Óculos de aro grosso. Tenis All-Star. Meninas(-infinito ?) de cabelo curtinho e blusas engraçadinhas. Indie se veste igual em todos os lugares. E show do Weezer é culto religioso.
Rivers Cuomo não estava nem aí para isso. Não estava nem aí para nada. Ensinou os parisienses como ser blasé. Continuou sua meditação, a mesma que pariu Make Believe, o novo album da banda, e tocou. Fidelíssimo aos CDs, com repertório que contenta qualquer fã da banda. Fez o show do ano; até agora.
Início furioso com Tired of Sex, a mesma que abre o melhor disco da banda; o Pinkerton. En suite; In the Garage e Buddy Holy, a última com novo arranjo. Brian Bell cantou Getcho. Todo o Olympia cantou Say It Isn’t So.
Na última musica, Undone - logo após The Good Life; Hash Pipe veio no bis – Cuomo sustenta a vogal final por quase um minuto, olhando para os céus. Parece ter chegado onde queria com a meditação. Há uma lenda que eles se apresentam no Brasil ainda este ano. Torça que sim.
Mais do tudo-ao-mesmo-tempo-agora: enquanto o Weezer tocava no Olympia, Aimee Mann lançava seu novo album, The Forgotten Arm, no La Cigale.
Menino de Ouro
Quem também se apresentou por aqui foi o contra-baixista Kyle Eastwood. O sobrenome (e os traços do rosto) não negam: o filho de Clint Eastwood trouxe o gosto pelo jazz de casa. Compôs com o pai as trilhas de Bird e Sobre Meninos e Lobos e encaixou uma música só sua Solferino, em Menina de Ouro.
Longe de casa, gravou Paris Blues com um pianista e um baterista franceses, produzindo um hard-bop muito bem marcado.
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