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Caçador Vs. Dragão: o novo panorama do RPG
Por Rafael Cardoso — Terça, 14 de junho de 2005
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Recentemente, os fãs de RPG foram abalados por notícias bombásticas como, por exemplo, a saída do Trio Tormenta da Dragão Brasil após 111 edições (algo em torno de doze anos!!!). Você pode saber mais a respeito dos motivos da saída na entrevista de Raphael di Cunto exclusiva para o SoBReCarGa aqui.
O trio juntou forças com a equipe da D20 Saga e a partir disso surgiu a revista Dragon Slayer (o nome já diz bastante). A Dragão entretanto não foi extinta. Ela passou para a responsabilidade da equipe do site RedeRPG (http://www.rederpg.com.br), que já vinha fazendo as notícias da mesma. O Encontro Internacional de RPG apresentou ambas “novas” revistas.
A Dragon Slayer busca se manter utilizando-se da fórmula que manteve a Dragão Brasil por tantos anos. Uma espécie de “mix” entre todas as culturas de entretenimento, ou seja, é uma revista de RPG, mas ela traz atrativos para os fãs de mangás, animes, quadrinhos e até cinema. Tudo isso através de inúmeras adaptações de obras famosas de todos os meios para o RPG. A dupla que criou a revista Holy Avenger, Marcelo Cassaro e Erica Awano, também volta atacando com outro mangá: Dragon´s Bribe, que por sinal é ambientado num cenário criado para a nova revista: os reinos de Morenia.
A Dragon Slayer claramente quer manter o seu público fiel, que é o de iniciantes e de fãs de animes/mangás/quadrinhos etc, exemplo disso é o lançamento do RPG Primeira Aventura, que buscará novos jogadores para o mercado. Todavia ela inova ao tentar atrair o jogador de RPG mais experiente. Era comum ouvir destes jogadores que a Dragão não tinha material interessante para eles. Este por sinal era o público da D20 Saga, assim a DS tenta atrair ambos para a nova revista. O destaque fica realmente para os mapas fantásticos da revista, que estão em nível internacional de qualidade.
A nova Dragão Brasil já mostra que seu público é justamente este: jogadores de RPG experientes. A Rede RPG sempre se destacou pela criação de material de qualidade para mestres e jogadores e a idéia parece ser repetir isso na revista. Ela apresenta uma estrutura, que inicialmente vai mostrar mais material de campanha para os leitores. A princípio, a promessa é todo mês mostrar uma classe de prestígio, um mini cenário e uma aventura, ou seja, bastante material de campanha para os jogadores de RPG. Este é certamente o destaque da revista.
A DS a princípio parece ter um caminho bem definido. Tanto o material do Trio Tormenta quanto o material dos produtores da D20 Saga já têm seus públicos definidos e certamente eles são mais que suficientes para manter a revista, que também está apresentando muito material de qualidade. Além disso, a revista está nas mãos da Editora Mantícora que desde sua criação mostrou seriedade e responsabilidade ao tratar com o público de RPG e quadrinhos. A maior dificuldade da DS será justamente a convivência de material para fãs tão distintos. Há uma chance de certos públicos não comprarem a revista justamente por verem materiais, que não estão dentro daquilo que eles desejam: algo como “Mais anime na revista de RPG? Arght”.
A DB me parece ter mais dificuldades para se manter no mercado. A equipe da Rede RPG certamente já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade profissional, mas eles recebem o fardo de uma revista que está há doze anos no mercado e que enfrentou muitos problemas recentes como atrasos e a própria saída dos editores. Muitos fãs ainda possuem assinatura e já se acostumaram com o estilo da revista, que vai mudar bastante. A própria confiança no Trio Tormenta é um fato que vai pesar, pois a equipe da Rede ainda é desconhecida fora da internet (excetuando-se alguns poucos como o coordenador Marcelo Telles, autores como Tzimisce, Richard Garrel, etc.). Além disso, a revista ainda precisa convencer ao público experiente (seu público-alvo), que seu enfoque mudou e que agora ela se tornou atrativa para ele. Finalmente, para complicar, a editora Talismã perdeu seus principais títulos (que saíram junto com o Trio) e parece apostar na revista, mas já foram vários os boatos de falência.
Nos fóruns e listas de discussão da internet, falou-se muito a respeito de uma possível rivalidade entre os membros das duas revistas. Autores das duas revistas já desmentiram a questão e afirmaram que haverá apenas uma concorrência sadia entre eles. Considerando que ambas se focam em públicos-alvos tão diferentes, parece ser realmente uma bobagem que possa haver qualquer atrito entre elas. O mercado de RPG certamente já está maduro o suficiente para absorver duas revistas de RPG, que precisam apenas apresentar material de qualidade para conquistarem ou firmarem seus públicos fieis. Este é o voto do SoBReCarGa e o desejo dos fãs.
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