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Como filmar bem em um aeroporto
Por Marcelo Tavela — Sexta, 10 de junho de 2005
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As boas idéias também costumam ser simples. E foi o que se passou pela cabeça do U2 quando faziam uma conexão no Charles de Gaulle. « Esse aeroporto é bonito para caramba ! Por que nao filmar nosso proximo clipe aqui? », se perguntou Bono Vox.
O U2 passa bastante pelo CDG. Eles e toda a Europa qua viaja. Paris é o principal ponto de conexões do velho continente, junto a Frankfurt, devido a sua posiçao central – um velho guia daqui diz que a França « é o istmo que une toda a Europa ».
Seis terminais comportam todo esse movimento populacional, com direito a linha de onibus interna. Mas o que chamou a atencao do U2 nao foi o porte, e sim o design. Com muitos espacos vazios, vidros e concreto armado, o Charles de Gaulle parece voar como os avioes que recebe. A cena que abre o clipe de Beautiful Day traduz essa leveza, com Bono correndo em uma passagem rodoviaria sob a pista de pouso, e um enorme Jumbo sobre ele. As gigantescas portas giratorias sao um charme a mais.
O diretor sueco Jonas Akerlund foi sucinto. Sem firulas, só o U2 passeando e tocando pelo Charles de Gaulle. O avião aterrisando enquando a banda se apresenta na pista é um dos poucos efeitos digitais do clipe, afinal ninguém quis arriscar a vida dos quatro irlandeses – o que seria da divida africana se algo acontecesse com Bono ?
Se Hollywood fosse fiel a realidade, o Charles de Gaulle teria sua vez no cinema. O personagem de Tom Hanks em O Terminal é inspirado num iraniano que perambulou pelo CDG durante uma desavença diplomatica entre França e Irã. Não podia voltar para casa, nao podia entrar em territorio francês. Se o filme fosse no Charles de Gaulle, pelo menos o cenário seria melhor.
O U2 gostou tanto do resultado que fez todas as fotos do CD All that you can’t leave behind no aeroporto. E gostou tanto de Paris que se apresentam nos dias 9 e 10 de julho no Stade de France, com ingressos esgotados desde fevereiro.
O Charles de Gaulle é a porta de entrada da França, e a maneira escolhida para começar essa coluna. A França está em crise. Crise econômica – crescimento quase estagnado e desemprego passando dos 10%. Crise politica – troca de primeiro ministro e redefinição de papel na Uniao Européia. E crise de identidade – essa vem desde o pós-guerra.
Mas países em crise sempre são interessantes. Todos que vivem no Brasil podem afirmar.
Cada pais tem a Festa no Apê que merece
Pois na França, ela se chama Gasolina. Obra de Papa AP, cantada em um françonhol irritante. E, como Festa no Apê, também é uma versão. Latino, pelo menos, escreveu uma letra. Papa AP simplesmente reproduz a letra de outro fulano, Daddy Young, que, apesar do nome, deve ser espanhol. Eu é que nao vou pesquisar.
Primeiro fim de semana; primeiro show
O domingo 5 de junho foi o Dia de Apoio a Paris 2012, levantando a bola para a capital françesa sediar os jogos olímpicos. O Champs-Elisées foi transformado em um parque esportivo, com todas as modalidades olímpicas representadas pela juventude parisiense.
Um tremendo programa de índio.
O bom é que teve shoz no final. Melhor: show gratuito. Melhor ainda: na base da Torre Eiffel. Dos artistas “internacionais”, o Maroon 5 ficou só com seus singles. Decisão acertada, levantando os 150 mil franceses que assistiam. E Natalie Imbruglia provou que deve entrar para a história da música só como « namorada do cara do Silverchair ».
Dos artistas « locais », um bom panorama do pop francês. - incluindo Papa AP. E do pop francês, fique somente com Marc Lavoine. O veterano cantor está lançando seu nono disco, L’heure d’été, e sua voz cavernosa sobre instrumental à la Depeche Mode é bem interesante.
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