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O livro nosso de cada dia
Por Eloyr Pacheco — Terça, 7 de junho de 2005
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Visitei a XII Bienal do Livro do Rio de Janeiro e fiquei aturdido com a quantidade de crianças que a visitavam diariamente. Era contagiante ver a alegria delas diante daquele universo cativante, colorido e cheio de imagens muito bonitas. Veja os exemplos da produção das capas de Crônicas de Nárnia, Arthur e os Minimoys e Harry Potter. Se isso não for atraente para as crianças, nada mais é.
Discuti com vários assessores de imprensa e jornalistas sobre a preparação das crianças antes de visitar a Bienal. Será que os professores têm como orientá-las para o “desbravamento” daquele universo ou tudo não passava de um “passeio escolar”? Sei que não se pode culpar os professores, que na maioria dos casos, principalmente em escolas públicas, não têm nem tempo nem como se reciclar, se manterem atualizados, e diante de um currículo apertado, fazer isso na sala de aula. O passeio, esse sim, é agenda obrigatória. Quando muito, se pede uma redação sobre a visita. E fica por aí.
Se a gente não cobrar do professor, vamos cobrar de quem? Dos pais, claro! Mas muitos pais, simplesmente, transferem a responsabilidade para o professor. E ponto final. E que pais hoje em dia podem acompanhar as lições de casa dos filhos? Dilema cruel!!
No último dia da Bienal, foi organizada na Sala de Imprensa uma reunião para se fazer um balanço do evento, onde descubro que o preço do livro diminuiu. Em 2003 o preço médio era acima de R$ 21,00 e em 2005 um pouco mais que R$ 17,00. Mas, pelo visto, isto ainda não é suficiente para se aumentar o número de exemplares vendidos e, conseqüentemente, o número médio de livros lidos pelos brasileiros. Onde estão os incentivos fiscais que tanto são discutidos, mas que, na prática, nunca surtem efeito?
Fiquei bastante tempo observando a fila que nunca diminuía diante do estande da Melhoramentos, organizada para aqueles que desejavam um autógrafo do incansável (e paciente) Ziraldo, que está comemorando 25 anos de criação do Menino Maluquinho. Essa paciência é que deveria ser de todos. Ziraldo, além das sessões de autógrafos agendadas, abriu sua agenda para atender mais leitores, e fez isso sem pensar duas vezes. Outros escritores não deram um autógrafo a mais do que as senhas distribuídas.
Muito importante, além do contato com os livros, é também o escritor estar perto do seu leitor. Na semana da Bienal li muitos textos, principalmente releases, mas, um desses textos, se não me engano de Artur Xexéo, criticava exatamente esses escritores que entravam pela sala vip, iam até o estande de carrinho (tipo aqueles de golfe), davam os autógrafos e saiam pela mesma sala vip. Contato superficial, tacanho. Nem sequer havia tempo para transpirarem como os leitores transpiravam naqueles pavilhões quentes e mal ventilados do Rio Centro.
É preciso ter uma biblioteca em cada escola e que o governo compre livros para supri-las. Isso com certeza, além de democratizar a leitura, gerará uma fonte de renda para os editores. Para TODOS os editores. Sem preconceitos, sem discriminização.
O brasileiro lê dois livros por ano. Um é didático, aquele que se recebe na escola. A culpa é do professor. A culpa é dos pais. A culpa é dos escritores. A culpa é das editoras. A culpa é do governo. A culpa é de todos nós.
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