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Tudo acaba em pizza...
Por Luiz Eduardo Ricon — Sexta, 7 de novembro de 2003
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Já viu o Matrix Revolutions? Não? Tudo bem. Sem querer estragar o filme para quem ainda não foi aos cinemas, dá para se dizer com segurança que a maior parte do que está lá, nós já vimos, nos episódios anteriores ou em outros filmes, seriados, games e desenhos animados, especialmente os japoneses.
Depois de alguns meses de espera e depois das acaloradas discussões e elocubrações dos fãs no mundo todo, o que encontramos na tela é mais do mesmo. Mais cenas de ação com efeitos especiais estonteantes (mas sem aquele ineditismo do primeiro filme), mais papos-cabeça chegando, às vezes, às raias do incompreensível (mas sem aquele exagero do Reloaded) e um final que, mesmo que não agrade a fulano ou beltrano pelo menos não decepciona (este era o meu maior medo, o final do filme!).
 Matrix Revolutions herda boa parte dos pecados do Reloaded, começando no meio da história e tendo de lidar com meia-dúzia de novos personagens que não têm a mesma empatia de Mopheus, Trinity ou do agente Smith (exceção feita à capitã Niobe, obviamente). Mesmo assim, o filme carrega sua cruz com resignação, amarrando pontas soltas da trama, prendendo a atenção nos momentos-chave e trazendo uma das cenas de batalha mais empolgantes da ficção científica no cinema.
É claro que o que o filme tem de ruim não é razão para crucificá-lo. Mas, se para muita gente ele salvou o segundo, para todo o púbico ele com certeza está longe de ser tão bom quanto o primeiro. É como se a terceira parte da saga dos irmãos Wachowsky sofresse de uma espécie de “Síndrome do Retorno de Jedi”. É uma grande colcha de retalhos de tudo o que funcionou (ou não) em Matrix e Matrix Reloaded, mesclada com o desejo indisfarçável de se lucrar mais com a franquia e recheado com uma penca de citações indisfarçadas a outras histórias, sagas e universos, que uns veriam como homenagens e outros como cópia.
Mas com todos os seus defeitos, o fim da saga de Neo, o Escolhido pode não ser lá grandes coisas se compararmos com outros clássicos da literatura e do cinema de ficção científica. Mas um filme de kung fu, tiroteio e efeitos especiais que consegue chegar vivo à mesa do bar e acaba em pizza depois do cinema, hoje em dia é quase um milagre.
Aleluia!
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