|
Nós lemos: Procurado #1
Por Felipe Meyer — Quinta, 2 de junho de 2005
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Existe um mundo lá fora que você ignora. Essa premissa já foi (e continua sendo) muito utilizada pela ficção, em especial pelo cinema (veja filmes como Cidade das Sombras e a trilogia Matrix). Mas nenhum filme até hoje a utilizou de forma tão descompromissada - e por isso mesmo tão eficiente - quanto a história em quadrinhos de Mark Millar (pelo menos não até o momento, considerando que o universo criado pelo escritor já está sendo adaptado para as telonas), Procurado. Só pra início de conversa, é importante dizer que esse primeiro número fala sobre eu e você. Talvez não em todos os detalhes, mas de uma forma genérica acaba sendo uma história sobre aquele cara que todos negamos ser mas que provavelmente somos - mesmo sem saber - e da chance que todos queríamos ter para mudar isso.
Wesley Gibson é aquele típico sujeito comum, com problemas bastante comuns e que daria um tiro na própria cabeça se tivesse coragem suficiente. Todos os dias sai de casa apenas para ser alvo de chacota dos mesmos marginais na rua, ser gratuitamente ofendido pela mesma chefe autoritária e comer o mesmo sanduíche-que-ninguém-mais-pede enquanto tem certeza que sua namorada está transando com seu melhor amigo.
Tudo isso, claro, está prestes a mudar. Do nada, Wesley descobre que seu pai - que abandonou a ele e sua mãe pouco depois de seu nascimento - é na verdade um dos maiores super-vilões do mundo. Ou era. Assassinado por um inimigo misterioso, seu último desejo foi que o filho herdasse toda a sua fortuna, com a condição de passar por um treinamento intensivo de seis meses com seus antigos associados. A partir daí a história só melhora e tenho de me segurar pra não contar o que acontece nas edições seguintes e estragar a surpresa de muita gente.
Os ótimos desenhos são de J.G. Jones, que curiosamente começou dando aulas de pintura e só foi entrar no mercado dos quadrinhos quando conheceu o editor Jim Shooter (Defiant Comics). Ele parece atingir sempre o tom certo em conjunto com o roteiro de Millar, oscilando entre o trágico e o cômico. Um detalhe bastante divertido, aliás, é esmiuçar as revistas atrás das referências que ele faz a personagens já conhecidos do público, especialmente a partir do número 2.
Quanto a Millar... Bom, é Millar, e não chega a ser algo muito inovador e diferente do que estamos acostumados a ver. No entanto traz um grande diferencial: pela primeira vez veremos um universo totalmente idealizado pelo escritor (tirando talvez alguns trabalhos de 2000 AD e Aztek, que ele criou ao lado de Grant Morrison), já que praticamente todo o material que lhe deu nome foi em cima de personagens criados por outros. Se você é fã do trabalho do cara, então Produrado com certeza é um prato cheio pra você. Agora, se é o contrário, ou se pra você ele não fede nem cheira... Essa não é a revista que vai fazê-lo mudar de opinião. ¤
|