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Nós lemos: Hellblazer – Poder Infernal
Por João Felipe Freitas — Segunda, 30 de maio de 2005
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Fãs de HQs podem ser bastante exigentes quando se trata de adaptações dos quadrinhos para o cinema. Conheço muita gente que odiou filmes como X-Men, Homem-Aranha, Hulk e Demolidor pelos motivos errados – simplesmente porque não eram cópias fiéis de seus gibis prediletos. Anunciado oportunamente pela Devir como “a graphic novel que inspirou o filme Constantine”, Hellblazer – Poder Infernal pode ter um efeito inverso. Quem gostou do filme corre o risco de detestar a arrastada história de Mike Carey.
Não, John Constantine não é exatamente aquilo que o diretor Francis Lawrence mostrou nas telas do cinema. Mas o mago inglês criado por Alan Moore em meados dos anos 80 também está longe de ser o insosso personagem retratado em Poder Infernal. Se uma comparação é mesmo necessária, o Constantine de Lawrence guarda mais sarcasmo e carisma do que o vazio Constantine de Carey, que ao invés de sua habitual ironia, fala clichês como “perguntar não tira pedaço” e “Recebi seu recado. Onde é o incêndio?”
Em Poder Infernal, Chas, motorista e amigo de John Constantine, precisa novamente da ajuda do mago sacana. Dessa vez o problema é com sua neta Trish que foi acometida pelo “vírus do coma”. E é óbvio que um demônio está por traz de tudo. O desenrolar da trama de Carey, realmente, não traz nada de novo. John parece cansado e até suas eventuais ironias soam desgastadas. O que torna tudo mais interessante é, sem dúvida, o caprichado acabamento da Devir aliado à belíssima arte do argentino Leonardo Manco (Apache Skies). Manco faz milagre ao criar dinamicidade e suspense em um roteiro estático e chato. Já a Devir produziu uma de suas edições mais luxuosas (papel couché 80g no miolo e capa supremo 250) e salgadas (R$41,00), com direito a notas de tradução e matéria especial ao final da edição (que leitor não gosta dessas matérias?) mostrando a trajetória do personagem desde sua origem nas páginas de Monstro do Pântano.
A impressão final ao acabar de ler as 128 páginas de Poder Infernal é a de que nada foi lido. Alguma coisa ficou faltando e o prometido conto de horror não aconteceu. Ainda assim Mike Carey é inglês – e roteiristas ingleses tem um tempero diferente. Só não espere grande coisa.
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