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Matrix Revolutions: o fim...
Por Rafael Cardoso — Quinta, 6 de novembro de 2003
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Caso você ainda não tenha assistido "Matrix Revolutions", principalmente considerando-se que a estréia mundial foi dia 05/11, é seriamente aconselhável que você veja o filme e depois leia a coluna. O espaço abaixo é para você segurar sua curiosidade e não ler tudo antes de ver o filme.
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"Todo começo tem um fim!"
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Matrix Revolutions".Revolução. Mudança. Quebra do status quo. É o fim da Matrix. É o fim da guerra entre os homens e as máquinas e é o fime de uma das grandes trilogias do cinema. Ao contrário de muitos críticos, eu gostei sim do filme e gostei muito.
O primeiro filme foi um filme de choques e descobertas. O segundo foi um filme de filosofia. E o terceiro filme deu vez à ação (e olha o quanto de ação já existe nos primeiros filmes!) prometida nos filmes anteriores, a tão esperada luta entre humanos e máquinas.
Revolutions é muito melhor que "Reloaded", pois apesar de poder ser classificado como uma grande ação ininterrupta, ele não abusa das cenas de luta ou mesmo de efeitos especiais como é o caso de Revolutions. Algumas lutas são fantásticas como a luta final entre Neo e Smith, mas você sente a tensão da luta, ela não é excessivamente grande como foi no segundo filme. Inclusive uma das lutas mais interessantes acontece entre Neo e Bane. Uma luta humana, verdadeira, real... provando que Neo precisa superar desafios nos dois mundos. Certamente, os irmãos Wachowski aprenderam da mancada do segundo filme.
E toda esta ação certamente revolucionou novamente o cinema. Alguns efeitos especiais ali contidos serão infinitamente copiados daqui em diante e se tornarão padrões. São efeitos que mesmo em dez anos ainda acharemos atuais e interessantes (veja exemplos como o primeiro Matrix, Exterminador do Futuro 2, etc.). A ação chega a te deixar estressado de tão envolvente e até longa (mas no bom sentido) que ela é. As cenas das lutas em Zion, da fuga com a nave pilotada pela capitão Niobe, o Agente Smith "de fogo" e toda a cidade das máquinas mostram que Matrix é sim um fortíssimo candidato ao Oscar de efeitos especiais.
É um filme que vemos algumas inversões de papéis em relação aos anteriores, no qual Trinity ganha mais força que Morpheus, que infelizmente ficou apagado, e outros personagens têm seus momentos de heróis como Zee, mulher do operador Link e o garoto do segundo filme que tanto admirava Neo (o garoto que surgiu nos Animatrix). Obviamente é Neo quem salva a todos, mas o filme é focado em Zion e na luta do ser humano para sobreviver. Ele mostra os horrores da guerra e brinca com o fato de humanos e máquinas interdependerem (humanos precisam das máquinas para sobreviver no dia-a-dia e as máquinas dos humanos para conseguir a energia para sobreviverem).
O segundo filme falava bastante sobre a questão da escolha, Revolutions brinca com a questão do milagre, da confiança. Algo como você precisa acreditar para poder conseguir, por menores que sejam as chances de vitória. A questão do amor que foi tão forte nos dois primeiros filmes continua a existir aqui, mas a questão de acreditar, da fé nos milagres se mostra ainda mais forte.
Mas acima de tudo é um filme que ficará eternamente marcado pelo Agente Smith, que acaba sendo providencial para o fim da guerra. Smith é um vilão clássico. Do tipo que gargalha sozinho com seus planos (planos que ele conta várias vezes para o mocinho), tem um visual que é simultaneamente maneiro e assustador, planeja conquistar o mundo, é mau e não há muita explicação para isso. Smith é a outra parte de Neo, mas ele provavelmente se tornará o novo Darth Vader, o novo ícone dos vilões do século XXI. A grande prova do sucesso de Smith é que o casal Merovingian e Persephone é praticamente irrelevante dentro do filme (acreditem ou não, mas Monica Belluci, no alto de sua exuberância, tem UMA única fala em todo o filme). Palmas para Hugo Weaving!!!
O final tão esperado da trilogia não chega a ser ruim, mas é a maldita sensação de vazio que fica depois de tanta espera Talvez forçar um final "mais final" piorasse tudo, mas eu particularmente senti falta de algo mais revolucionário no final. A grande surpresa ficou realmente por conta da morte do casal 20 da Matrix. Para quem lê minha coluna, sabe que eu errei feio e apostei na morte do Morpheus e na sobrevivência do casal. Eu pensava que Neo sobreviveria e ocuparia do lugar de Morpheus como um messias para a humanidade depois da guerra, ou seja, eu me surpreendi, mas...
E toda a filosofia dos primeiros filmes? E quanto a idéia de assemelhar Matrix a "Alice no País das Maravilhas"? É claro que temos citações a "Édipo Rei" (cegueira de Neo), "Danúbio Azul" (Neo e Trinity no céu) e outros, mas as citações e lógicas variam em todos os filmes? Quem é a Oráculo, o Arquiteto e outras figuras essenciais que aparecem ao longo da trilogia como o Chaveiro e agora o Trainman (homem do trem)? Como Neo é capaz de controlar as máquinas no mundo real ("ah, ele pode, porque ele pode" é muito fácil)? O que aconteceu com as outras versões do Escolhido e onde eles falharam? A verdade é que eles criaram inúmeros mistérios, sendo a maioria interessantes e depois simplesmente os ignoraram, preferindo contar uma história mais simples e direta ao ponto. Isto foi muito decepcionante e um insulto à nossa inteligência...
A trilogia Matrix acabou revolucionando no visual dos personagens (figurino), nos efeitos especiais, em boa parte da sua interessante história e principalmente no conjunto da obra, mas assim como cada filme tem seu próprio atrativo, eles não funcionam bem como trilogia. Cada filme gera expectativas que simplesmente não são correspondidas no filme conseguinte. Logo Matrix Revolutions é um grande filme e tem um final bem legal, mas se analisado em relação apenas a si próprio. Em relação à trilogia, ele acaba sendo um pouco decepcionante e abaixo das expectativas que, convenhamos, eram enormes.
Uma nova expectativa fica para o futuro. Não vejo espaço para um Matrix 4, mas sim para filmes antes da trilogia contando mais sobre as Matrix e sobre os escolhidos anteriores (algo à moda "Star Wars") e se tratando de Hollywood TUDO é possível. Agora, o que eu mais sentirei falta é de:
"Mr. Anderson, eu estava esperando por você".
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